A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) aprovou o registro do Aquipta (atogepanto), novo medicamento oral para prevenção da enxaqueca em adultos. A indicação é voltada a pacientes que apresentam pelo menos quatro dias de enxaqueca por mês, tanto na forma episódica quanto na crônica.
A autorização foi anunciada nesta terça-feira (8). O registro foi solicitado pela AbbVie Farmacêutica e contempla apresentações em comprimidos de 10 mg e 60 mg. Apesar da aprovação, ainda não há previsão divulgada para a chegada do medicamento às farmácias brasileiras nem definição de preço.
Como funciona o Aquipta
O princípio ativo do Aquipta, o atogepanto, pertence à classe dos chamados gepantes. Esses medicamentos atuam sobre o CGRP, molécula envolvida nos mecanismos de transmissão da dor e no desenvolvimento das crises de enxaqueca.
Ao bloquear essa via, o medicamento busca reduzir a frequência das crises, funcionando como tratamento preventivo. Isso significa que sua finalidade não é simplesmente aliviar uma dor de cabeça já instalada, mas diminuir a ocorrência de episódios de enxaqueca ao longo do tempo na indicação aprovada no Brasil.
Segundo a Anvisa, os estudos utilizados no desenvolvimento do medicamento demonstraram redução significativa do número de dias mensais com enxaqueca em comparação ao placebo. Os resultados foram observados tanto entre pacientes com enxaqueca episódica quanto entre aqueles com a forma crônica da doença.
Os dados disponíveis, no entanto, não permitem concluir que o atogepanto seja superior aos demais tratamentos preventivos já existentes, uma vez que os estudos não foram desenhados para estabelecer essa comparação direta.
Nova opção específica para prevenção
A chegada do atogepanto amplia o grupo de medicamentos desenvolvidos especificamente a partir dos mecanismos envolvidos na enxaqueca.
Há tratamentos preventivos tradicionais que utilizam medicamentos originalmente desenvolvidos para outras condições. O Aquipta, por outro lado, atua diretamente sobre uma das vias relacionadas à fisiopatologia da doença.
Entre os efeitos adversos mais frequentemente observados estão náusea e constipação. A escolha do tratamento deve ser individualizada e feita com acompanhamento médico, considerando frequência e intensidade das crises, outras condições de saúde, medicamentos utilizados pelo paciente e resposta a tratamentos anteriores.
Enxaqueca atinge cerca de 15% da população mundial
A enxaqueca é uma doença neurológica e não apenas uma dor de cabeça comum. As crises podem provocar dor de intensidade moderada a grave e ser acompanhadas de náuseas, vômitos e sensibilidade à luz e ao som.
De acordo com a Anvisa, a doença afeta aproximadamente 15% da população mundial e pode provocar impactos importantes na qualidade de vida, no trabalho, nas atividades sociais e na utilização dos serviços de saúde.
A frequência das crises varia entre os pacientes. Na enxaqueca crônica, a dor pode ocupar uma parcela significativa do mês, o que torna a prevenção uma parte importante do tratamento.
Medicamento ainda não está disponível nas farmácias
A aprovação da Anvisa é uma etapa fundamental para que o Aquipta seja comercializado no Brasil, mas não significa que o medicamento já possa ser encontrado nas farmácias.
O preço ainda deverá passar pelas etapas regulatórias da Câmara de Regulação do Mercado de Medicamentos (CMED), responsável pela definição dos preços máximos permitidos para medicamentos comercializados no País. Até o momento, não foram divulgados o preço nem a data prevista para o início das vendas.
O registro também não representa incorporação automática ao Sistema Único de Saúde (SUS). Para que um novo medicamento seja oferecido pela rede pública, é necessário passar por um processo específico de avaliação para eventual incorporação ao sistema.
O atogepanto já é utilizado para prevenção da enxaqueca em dezenas de países. Na União Europeia, por exemplo, o Aquipta já possuía autorização para prevenção em adultos com pelo menos quatro dias de enxaqueca por mês.
Com a aprovação brasileira, pacientes que convivem com crises frequentes passam a ter mais uma alternativa terapêutica específica para a prevenção da doença, embora a utilização dependa de avaliação e prescrição médica.

