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    Caso Isabelle Caracristi: o que se sabe até agora sobre a morte da estudante em Fortaleza

    By Agência Cearensesetembro 21, 2026 Segurança
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    Uma semana após a morte da estudante de Direito Isabelle Caracristi, de 22 anos, encontrada na área externa de um condomínio no bairro Aldeota, em Fortaleza, a Polícia Civil do Ceará ainda trabalha para esclarecer como a jovem morreu.

    As investigações já permitiram estabelecer parte da cronologia daquela noite. Imagens de câmeras mostram Isabelle entrando no prédio, o namorado deixando o condomínio antes da morte e a estudante seguindo sozinha para o rooftop do edifício. A Perícia Forense do Estado do Ceará (Pefoce) concluiu que a causa da morte foi politraumatismo e identificou lesões compatíveis com impacto contra o solo. O exame toxicológico não detectou substâncias de interesse.

    O que permanece sem explicação é justamente o ponto central do caso: o que aconteceu entre o momento em que Isabelle foi vista sozinha no elevador, por volta das 19h11, e a queda registrada cerca de uma hora e meia depois, às 20h40.

    A Polícia Civil analisa imagens, celulares e outros vestígios, realiza novos exames periciais e pretende ouvir pelo menos oito pessoas. Quatro depoimentos já haviam sido colhidos até este fim de semana.

    Na noite de domingo (20), a investigação avançou para uma nova etapa. A Polícia informou que procurava o namorado de Isabelle, João Munhoz Neto, que não havia sido localizado durante diligências. A mãe dele foi encontrada no Cumbuco, em Caucaia, onde os policiais cumpriram mandado de busca e apreensão e recolheram um telefone celular e um tablet. Até então, as autoridades não haviam informado se João era considerado suspeito nem esclarecido a natureza da medida que pretendiam cumprir em relação a ele.

    Isabelle foi encontrada morta na noite de 13 de setembro

    Isabelle morreu no domingo, 13 de setembro, no Residencial La Piazza, na Aldeota.

    Moradores da região relataram ter ouvido, por volta das 20h40, um forte barulho semelhante ao impacto de algo contra o chão. O corpo da estudante foi encontrado na área externa do edifício.

    Uma moradora de um prédio vizinho contou ao Diário do Nordeste que inicialmente acreditou ter ocorrido uma colisão de trânsito devido à intensidade do som. Somente mais tarde percebeu a presença de equipes responsáveis pela remoção do corpo.

    A Pefoce foi acionada ainda naquela noite. Posteriormente, o laudo cadavérico indicou que Isabelle morreu em consequência de politraumatismo, com ferimentos compatíveis com uma queda e impacto contra o solo.

    Essa conclusão, porém, responde apenas à causa física da morte. Ela não estabelece, por si só, como a queda aconteceu.

    Até a conclusão das demais perícias e diligências, a Polícia não afirmou publicamente se a jovem caiu acidentalmente, se tirou a própria vida ou se houve participação de outra pessoa.

    Câmeras reconstituem as últimas horas de Isabelle

    Imagens do sistema de monitoramento do condomínio ajudam a montar parte da sequência dos acontecimentos no dia da morte.

    Pouco antes das 18h, Isabelle é vista entrando pela portaria principal do Residencial La Piazza carregando uma bolsa e uma mala de mão.

    Cerca de um minuto depois, ela encontra o namorado e os dois seguem juntos pelo elevador em direção ao apartamento.

    Às 18h31, o namorado aparece novamente nas imagens, já com outra roupa. Ele entra sozinho no elevador, dirige-se à portaria e deixa o condomínio.

    Segundo a apuração do Diário do Nordeste, a mãe dele também deixou o local. As imagens indicam que ambos estavam fora do edifício no momento em que Isabelle morreu.

    Isabelle sobe sozinha para o rooftop

    Às 19h11, Isabelle aparece novamente nas câmeras.

    As imagens mostram a estudante sozinha dentro do elevador, utilizando o celular e apertando o botão correspondente ao 23º andar, onde está localizado o rooftop do condomínio.

    Esse é um dos últimos registros conhecidos de Isabelle com vida.

    Por volta das 20h40, ocorre a queda e o impacto do corpo contra o solo.

    A investigação tenta agora esclarecer o que aconteceu durante o intervalo de aproximadamente uma hora e meia entre a entrada da jovem no elevador e sua morte.

    Namorado retornou cerca de duas horas depois

    As câmeras registram o retorno do namorado por volta das 22h48, aproximadamente duas horas depois da morte.

