O governo brasileiro aguarda a decisão dos Estados Unidos sobre a aplicação de novas tarifas às exportações brasileiras antes de definir uma resposta oficial. A expectativa é que a Casa Branca anuncie, nesta quarta-feira (15), se colocará em prática uma nova rodada de sobretaxas proposta pelo presidente Donald Trump, medida que pode afetar diversos setores da economia brasileira.
Segundo integrantes do governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, a estratégia é esperar o conteúdo final da decisão norte-americana para avaliar a dimensão das medidas e, só então, definir os próximos passos. A avaliação é que o anúncio poderá trazer exceções para determinados produtos ou até estabelecer um período de transição antes da entrada em vigor das tarifas.
Tarifas podem chegar a 37,5%
A ofensiva comercial dos Estados Unidos começou em junho, quando Trump propôs uma tarifa de 25% sobre produtos brasileiros após uma investigação comercial conduzida pelo Escritório do Representante de Comércio dos EUA (USTR).
No dia seguinte, o governo norte-americano anunciou uma tarifa adicional de 12,5% para dezenas de países, incluindo o Brasil, sob a justificativa de falhas no combate ao trabalho forçado. Caso ambas sejam aplicadas simultaneamente, alguns produtos brasileiros poderão enfrentar uma taxação total de 37,5% para entrar no mercado norte-americano.
Governo mantém negociação como prioridade
Apesar de trabalhar com a possibilidade de confirmação das tarifas, o governo brasileiro ainda aposta na negociação diplomática.
Integrantes da equipe econômica e do Itamaraty avaliam que a decisão final pode ampliar a lista de produtos isentos da sobretaxa, reduzindo os impactos para setores estratégicos das exportações brasileiras. O Brasil também monitora a atuação de empresas e entidades empresariais dos Estados Unidos que defendem a manutenção do comércio com fornecedores brasileiros e pressionam Washington por mais exceções.
Lei da Reciprocidade está no radar
Caso as novas tarifas sejam confirmadas, uma das alternativas estudadas pelo governo é a aplicação da Lei da Reciprocidade Comercial, que permite ao Brasil adotar medidas equivalentes contra países que imponham barreiras comerciais consideradas injustificadas.
Antes de qualquer decisão, porém, o governo pretende analisar detalhadamente o alcance das tarifas e manter espaço para novas negociações com as autoridades norte-americanas. A orientação, neste momento, é evitar uma reação imediata que possa ampliar as tensões comerciais entre os dois países.
Expectativa para quarta-feira
A decisão dos Estados Unidos é considerada decisiva para o futuro das relações comerciais entre os dois países. Além de definir quais produtos serão atingidos, o anúncio deverá indicar a data de entrada em vigor das novas tarifas e eventuais exceções.
A partir desse cenário, o governo brasileiro pretende definir sua estratégia, equilibrando a defesa dos interesses das exportações nacionais com a tentativa de preservar o diálogo diplomático com Washington.

