Uma policial militar do Ceará e o marido dela foram detidos por suspeita de participação na morte do soldado Raphael Sampaio da Silva, encontrado carbonizado dentro de um veículo na Região Metropolitana de Fortaleza, na terça-feira (11). A principal linha de investigação da Polícia Civil aponta que o assassinato pode ter sido motivado por ciúmes e vingança relacionados a uma suposta traição.
A policial foi autuada em flagrante depois de prestar depoimento. Antes disso, ela havia sido localizada em uma área rural nas proximidades da BR-116, onde alegou ter sido mantida amarrada.
Segundo informações apuradas durante a investigação, a militar estaria no veículo com Raphael antes do crime e teria sido obrigada a presenciar a morte e a carbonização do colega. Essa versão, entretanto, continua sob investigação e ainda não foi confirmada pelas autoridades.
O marido da policial, apontado como possível mandante do homicídio, também foi preso e encaminhado ao Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP). Uma advogada que seria mãe dele também teria sido detida.
Policial disse que conseguiu escapar
Em depoimento, a policial relatou que teria sido amarrada com uma corda. Conforme a apuração, ela contou a um morador da região que conseguiu se soltar sozinha e, posteriormente, procurou abrigo na residência dele.
A corda que supostamente teria sido utilizada para imobilizá-la foi apreendida e encaminhada para análise da Perícia Forense do Estado do Ceará (Pefoce).
A Associação dos Profissionais da Segurança (APS) também compareceu ao DHPP para acompanhar o caso e prestar assistência jurídica à policial.
Os nomes da militar e do marido não foram divulgados porque ambos estão sendo investigados e permanecem, neste momento, na condição de suspeitos.
Suspeita é de crime motivado por ciúmes
Uma das principais linhas investigativas aponta para um possível crime motivado por ciúmes.
A Polícia Civil apura a informação de que Raphael estaria mantendo um relacionamento com a colega de farda. A partir dessa hipótese, o marido dela teria planejado o assassinato como vingança pela suposta traição.
A investigação deverá esclarecer tanto a eventual participação do marido quanto o papel desempenhado pela policial nos acontecimentos.
Imagens de câmeras de segurança já foram recolhidas e devem ser utilizadas pelos investigadores para tentar reconstruir os deslocamentos e acontecimentos anteriores ao homicídio.
Vítima foi encontrada algemada e com membros amputados
As circunstâncias em que o corpo de Raphael Sampaio da Silva foi localizado aumentaram a repercussão do caso.
Além de ter sido encontrado carbonizado dentro de um automóvel, o policial estava com as mãos algemadas e os membros amputados.
Equipes da Polícia Militar, Corpo de Bombeiros, Polícia Civil, DHPP e Pefoce foram mobilizadas para atender a ocorrência.
A Secretaria da Segurança Pública e Defesa Social (SSPDS) informou que somente após a conclusão do laudo pericial será possível determinar oficialmente a causa da morte. As diligências continuam para esclarecer a dinâmica do homicídio e identificar todos os envolvidos.
Marido da policial possui antecedentes
O homem apontado como possível mandante já possui antecedentes criminais.
Segundo a apuração, ele tem registro por participação em organização criminosa, relacionado a um esquema fraudulento que envolvia a criação de perfis falsos em aplicativo de transporte.
Agora, os investigadores trabalham para reunir elementos capazes de comprovar ou descartar a suspeita de que ele tenha planejado a morte do policial militar.
Ministério Público cria força-tarefa
Diante da gravidade e da complexidade do caso, o Ministério Público do Ceará (MPCE) decidiu criar uma força-tarefa para acompanhar as investigações.
Promotores passaram a acompanhar os depoimentos e as diligências realizadas no DHPP. Segundo o órgão, a medida busca garantir que a apuração seja conduzida de maneira independente, imparcial, rápida e rigorosa, especialmente porque o homicídio envolve integrantes das forças de segurança pública.
O governador Elmano de Freitas (PT) também se manifestou e determinou “rigor absoluto” nas investigações, afirmando que os responsáveis pelo assassinato deverão ser identificados e entregues à Justiça.
Raphael Sampaio da Silva integrava a Polícia Militar do Ceará desde 2022 e era lotado na 2ª Companhia do 16º Batalhão da PM. A Associação das Praças do Ceará (Aspra-CE) divulgou uma manifestação de pesar e solidariedade aos familiares, amigos e colegas de farda do soldado.
As investigações prosseguem para determinar a dinâmica do crime, a motivação e o grau de participação de cada um dos suspeitos.