    Nas imagens divulgadas, ele aparece entrando pela área do estacionamento e conversando com pessoas que estavam no local. As forças de segurança já haviam chegado ao condomínio.

    A Polícia ainda não informou publicamente onde ele e a mãe estiveram durante o período em que ficaram fora do edifício.

    As imagens conhecidas até agora indicam que os dois não estavam no condomínio no instante da queda. Isso, entretanto, não encerra a investigação, que busca reconstruir também o que aconteceu nas horas anteriores e posteriores à morte.

    Não foram identificados sinais de luta no apartamento

    Outra informação apurada é que não havia sinais aparentes de luta corporal dentro do apartamento onde Isabelle estava antes de subir para o rooftop.

    A ausência desses sinais é um dos elementos analisados pela investigação, mas também não permite isoladamente estabelecer a dinâmica da morte.

    A Pefoce voltou ao condomínio neste domingo (20) para realizar uma nova perícia.

    Equipes fizeram exames complementares tanto nas áreas comuns quanto no apartamento e efetuaram novas coletas de vestígios para análise de DNA. Um drone também foi utilizado para produzir imagens do edifício e da área relacionada à queda.

    Por que uma nova perícia foi realizada?

    A realização de uma segunda etapa de exames tornou-se uma das questões levantadas em torno do caso.

    Segundo a Secretaria da Segurança Pública e Defesa Social (SSPDS), a nova diligência teve como objetivo complementar o trabalho pericial e produzir elementos que ajudem a esclarecer a dinâmica dos acontecimentos.

    Foram feitas novas coletas no apartamento e nos espaços compartilhados do condomínio, além do levantamento de imagens por drone.

    A conclusão desses exames ainda não foi divulgada.

    Exame toxicológico deu negativo

    Os exames laboratoriais realizados no corpo de Isabelle não detectaram substâncias de interesse toxicológico.

    O resultado é relevante porque permite aos investigadores avaliar se drogas, determinados medicamentos ou outras substâncias poderiam ter influenciado o estado da estudante antes da queda.

    A perícia ainda realiza exames complementares.

    Celular de Isabelle está com a Polícia

    Outro elemento considerado fundamental para a investigação é o telefone celular da estudante.

    O aparelho foi recuperado e está em poder das autoridades. A Polícia trabalha na análise do conteúdo, que poderá ajudar a reconstruir as últimas horas de vida da jovem.

    Entre os pontos que poderão ser verificados estão mensagens, chamadas e outras comunicações realizadas antes da morte.

    O telefone aparece inclusive nas últimas imagens de Isabelle: ela é vista segurando o aparelho dentro do elevador enquanto segue para o rooftop.

    Última mensagem para a mãe foi “Mãe, eu te amo”

    A professora Isorlanda Caracristi, mãe da estudante, afirmou que manteve contato com a filha naquela noite.

    Segundo seu relato, Isabelle havia passado parte do domingo com ela e se queixava de dores na região do pescoço.

    No fim da tarde, entretanto, a jovem saiu afirmando que encontraria o namorado e a família dele.

    Por volta das 19h, Isabelle teria enviado uma mensagem pedindo que a mãe verificasse um frango que havia deixado na air fryer. Pouco depois veio o último contato.

    A mensagem dizia: “Mãe, eu te amo.”

    Isorlanda respondeu que também amava a filha e lembrou que ela deveria tomar um relaxante muscular. Depois disso, não recebeu mais mensagens.

    A mãe afirmou que estranhou especialmente o fato de Isabelle não ter enviado o habitual “boa noite”.

    Família só soube da morte no dia seguinte

    Outro ponto que provoca questionamentos por parte da família é a forma como recebeu a notícia.

    Isorlanda afirma que ninguém do apartamento onde Isabelle morava entrou em contato com ela durante a noite de domingo para comunicar a morte.

    Na manhã seguinte, preocupada porque não conseguia falar com a filha, ela foi ao condomínio acompanhada de um familiar.

    Segundo o relato apresentado pela família, foi somente no local que soube, por meio da administração do prédio, que Isabelle havia morrido na noite anterior e que seu corpo havia sido levado para o Instituto Médico Legal.

    A mãe também afirmou que havia sido bloqueada pelo namorado da filha em canais de comunicação.

    Isabelle teria chegado ao IML sem documentos

    A advogada Patrícia Viana, que representa a família, afirmou que Isabelle foi encaminhada ao Instituto Médico Legal sem documentos de identificação.

