A Binance, maior corretora de criptomoedas do mundo, afirmou que os investimentos de clientes brasileiros estão seguros após sofrer um ataque hacker com impacto estimado em US$ 6,3 bilhões. O episódio, registrado entre quinta-feira (29) e esta sexta-feira (30), é considerado o maior roubo de criptomoedas já conhecido.
Segundo a empresa, os recursos dos usuários não serão utilizados para absorver as perdas. A Binance informou que pretende cobrir integralmente o prejuízo com dinheiro próprio e com o SAFU, fundo de emergência criado justamente para proteger clientes em situações excepcionais.
A companhia também afirmou que não encontrou, até agora, evidências de vazamento das chaves privadas das carteiras de usuários.
Cerca de US$ 3 bilhões dos ativos movimentados pelos invasores já foram congelados com apoio de empresas do setor de criptomoedas e emissores de stablecoins.
Enquanto a investigação continua, os saques permanecem temporariamente suspensos. Os depósitos, que chegaram a ser afetados durante as primeiras medidas de segurança, já voltaram a funcionar normalmente.
Valor estimado do ataque: US$ 6,3 bilhões
Recursos já congelados: cerca de US$ 3 bilhões
Fundos dos clientes: Binance afirma que estão protegidos
Quem arcará com as perdas: fundo SAFU e recursos da própria empresa
Saques: temporariamente suspensos
Depósitos: funcionamento normalizado
Ataque pode ser o maior roubo de criptomoedas da história
O montante envolvido coloca o episódio muito acima de outros ataques que já haviam chamado atenção no mercado de ativos digitais.
Até então, um dos maiores casos havia sido o ataque à Bybit, em fevereiro de 2025, com aproximadamente US$ 1,5 bilhão em criptomoedas roubadas.
O incidente da Binance pode superar esse valor em mais de quatro vezes.
Analistas de blockchain estimam que grande parte das transferências não autorizadas aconteceu em um intervalo de aproximadamente 20 minutos.
Os invasores conseguiram movimentar diferentes tipos de criptomoedas para carteiras sob seu controle antes que parte das operações fosse interrompida.
Como os hackers conseguiram entrar?
A investigação ainda está em andamento.
A primeira hipótese divulgada pela Binance apontava para o comprometimento do notebook de um engenheiro de DevOps da empresa.
A partir desse computador, os invasores teriam conseguido acessar um contêiner de serviços e enviar solicitações de saque não autorizadas.
Posteriormente, a investigação identificou sinais de que o ataque pode ter envolvido outros pontos da infraestrutura.
Por isso, a própria Binance ressalta que a explicação inicial ainda é preliminar.
A companhia prometeu divulgar um relatório técnico completo quando a investigação estiver concluída.
A hipótese inicial é de que um computador corporativo comprometido tenha servido como porta de entrada.
A Binance, porém, já identificou que o ataque pode ter sido mais complexo e ainda investiga toda a cadeia de invasão.
Chaves privadas não teriam sido vazadas
Uma das principais preocupações em ataques contra corretoras de criptomoedas envolve o vazamento das chamadas chaves privadas.
Elas funcionam como uma espécie de credencial criptográfica que permite controlar e movimentar ativos de uma determinada carteira.
Segundo a Binance, não foram encontradas evidências de que essas chaves tenham sido expostas.
A informação é importante porque um comprometimento generalizado das chaves poderia ampliar significativamente o alcance do ataque e dificultar a contenção.
E o dinheiro dos brasileiros?
A Binance afirma que os fundos dos usuários brasileiros permanecem seguros.
A empresa não informou que contas individuais de clientes tenham sido invadidas ou esvaziadas.
O valor de US$ 6,3 bilhões está relacionado aos ativos atingidos dentro da infraestrutura operacional da corretora.
Segundo a Binance, qualquer prejuízo que permaneça depois das tentativas de recuperação será assumido pela própria companhia.
Ou seja, a empresa afirma que não pretende repassar o impacto financeiro aos clientes.
Para quem possui criptomoedas na Binance, a empresa afirma:
• os saldos dos clientes permanecem protegidos;
• não há evidência de invasão generalizada de contas individuais;
• o prejuízo será coberto pela companhia;
• um novo relatório de reservas será publicado após a conclusão das medidas de segurança.
Fundo SAFU será usado para cobrir perdas
Parte dos recursos necessários virá do Secure Asset Fund for Users, conhecido pela sigla SAFU.
O fundo foi criado pela Binance em 2018 para funcionar como uma reserva de emergência em situações como ataques cibernéticos.
A companhia direciona recursos para esse mecanismo justamente para ter capacidade de indenizar usuários em episódios extraordinários.
