O lutador de jiu-jítsu Lucas Portela Fontana Gomes, de 32 anos, foi preso após uma sequência de agressões e ameaças contra moradoras de um condomínio na Zona Norte do Rio de Janeiro. O caso ocorreu na madrugada de quinta-feira (5), em um prédio na Avenida Maracanã, e é investigado pela Polícia Civil como tentativa de feminicídio, ameaça e violação de domicílio.
Imagens das câmeras de segurança registraram parte das agressões. Em uma delas, uma mulher é atacada dentro de um elevador com socos, chutes e golpes de estrangulamento.
Segundo a investigação, Lucas também invadiu apartamentos e ameaçou outros moradores durante a madrugada.
Preso na sexta-feira (6), ele afirmou à polícia não se lembrar do que ocorreu e declarou fazer uso de anabolizantes. Os investigadores apuram se havia consumido outras substâncias antes dos ataques.
Até o momento, porém, não há conclusão de que o uso de anabolizantes tenha relação direta com as agressões.
Confusão começou durante a madrugada
De acordo com a Polícia Civil, a sequência começou dentro do próprio apartamento de Lucas.
Moradores acionaram a Polícia Militar e a Guarda Municipal após ouvirem gritos, ameaças e uma movimentação incomum no condomínio.
Em seguida, o lutador teria passado a circular pelo prédio e entrar em outras unidades.
A polícia afirma que, durante a confusão, ele ameaçou matar moradores.
Uma das vizinhas conseguiu deixar o apartamento com familiares e fugir pelas escadas.
Mulher foi agredida dentro de apartamento
Lucas é acusado ainda de invadir outra residência e agredir uma moradora.
Segundo a Polícia Civil, a mulher precisou ser hospitalizada e permaneceu internada após o episódio.
Enquanto a agressão ocorria, outra moradora ouviu os gritos e decidiu sair para prestar socorro.
Foi nesse momento que encontrou Lucas próximo ao elevador.
Câmera registrou agressões no elevador
As imagens do sistema interno do condomínio mostram o homem atacando a vizinha repetidamente.
A mulher é atingida por socos e chutes e tenta se proteger durante a agressão.
Lucas também aplica um golpe de estrangulamento.
O vídeo mostra a vítima sendo derrubada e continuando a receber golpes enquanto está no chão.
As gravações passaram a integrar o inquérito e são consideradas uma das principais provas do caso.
A mulher conseguiu posteriormente deixar o local e recebeu atendimento médico.
Lutador diz não se lembrar do episódio
Em depoimento, Lucas afirmou que não se recordava das agressões.
Ele declarou aos investigadores que fazia uso de anabolizantes.
A polícia também apura a possibilidade de consumo de outras substâncias antes da sequência de violência.
Até agora, não foi divulgado resultado de exame toxicológico que permita afirmar se o homem estava sob efeito de alguma droga durante os ataques.
A eventual presença dessas substâncias e sua possível relevância para o caso ainda dependem de perícia.
Uso de anabolizantes não explica automaticamente agressão
A informação sobre o uso de anabolizantes passou a integrar a investigação, mas não permite estabelecer, isoladamente, uma relação de causa e efeito com o comportamento registrado nas câmeras.
Determinados esteroides anabolizantes podem provocar efeitos físicos e psicológicos, principalmente quando utilizados sem acompanhamento médico ou em doses elevadas.
Isso não significa, porém, que uma pessoa que utiliza essas substâncias necessariamente apresente comportamento agressivo.
No caso investigado, será necessário avaliar exames, depoimentos e o histórico do suspeito para determinar se alguma substância teve influência sobre seu estado naquele momento.
Redes sociais mostravam rotina de treinos
Lucas mantinha publicações nas redes sociais relacionadas à prática de artes marciais e atividades físicas.
Fotos e vídeos mostravam treinos de jiu-jítsu.
Esse aspecto ganhou destaque após a divulgação das imagens das agressões porque alguns dos movimentos utilizados durante o ataque são semelhantes a técnicas praticadas em modalidades de luta.
O conhecimento de artes marciais, porém, não constitui por si só elemento criminal. A relevância para o inquérito está na forma como determinadas técnicas teriam sido utilizadas contra as vítimas.
Homem já possuía anotação criminal
Segundo informações levantadas durante a investigação, Lucas também possuía uma anotação criminal anterior relacionada ao abandono do local de um acidente de trânsito.
A existência desse registro não equivale necessariamente a uma condenação definitiva.
O dado passou a ser analisado pela polícia junto com os demais elementos reunidos sobre o histórico do investigado.
Polícia precisou intervir
Policiais militares e guardas municipais foram chamados ao prédio durante a madrugada.
Lucas também teria resistido à abordagem.
Após o episódio e a análise das imagens, policiais civis da 18ª DP, da Praça da Bandeira, iniciaram diligências para ouvir vítimas e testemunhas.
Com as provas reunidas, a autoridade policial pediu à Justiça a prisão do investigado.
A medida foi autorizada, e ele foi localizado e preso na manhã de sexta-feira na Avenida Maracanã.
Investigação trata caso como tentativa de feminicídio
Entre os crimes atribuídos inicialmente ao lutador está a tentativa de feminicídio.
A Polícia Civil também investiga ameaças e invasões de domicílio ocorridas durante a sequência.
O enquadramento jurídico ainda poderá ser alterado conforme o avanço do inquérito e a análise do Ministério Público.
A prisão é uma medida cautelar e não representa condenação definitiva.
Vítimas serão ouvidas novamente
A investigação segue em andamento para esclarecer toda a dinâmica dos ataques.
Os policiais deverão confrontar as imagens das câmeras com depoimentos de moradores, agentes que atenderam à ocorrência e laudos das vítimas.
Também será analisado o comportamento de Lucas antes das agressões e se havia algum histórico de conflitos no condomínio.
Entre os pontos que ainda precisam ser esclarecidos estão o que desencadeou a sequência de violência, se houve consumo de drogas ou outras substâncias e quantas pessoas foram ameaçadas durante o episódio.
Imagens são peça central do inquérito
A existência das gravações permitiu à polícia reconstruir parte da sequência de forma objetiva.
Os vídeos mostram uma vítima sendo atacada repetidamente mesmo quando já estava no chão e apresentava pouca capacidade de reação.
As imagens também ajudam a dimensionar a violência empregada e deverão ser confrontadas com os laudos médicos.
A investigação está sob responsabilidade da 18ª DP.
Lucas permanece preso enquanto a Polícia Civil reúne novos elementos para concluir o inquérito.

