A Fundação Edson Queiroz lançou, nesta terça-feira (1º), a 24ª edição da campanha Doe de Coração, iniciativa voltada à conscientização sobre a importância da doação de órgãos e tecidos. A edição deste ano também destaca a posição de referência alcançada pelo Ceará no cenário nacional de transplantes.
O Estado ocupa o primeiro lugar do País em transplantes de córnea e a quinta posição em número total de transplantes. Em 2025, foram realizados 2.097 procedimentos de órgãos e tecidos, acima dos 2.060 registrados no ano anterior. Somente os transplantes de córnea chegaram a 1.371.
Desde a criação da Central Estadual de Transplantes, em 1998, o número de procedimentos realizados no Ceará cresceu cerca de 12 vezes. Atualmente, o Estado conta com 48 estabelecimentos que realizam transplantes e 54 equipes dedicadas a procedimentos envolvendo órgãos, tecidos e células.
Campanha terá ações durante setembro
A Doe de Coração integra o Mês de Responsabilidade Social da Fundação Edson Queiroz. A programação começou no auditório da Biblioteca da Universidade de Fortaleza (Unifor) e seguirá ao longo de setembro com atividades de conscientização em diferentes espaços.
Estão previstas jornadas médicas, palestras e debates com profissionais da saúde, ações de cadastro para doação de medula óssea e sangue, além de atividades em hospitais e espaços públicos de Fortaleza. A programação inclui ainda uma mobilização na Praça do Ferreira, no dia 25 de setembro, e caminhada na Avenida Beira-Mar.
A campanha de 2026 é coordenada pelo médico e professor Lourrany Borges, doutor em Saúde Pública pela Universidade Federal do Ceará (UFC) e coordenador-adjunto do curso de Medicina da Unifor.
Recusa das famílias ainda é desafio
Apesar do avanço do Ceará nos transplantes, a autorização familiar continua sendo um dos principais obstáculos para ampliar o número de doações. De acordo com dados apresentados pela campanha, 45% das famílias não autorizam a retirada dos órgãos de potenciais doadores.
A legislação brasileira determina que a decisão final sobre a doação após a morte cabe à família. Por isso, um dos principais objetivos da Doe de Coração é estimular que as pessoas conversem antecipadamente com parentes e manifestem o desejo de se tornarem doadoras.
A organização defende que o assunto seja discutido antes de situações de perda e luto, permitindo que familiares conheçam previamente a vontade do potencial doador.
Ceará é referência nacional
Além da liderança nos transplantes de córnea, o Ceará encerrou 2025 na segunda posição nacional em transplantes de fígado por milhão de habitantes e na terceira em transplantes cardíacos. A taxa de doadores efetivos chegou a 25 por milhão de habitantes, acima da média brasileira, situada entre 19 e 20.
O desempenho é resultado de uma estrutura que envolve a Central Estadual de Transplantes, hospitais de referência, equipes especializadas, comissões intra-hospitalares, organizações de procura de órgãos e instituições como o Hemoce.
Neste ano, a Doe de Coração também ganhou uma nova identidade visual, criada pelo médico e artista cearense Hélio Rôla. A proposta utiliza elementos que remetem à floresta e às conexões da vida para representar simbolicamente a doação de órgãos.
Criada há mais de duas décadas, a campanha busca transformar a conscientização em uma atitude permanente e reforçar que a decisão de doar pode representar uma nova oportunidade de vida para várias pessoas.

