O primeiro-ministro do Reino Unido, Keir Starmer, anunciou nesta segunda-feira (15) que o país vai proibir o acesso de menores de 16 anos às redes sociais. A medida deve entrar em vigor em 2027 e dependerá da aprovação de uma nova legislação pelo Parlamento britânico.
Segundo Starmer, o objetivo é reduzir os impactos negativos que as plataformas digitais têm causado na saúde mental e no bem-estar de crianças e adolescentes.
“As redes sociais deixam as crianças infelizes. Facilitam o assédio e os abusos”, afirmou o primeiro-ministro durante entrevista coletiva.
O governo pretende aprovar a lei ainda este ano, antes do recesso parlamentar de dezembro. A expectativa é que as novas regras passem a valer no início de 2027, durante a primavera do hemisfério norte.
Governo cita proteção à saúde mental
A proposta faz parte de um conjunto de iniciativas voltadas à proteção da infância no ambiente digital. Nos últimos anos, aumentaram as preocupações sobre os efeitos do uso excessivo das redes sociais entre adolescentes, incluindo casos relacionados a ansiedade, depressão, cyberbullying e exposição a conteúdos inadequados.
Para o governo britânico, limitar o acesso de menores às plataformas é uma forma de reduzir esses riscos e fortalecer a segurança digital de crianças e jovens.
YouTube critica decisão
O anúncio provocou reação imediata do YouTube, que alertou para possíveis consequências da medida.
Em nota enviada à agência AFP, a plataforma afirmou que a proibição pode acabar empurrando crianças e adolescentes para ambientes menos seguros e sem mecanismos adequados de proteção.
“A proibição das redes sociais corre o risco de empurrar as crianças para serviços anônimos e menos seguros”, declarou um porta-voz da empresa.
A plataforma destacou ainda que investe há mais de uma década em experiências adaptadas por faixa etária, além de recursos de supervisão parental e sistemas de proteção específicos para adolescentes.
Tendência internacional
O Reino Unido não é o primeiro país a adotar medidas restritivas para o uso de redes sociais por menores de idade.
A Austrália foi pioneira ao aprovar legislação semelhante. A Indonésia também implementou restrições ao acesso de jovens às plataformas digitais.
Outros países estudam seguir o mesmo caminho. No Canadá, o governo já sinalizou a intenção de criar regras semelhantes. Na França, o Parlamento analisa um projeto que prevê restrições para menores de 15 anos.
O debate sobre o uso de redes sociais por crianças e adolescentes tem ganhado força em diversos países, impulsionado por estudos que apontam impactos do ambiente digital na saúde mental e no desenvolvimento dos jovens. A discussão agora envolve o desafio de equilibrar proteção, liberdade de acesso à informação e segurança online.

