A Polícia Federal deflagrou nesta quinta-feira (10) uma operação para investigar suspeitas de desvio de recursos de emendas parlamentares relacionados à produção de “Dark Horse”, filme sobre a trajetória do ex-presidente Jair Bolsonaro. Entre os alvos de busca e apreensão estão o deputado federal Mario Frias (PL-SP) e Karina Gama, produtora do longa.
Batizada de Operação Make Up, a ação foi autorizada pelo ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF), e conta com a participação da Controladoria-Geral da União (CGU). Ao todo, são cumpridos 50 mandados de busca e apreensão contra 29 pessoas.
A investigação apura a suspeita de que recursos públicos provenientes de emendas parlamentares tenham sido repassados, por meio de termos de fomento, a uma organização da sociedade civil e posteriormente utilizados com finalidade diferente daquela oficialmente prevista.
Produtora do filme também é alvo
Além de Mario Frias, a operação tem como um dos principais alvos Karina Gama, ligada ao Instituto Conhecer Brasil e proprietária da Go Up Entertainment, produtora responsável pelas gravações de “Dark Horse”.
Karina nega irregularidades e afirma que os recursos recebidos foram aplicados corretamente. As suspeitas ainda estão sob investigação e não representam conclusão de culpa dos envolvidos.
A Polícia Federal já vinha analisando documentos relacionados à produção. Em agosto, Dino autorizou o acesso da PF a materiais apreendidos anteriormente pela Polícia Civil de São Paulo em uma investigação envolvendo as emendas destinadas a empresas relacionadas ao projeto.
Caso envolve duas frentes de investigação no STF
As suspeitas envolvendo “Dark Horse” deram origem a diferentes frentes de investigação no Supremo.
A operação desta quinta-feira está vinculada à apuração sob relatoria de Flávio Dino sobre o possível desvio de emendas parlamentares. Separadamente, existe uma investigação sobre recursos privados enviados por Daniel Vorcaro, ex-controlador do Banco Master, para estruturas financeiras relacionadas ao filme. Essa segunda frente está sob relatoria do ministro André Mendonça.
Na quarta-feira (9), Mendonça homologou a delação premiada do empresário Antônio Carlos Freixo Júnior, conhecido como Mineiro. Ele afirmou ter atuado como operador financeiro de Vorcaro e relatou sete transferências para um fundo nos Estados Unidos utilizado no financiamento de “Dark Horse”. Os repasses teriam somado US$ 12,333 milhões.
As informações apresentadas pelo colaborador precisam ser confirmadas por provas independentes durante as investigações.
Flávio Bolsonaro não é alvo da operação desta quinta
O senador Flávio Bolsonaro não está entre os alvos da Operação Make Up. Seu nome aparece na outra investigação, relacionada à captação de recursos privados para o filme e aos repasses feitos por Vorcaro.
Flávio já afirmou que buscou investimentos para a produção, mas nega irregularidades e sustenta que os recursos foram destinados exclusivamente ao projeto cinematográfico.
A investigação também apura o destino final do dinheiro movimentado para o exterior e se parte dos recursos pode ter sido utilizada para outras finalidades. Os envolvidos citados nessa frente têm negado irregularidades.
Investigação foi citada na crise envolvendo a cúpula da PF
O inquérito sobre as emendas destinadas a “Dark Horse” também ganhou importância nos últimos dias por causa da crise envolvendo o comando da Polícia Federal.
Ao determinar, na quarta-feira, a reintegração do diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues, e do diretor de Inteligência, Leandro Almada, Flávio Dino afirmou que o afastamento dos dois poderia comprometer investigações em andamento sob sua relatoria, citando especificamente as diligências relacionadas ao filme.
A decisão de Dino foi posteriormente suspensa pelo presidente do STF, Edson Fachin, juntamente com a determinação anterior de André Mendonça que havia afastado os dois dirigentes, diante do risco de decisões conflitantes dentro da própria Corte.
A operação deflagrada nesta quinta-feira mostra que as investigações sobre o financiamento de “Dark Horse” avançam agora em duas frentes: uma voltada ao possível uso irregular de recursos públicos provenientes de emendas parlamentares e outra destinada a rastrear os milhões enviados por Vorcaro e seus operadores para estruturas financeiras ligadas à produção do filme.

