A Universidade de São Paulo (USP) recebeu 247 estudantes do Ceará entre 2022 e 2026, segundo dados da própria instituição. Os cearenses representam 3,4% dos 7.126 alunos de outros estados matriculados no período. A expectativa é que essa presença aumente com uma novidade no vestibular: pela primeira vez, a Fuvest terá aplicação de provas em Fortaleza.
O interesse dos estudantes cearenses já aparece no número de inscritos. De acordo com o diretor-executivo da Fuvest, Gustavo Mônaco, cerca de 700 candidatos estão inscritos para fazer o Vestibular 2027 na Capital. No ano passado, quando era necessário viajar para realizar as provas, apenas 90 candidatos do Ceará haviam se inscrito.
A mudança reduz uma das principais barreiras para quem pretende disputar uma vaga na USP: o custo de deslocamento para São Paulo apenas para participar da seleção.
Cearenses representam 3,4% dos alunos de outros estados
Entre 2022 e 2026, a USP registrou 49.599 matrículas. Desse total, 85,6% foram preenchidas por estudantes de São Paulo. Entre os alunos provenientes de outros estados, 247 vieram do Ceará.
A presença majoritária de paulistas está relacionada também ao modelo de ingresso da universidade, que é estadual e mantém processo seletivo próprio, organizado pela Fundação Universitária para o Vestibular (Fuvest).
Até 2022, era possível disputar vagas da USP por meio do Sistema de Seleção Unificada (Sisu). Posteriormente, a instituição criou o Enem-USP, seleção própria que utiliza a nota do Exame Nacional do Ensino Médio e também é administrada pela Fuvest.
Vestibular da USP chega a Fortaleza
A aplicação da Fuvest em Fortaleza pode provocar uma mudança significativa nesse cenário. A possibilidade de realizar a prova sem sair do Ceará facilita a participação de estudantes que antes precisavam arcar com passagens, hospedagem e outros custos para disputar uma vaga.
O salto no número de interessados já indica o impacto: os cerca de 700 inscritos para a seleção representam quase oito vezes o contingente registrado no Ceará no vestibular anterior.
Além de Fortaleza, a expansão da aplicação das provas faz parte da estratégia da universidade de ampliar a presença de estudantes de outras regiões do País.
Da escola pública do Ceará para a USP
Entre os cearenses que decidiram estudar em São Paulo está Robson Wesley de Sousa Pereira, de 30 anos. Ele concluiu o ensino médio na Escola Adauto Bezerra, da rede pública estadual, e chegou a iniciar Administração na Universidade Federal do Ceará (UFC).
A possibilidade de intercâmbio e a proximidade com grandes empresas pesaram na decisão de mudar de estado e cursar a graduação na USP.
Durante a universidade, Robson teve acesso a bolsas e programas de apoio que ajudaram na permanência em São Paulo. Uma bolsa por mérito acadêmico também permitiu que ele realizasse um intercâmbio em Lisboa, experiência que já estava entre seus objetivos.
USP era “plano B” e virou escolha definitiva
André Barros, de 21 anos, também saiu de Fortaleza para estudar na USP. Natural do Piauí, ele viveu na capital cearense desde o ensino fundamental e atualmente está no oitavo semestre de Direito na Faculdade de Direito do Largo de São Francisco.
Inicialmente, entrar na USP não era seu principal objetivo. Durante a preparação para outros vestibulares, porém, André utilizava questões da Fuvest e da Unicamp para aprofundar conteúdos nos quais apresentava maior dificuldade.
A aprovação mudou seus planos. O prestígio da universidade e do curso de Direito pesou na decisão de se mudar para São Paulo.
Distância também exige adaptação
Para os estudantes, a aprovação é apenas uma das etapas. Mudar de estado significa enfrentar custos, distância da família e a necessidade de construir uma nova rede de apoio.
Robson e André relatam que chegaram sozinhos a São Paulo, mas encontraram na própria comunidade universitária estudantes que viviam situações semelhantes. O contato com alunos de diferentes regiões do Brasil ajudou no processo de adaptação.
Para Robson, bolsas e outros mecanismos de assistência também foram fundamentais para garantir sua permanência na universidade.
Prova em Fortaleza pode abrir caminho para mais estudantes
Os dois estudantes avaliam que a chegada da Fuvest a Fortaleza pode fazer com que mais jovens do Ceará passem a considerar a USP entre suas possibilidades de graduação.
Além de eliminar a necessidade de viajar para São Paulo apenas para prestar o vestibular, a realização da prova na Capital aproxima uma das principais universidades públicas do País dos estudantes cearenses.
Os números iniciais mostram o tamanho dessa demanda: depois de receber 247 alunos do Ceará entre 2022 e 2026, a USP já tem cerca de 700 candidatos inscritos para disputar o Vestibular 2027 a partir de Fortaleza.