No ataque atual, entretanto, o tamanho das perdas potenciais é muito superior ao valor tradicionalmente mantido no fundo.
Por isso, a Binance afirmou que também utilizará recursos próprios da empresa para garantir a cobertura integral.
Cerca de US$ 3 bilhões já foram congelados
Nem todo o dinheiro movimentado pelos hackers pode ser considerado definitivamente perdido.
A Binance começou imediatamente a trabalhar com empresas de análise de blockchain, outras plataformas e emissores de moedas digitais para identificar e bloquear os ativos.
Até esta sexta-feira, cerca de US$ 3 bilhões já haviam sido congelados diretamente nas redes blockchain.
Esse valor poderá aumentar conforme o rastreamento das transferências avançar.
Parte importante do bloqueio foi possível porque os criminosos movimentaram stablecoins.
Tether e Circle congelaram bilhões
Stablecoins são criptomoedas criadas para manter valor próximo ao de moedas tradicionais, principalmente o dólar.
Diferentemente do bitcoin, algumas delas podem ser congeladas diretamente pelas empresas emissoras.
Foi o que aconteceu depois do ataque.
A Tether congelou mais de US$ 1,5 bilhão em USDT ligados às carteiras investigadas.
A Circle bloqueou cerca de US$ 800 milhões em USDC.
Outras empresas também participaram das ações para impedir que os hackers movimentassem os ativos.
O bloqueio de stablecoins é uma das razões pelas quais quase metade do valor envolvido no ataque já foi congelada.
Bitcoin e ether, por outro lado, não possuem uma empresa central capaz de simplesmente bloquear moedas diretamente na rede.
Saques seguem suspensos
Como medida de segurança, a Binance suspendeu temporariamente os saques.
A empresa está revisando o sistema de retirada e os endereços utilizados nas operações antes de voltar a liberar a movimentação normalmente.
A estimativa divulgada pela companhia é de que o serviço seja retomado após a conclusão das verificações, com expectativa inicial de normalização em até aproximadamente 48 horas.
Os depósitos já voltaram a operar normalmente.
A suspensão dos saques não significa que os clientes tenham perdido acesso aos saldos existentes na conta.
Trata-se, segundo a Binance, de uma medida temporária para impedir novas movimentações indevidas enquanto a infraestrutura é revisada.
Brasileiros acabaram de migrar para nova estrutura da Binance
O ataque acontece justamente no momento em que a Binance concluiu uma grande mudança na operação brasileira.
Desde 29 de outubro, usuários residentes no Brasil passaram a ter uma conta de pagamento individualizada vinculada à Binance Brasil Corretora de Câmbio e Valores Mobiliários S.A.
Os serviços de ativos virtuais autorizados pela regulamentação brasileira passaram a ser prestados por outra empresa do próprio grupo, a BBrasil Sociedade Prestadora de Serviços de Ativos Virtuais.
A alteração ocorreu para adequar a companhia às novas regras do Banco Central.
Desde 29 de outubro
Clientes residentes no Brasil passaram a operar por meio de estruturas locais do Grupo Binance.
A mudança foi feita para adaptação à regulamentação brasileira e não decorreu do ataque hacker.
A Binance ressalta que os ativos e históricos dos clientes continuam disponíveis depois da migração.
Hackers ligados à Coreia do Norte são investigados
Ainda não existe confirmação oficial sobre quem realizou o ataque.
Empresas especializadas em rastreamento de blockchain, porém, identificaram características semelhantes às de operações anteriores atribuídas a hackers ligados à Coreia do Norte.
A TRM Labs e a Chainalysis apontaram similaridades com ataques associados ao grupo conhecido como TraderTraitor.
Esse mesmo grupo já foi relacionado pelo FBI a grandes roubos de criptomoedas.
A Binance, entretanto, afirma que ainda não identificou oficialmente os autores e que qualquer atribuição neste momento é preliminar.
FBI e Serviço Secreto participam da investigação
Autoridades norte-americanas também entraram no caso.
FBI e Serviço Secreto dos Estados Unidos estão colaborando com a Binance e empresas especializadas em blockchain para rastrear os recursos.
O trabalho envolve analisar milhares de transferências entre carteiras digitais e identificar tentativas de conversão ou ocultação dos valores.
No universo das criptomoedas, as movimentações ficam registradas publicamente na blockchain.
Isso permite acompanhar o caminho dos ativos, embora descobrir quem controla cada carteira seja uma tarefa muito mais complexa.
Maior parte do dinheiro saiu em cerca de 20 minutos
O ataque chamou atenção não apenas pelo valor, mas pela velocidade.
Segundo análises do setor, bilhões de dólares foram movimentados em questão de minutos.