    Segundo a defesa, a família também não havia sido informada sobre o destino do corpo.

    O irmão da estudante precisou realizar o reconhecimento posteriormente.

    Isabelle foi velada e sepultada na terça-feira (15), no Cemitério Parque da Paz.

    A família afirma que o namorado e os familiares dele não compareceram ao sepultamento nem entraram em contato para prestar condolências.

    Família relata relacionamento abusivo

    Paralelamente à investigação sobre a morte, familiares passaram a relatar episódios que consideravam sinais de um relacionamento abusivo.

    Isorlanda classificou o namorado como “controlador” e “obsessivo” e afirmou que já havia demonstrado preocupação à filha. Essas declarações são relatos da família e não constituem, por si só, conclusão da Polícia sobre qualquer responsabilidade pela morte.

    Patrícia Viana afirmou ainda que a família dispõe de elementos que, na avaliação da defesa, demonstram que Isabelle era submetida a monitoramento constante durante o relacionamento.

    Segundo a advogada, havia relatos de que a estudante precisava prestar contas de suas atividades e até de momentos cotidianos. A defesa pretende entregar essas informações à Polícia.

    Relacionamento teria começado no ambiente de estágio

    De acordo com Isorlanda, Isabelle conheceu o namorado no escritório onde realizava estágio.

    A mãe contou que a filha ficou entusiasmada quando começou a receber mais responsabilidades profissionais e disse que o homem, cerca de dez anos mais velho, passou a trabalhar diretamente com ela.

    Pouco tempo depois, os dois iniciaram um relacionamento.

    Isorlanda afirmou ter estranhado a velocidade com que a relação avançou. Em poucas semanas, Isabelle passou a permanecer com maior frequência no apartamento dele e a viajar com a família do namorado.

    A mãe também relatou episódios que a deixaram preocupada, entre eles uma consulta médica na qual o então namorado teria tentado acompanhar Isabelle até dentro do consultório.

    Em outro momento, segundo Isorlanda, a filha contou que ele teria sugerido usar o cartão dela e registrar uma empresa em seu nome.

    Essas declarações fazem parte do relato da família e deverão ser avaliadas no conjunto da investigação.

    Namorado passou a ser procurado pela Polícia

    No domingo (20), a SSPDS informou que a Polícia Civil realizou diligências para localizar João Munhoz Neto.

    Ele não foi encontrado.

    A Polícia, no entanto, não informou que João seja formalmente suspeito da morte de Isabelle e também não esclareceu se existe mandado de prisão contra ele.

    A razão exata pela qual os agentes tentam localizá-lo não foi detalhada.

    Até então, a informação oficial disponível era apenas de que novas diligências estavam sendo realizadas no âmbito do inquérito.

    Mãe do namorado foi localizada no Cumbuco

    Durante as diligências, a mãe de João foi localizada na região do Cumbuco, em Caucaia, na Região Metropolitana de Fortaleza.

    A Polícia cumpriu contra ela um mandado de busca e apreensão.

    Um telefone celular e um tablet foram recolhidos e serão submetidos a perícia.

    Ela também residia no apartamento onde Isabelle estava antes de morrer e, conforme as imagens, teria saído do prédio com o filho antes da queda.

    Oito pessoas devem prestar depoimento

    A Polícia Civil anunciou que pretende ouvir oito pessoas relacionadas ao caso.

    Até o domingo, quatro já haviam prestado depoimento, enquanto outras quatro oitivas estavam programadas.

    Os investigadores deverão confrontar as declarações das testemunhas com as imagens do condomínio, os dados extraídos dos celulares e os resultados das perícias.

    Não foram divulgados oficialmente os nomes de todas as pessoas chamadas a depor.

    Condomínio diz que entregou imagens à Polícia

    A administração do Residencial La Piazza também se manifestou.

    Em nota, afirmou que preservou as gravações do sistema de monitoramento e as entregou às autoridades assim que foram solicitadas.

    Parte dessas imagens foi posteriormente obtida pela imprensa e permitiu estabelecer os horários de entrada e saída de Isabelle e do namorado.

    O conjunto integral das gravações, entretanto, segue sendo analisado pela Polícia Civil.

    Protesto reuniu centenas de pessoas

    A repercussão do caso levou centenas de pessoas a se reunirem no domingo (20) em frente ao condomínio onde Isabelle morreu.

    Manifestantes carregaram cartazes e pediram esclarecimentos sobre a morte da jovem.

