Ministro do STF atendeu a pedido da Polícia Federal, que apontou risco de fuga de Thiago Miranda, investigado por suspeita de coordenar campanha contra o Banco Central
O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) André Mendonça determinou a apreensão do passaporte do publicitário Thiago Miranda, investigado pela Polícia Federal no inquérito que apura supostas irregularidades envolvendo o empresário Daniel Vorcaro, controlador do extinto Banco Master.
A decisão também proíbe Thiago Miranda de deixar o país e atende a um pedido da Polícia Federal, que apontou a existência de um “sério risco” de fuga do investigado. Segundo a corporação, ele tinha uma viagem marcada para os Estados Unidos na próxima segunda-feira (13), o que reforçou a necessidade da medida cautelar.
PF aponta risco de fuga
De acordo com a investigação, além da viagem internacional já programada, outros fatores levaram a PF a solicitar a apreensão do passaporte.
Entre eles estão a troca frequente de aparelhos celulares, o encerramento das atividades da agência de comunicação ligada ao publicitário e o cancelamento de uma viagem ao Rio de Janeiro na véspera da operação de busca e apreensão realizada nesta semana. A Polícia Federal considera que esses elementos indicam risco concreto de evasão durante o andamento das investigações.
Investigação envolve campanha contra o Banco Central
Thiago Miranda é investigado por suspeita de coordenar uma rede de influenciadores digitais contratada para divulgar conteúdos destinados a desgastar a imagem do Banco Central durante a crise envolvendo o Banco Master.
Segundo a Polícia Federal, a estratégia teria sido articulada em benefício de Daniel Vorcaro e incluía a produção de conteúdos nas redes sociais para questionar a atuação da autoridade monetária após a liquidação extrajudicial da instituição financeira. As investigações também apuram possíveis ações de pressão contra jornalistas que acompanhavam o caso.
Defesa nega irregularidades
Em nota, a defesa de Thiago Miranda afirmou que o publicitário sempre colaborou com as investigações e permanece à disposição das autoridades para prestar os esclarecimentos necessários.
Os advogados também criticaram o que classificaram como “vazamentos seletivos” de informações do inquérito e negaram qualquer prática ilegal por parte do investigado.
Caso segue sob sigilo
A investigação relacionada ao Banco Master tramita sob sigilo no Supremo Tribunal Federal. Thiago Miranda não foi condenado, e a decisão do ministro André Mendonça tem caráter cautelar, com o objetivo de preservar o andamento das apurações enquanto o inquérito prossegue.

