O empresário Victor Henrique de Oliveira Shimada, alvo de sanções aplicadas pelo governo dos Estados Unidos por suspeita de envolvimento com lavagem de dinheiro ligada ao Primeiro Comando da Capital (PCC), também é investigado no Brasil por conexões com o caso do patrocínio da VaideBet ao Corinthians e por movimentações financeiras envolvendo o influenciador digital Buzeira.
Segundo o Departamento do Tesouro dos EUA, Shimada seria um dos responsáveis por uma estrutura usada para movimentar recursos do PCC por meio de empresas e operações com criptomoedas. As autoridades americanas afirmam que ele atuava como elo entre integrantes da facção nos Estados Unidos e traficantes internacionais, lavando mais de US$ 30 milhões.
No Brasil, Shimada já é investigado pela Polícia Civil de São Paulo no inquérito que apura supostas irregularidades no contrato de patrocínio firmado entre o Corinthians e a casa de apostas VaideBet. As investigações apontam que empresas ligadas ao empresário teriam recebido recursos da intermediação do contrato e realizado transferências consideradas suspeitas.
A apuração também identificou movimentações financeiras envolvendo empresas associadas ao influenciador Buzeira. De acordo com o relatório policial, a empresa Buzeira Digital recebeu transferências da Victory Trading, companhia registrada em nome de Shimada e também incluída na lista de sanções dos Estados Unidos. Além disso, outras empresas citadas na investigação aparecem ligadas ao fluxo de recursos analisado pela polícia.
Os investigadores afirmam que parte do dinheiro relacionado ao contrato de patrocínio teria passado por empresas de fachada antes de chegar a pessoas e companhias investigadas. A Polícia Civil também apura a suspeita de que uma parcela dos valores tenha sido destinada a integrantes do PCC, hipótese que ainda está sob investigação.
As sanções impostas pelos Estados Unidos determinam o bloqueio de eventuais bens dos investigados sob jurisdição americana e proíbem cidadãos e empresas do país de realizar negócios com eles. As medidas são de natureza administrativa e não representam condenação criminal.
Em nota, a defesa de Victor Shimada afirmou que tomou conhecimento das sanções pela imprensa, negou qualquer vínculo com organizações criminosas e declarou que ainda não teve acesso aos documentos utilizados pelas autoridades norte-americanas para fundamentar a decisão.