    A família não participou do ato. Segundo parentes, a decisão foi tomada porque todos ainda estavam profundamente abalados com o luto.

    Durante a manifestação, uma equipe da Pefoce também estava no condomínio realizando os novos exames periciais.

    Quem era Isabelle Caracristi

    Isabelle tinha 22 anos e estudava Direito.

    Segundo o irmão, Rafael Magalhães, ela sonhava desde criança em seguir uma carreira jurídica e chegou a dizer que queria tornar-se advogada criminalista ou juíza.

    A jovem demonstrava interesse especialmente pela defesa dos direitos de mulheres e crianças.

    A família a descreve como comunicativa, alegre e muito próxima da mãe e da avó.

    Isabelle também fazia estágio na área jurídica, experiência que considerava importante para a carreira que pretendia construir.

    O que já está confirmado

    Até agora, a investigação estabeleceu alguns pontos objetivos:

    Isabelle entrou no Residencial La Piazza pouco antes das 18h do dia 13 de setembro e esteve no apartamento onde vivia com o namorado e familiares dele.

    O namorado deixou o prédio por volta das 18h31. As imagens indicam que a mãe dele também estava fora do condomínio no momento da morte.

    Às 19h11, Isabelle foi registrada sozinha no elevador, segurando o celular e seguindo para o rooftop no 23º andar.

    Por volta das 20h40 ocorreu a queda.

    O namorado retornou aproximadamente às 22h48, quando equipes de segurança já estavam no condomínio.

    A perícia estabeleceu politraumatismo como causa da morte e encontrou lesões compatíveis com impacto contra o solo.

    O exame toxicológico não identificou substâncias de interesse.

    Não foram constatados sinais aparentes de luta no apartamento.

    O celular da estudante foi recuperado e está sob análise.

    A Pefoce realizou uma nova perícia no apartamento e nas áreas comuns, com coleta de vestígios, exames de DNA e uso de drone.

    A Polícia pretende ouvir oito pessoas e já havia tomado quatro depoimentos.

    A mãe do namorado teve celular e tablet apreendidos.

    O namorado é procurado para diligências policiais, mas, até a última informação oficial divulgada, não havia sido publicamente classificado pela Polícia como suspeito da morte.

    O que ainda falta esclarecer

    Apesar do avanço das investigações, as principais perguntas permanecem abertas.

    A Polícia ainda precisa determinar como Isabelle caiu do edifício e o que ocorreu entre as 19h11, quando ela aparece entrando no elevador em direção ao rooftop, e aproximadamente 20h40, horário do impacto.

    Também permanece sem resposta se havia alguma outra pessoa no apartamento ou nas proximidades do rooftop durante esse intervalo.

    Outro ponto é saber onde exatamente estavam o namorado e a mãe dele enquanto Isabelle permanecia no condomínio.

    Os investigadores deverão esclarecer ainda o conteúdo das últimas mensagens, ligações e demais registros encontrados no celular da estudante.

    A análise dos equipamentos apreendidos com a mãe do namorado também poderá apontar comunicações relevantes para a reconstrução da cronologia.

    A família cobra explicações sobre por que não foi avisada da morte na própria noite do domingo e por que Isabelle chegou ao IML sem documentos, segundo a advogada.

    Outra questão é compreender por que a Pefoce considerou necessário retornar ao condomínio uma semana depois para realizar novas coletas e exames e quais informações essa nova perícia poderá acrescentar.

    Por fim, os relatos apresentados pela mãe e pela defesa sobre suposto controle e monitoramento no relacionamento também deverão ser verificados pela investigação, inclusive por meio de mensagens e outros registros digitais.

    Polícia ainda não fechou nenhuma hipótese

    Embora diferentes hipóteses tenham circulado nas redes sociais, as autoridades não apresentaram uma conclusão definitiva para a morte.

    A SSPDS ressalta que somente após a conclusão das perícias, análise das imagens, exames dos equipamentos eletrônicos e coleta dos depoimentos será possível estabelecer a dinâmica dos acontecimentos.

    Por isso, ainda não é possível afirmar publicamente se houve acidente, suicídio ou crime.

    Da mesma forma, a procura pelo namorado não significa, até o momento, que a Polícia tenha atribuído a ele responsabilidade pela morte.

    O inquérito segue em andamento e deverá reunir os laudos periciais, depoimentos, imagens do condomínio, informações dos celulares e demais vestígios antes de apresentar uma conclusão sobre o que aconteceu com Isabelle Caracristi na noite de 13 de setembro.

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