As transações apresentaram padrões automatizados e envolveram diferentes redes blockchain.
A rapidez sugere uma operação cuidadosamente preparada antes de sua execução.
Quando a Binance e empresas parceiras começaram a reagir, parte importante dos recursos já havia sido distribuída entre diferentes carteiras.
Mercado de criptomoedas reagiu com queda
A notícia também atingiu os preços dos principais ativos digitais.
Bitcoin, ether e BNB — criptomoeda ligada ao ecossistema da Binance — registraram queda depois que o incidente se tornou público.
O bitcoin chegou a atingir o menor valor das últimas semanas.
O movimento refletiu principalmente a preocupação dos investidores com a segurança das corretoras centralizadas.
Essas empresas funcionam como intermediárias e mantêm grandes volumes de ativos sob custódia, tornando-se alvos particularmente atraentes para hackers.
Ataque reacende debate sobre deixar criptomoedas em corretoras
O episódio também reabriu uma discussão antiga no mercado: a diferença entre manter criptomoedas em uma corretora ou transferi-las para uma carteira própria.
Quando o investidor deixa os ativos na Binance ou em outra exchange, a empresa controla a infraestrutura que guarda e movimenta essas moedas.
Em uma carteira de autocustódia, por outro lado, o próprio usuário controla as chaves privadas.
Essa autonomia também implica responsabilidade maior: perder a chave privada pode significar perder definitivamente o acesso aos ativos.
Nenhum dos modelos elimina completamente os riscos.
Atenção para golpes após o ataque
Especialistas alertam que grandes incidentes cibernéticos costumam gerar uma segunda onda de problemas: golpes contra os próprios clientes.
Criminosos podem enviar e-mails, mensagens de WhatsApp, SMS ou mensagens privadas fingindo representar a Binance.
Alguns podem prometer desbloquear saques, recuperar fundos ou realizar suposta “verificação de segurança”.
Não forneça:
• senha da conta;
• código de autenticação em dois fatores;
• frase-semente de carteira;
• chave privada;
• código recebido por SMS ou e-mail.
A Binance orienta os usuários a consultar apenas os canais oficiais da empresa.
Também é recomendável desconfiar de mensagens que criem senso de urgência ou peçam a transferência dos ativos para uma suposta “carteira segura”.
Binance promete publicar nova prova de reservas
Depois que a infraestrutura estiver totalmente normalizada, a empresa afirma que divulgará uma nova Proof of Reserves, ou prova de reservas.
Esse mecanismo busca demonstrar publicamente que a corretora possui ativos suficientes para respaldar os saldos mantidos pelos clientes.
A divulgação ganhou importância após o ataque porque permitirá acompanhar o impacto das perdas sobre as reservas da companhia.
Quanto realmente foi perdido ainda não se sabe
Embora o ataque tenha movimentado cerca de US$ 6,3 bilhões, esse valor não representa necessariamente a perda final.
Quase metade dos ativos já foi congelada.
Outros valores ainda podem ser identificados e recuperados pelas autoridades ou pelas empresas envolvidas.
Somente depois do encerramento do rastreamento será possível saber quanto efetivamente ficou sob controle dos criminosos.
A Binance insiste que, independentemente desse valor final, os usuários não deverão arcar com o prejuízo.
O que o cliente brasileiro deve fazer agora?
Para quem possui investimentos na Binance, a principal orientação neste momento é acompanhar o funcionamento da plataforma pelos canais oficiais.
Não há indicação da empresa para que clientes realizem qualquer ação emergencial relacionada aos seus saldos.
Os saques permanecem temporariamente interrompidos enquanto a revisão de segurança continua.
A prioridade deve ser evitar golpes que aproveitem a repercussão do ataque.
Para usuários brasileiros:
1. Não clique em links enviados por desconhecidos.
2. Não informe senhas ou códigos de segurança.
3. Confira avisos diretamente no aplicativo ou site oficial.
4. Ative autenticação em dois fatores.
5. Aguarde a normalização dos saques.
6. Desconfie de qualquer pessoa que prometa recuperar ou desbloquear seus investimentos.
Investigação ainda está no início
O ataque representa um dos maiores desafios de segurança enfrentados pela Binance desde sua criação.
A companhia ainda tenta descobrir exatamente como os invasores conseguiram ultrapassar os sistemas internos, qual foi a extensão total da invasão e quem está por trás da operação.
O relatório definitivo ainda não foi publicado.
Por enquanto, três pontos estão claros: o incidente envolveu aproximadamente US$ 6,3 bilhões, cerca de US$ 3 bilhões já foram congelados, e a Binance afirma que os clientes — inclusive brasileiros — não terão de absorver as perdas provocadas pelo ataque.

