O Brasil pode enfrentar, nos próximos meses, os impactos de um Super El Niño, fenômeno climático associado ao aquecimento anormal das águas do Oceano Pacífico Equatorial. Segundo especialistas e órgãos meteorológicos, há alta probabilidade de que o evento se intensifique entre o segundo semestre de 2026 e o início de 2027, aumentando o risco de ondas de calor, secas prolongadas, incêndios florestais e episódios de chuvas intensas.
Caso as projeções se confirmem, este será apenas o quinto Super El Niño registrado nos últimos 150 anos. Eventos dessa magnitude ocorreram anteriormente em 1877-1878, 1982-1983, 1997-1998 e 2015-2016, todos marcados por impactos significativos sobre o clima em diferentes partes do planeta.
Calor acima da média
As previsões indicam que grande parte do território brasileiro poderá registrar temperaturas acima da média durante o segundo semestre de 2026.
Esse cenário favorece a ocorrência de ondas de calor mais frequentes e intensas, especialmente nas regiões Centro-Oeste, Norte e parte do Sudeste. Além do desconforto térmico, as altas temperaturas podem elevar o consumo de energia, afetar a agricultura e aumentar os riscos à saúde, principalmente entre idosos, crianças e pessoas com doenças crônicas.
Maior risco de incêndios
Outro efeito esperado é o aumento do risco de queimadas e incêndios florestais.
A combinação entre calor intenso, baixa umidade do ar e redução das chuvas cria condições favoráveis para a propagação do fogo, especialmente na Amazônia, no Cerrado e no Pantanal. Especialistas alertam que o trimestre entre julho e setembro deverá concentrar um dos períodos mais críticos para incêndios florestais.
Chuvas fortes em algumas regiões
Enquanto parte do país pode enfrentar estiagem prolongada, outras regiões deverão registrar chuvas acima da média.
As projeções apontam maior probabilidade de precipitações intensas no Sul do Brasil, aumentando o risco de alagamentos, enxurradas, deslizamentos e cheias de rios. A distribuição irregular das chuvas é uma das principais características do El Niño e pode provocar impactos distintos conforme a região do país.
Fenômeno ainda está sendo monitorado
Apesar da elevada probabilidade de ocorrência, especialistas ressaltam que a intensidade do fenômeno continuará sendo acompanhada nos próximos meses.
Os boletins climáticos são atualizados periodicamente com base nas condições observadas no Oceano Pacífico e na atmosfera. As previsões atuais indicam mais de 90% de chance de o El Niño permanecer ativo até o início de 2027, mas a evolução do fenômeno dependerá do comportamento das temperaturas do oceano e de outros fatores climáticos.

