A investigação sobre a morte do policial militar Raphael Sampaio da Silva, de 27 anos, encontrado carbonizado dentro de um veículo na Região Metropolitana de Fortaleza, teve uma série de desdobramentos nos últimos dias. Uma policial militar que trabalhava no mesmo batalhão da vítima e o marido dela estão presos sob suspeita de envolvimento no crime.
Raphael foi encontrado morto na manhã da última terça-feira (11), no bairro Ancuri, na divisa entre Fortaleza e Itaitinga. Conforme a perícia inicial, o soldado teria sido baleado antes de o veículo ser incendiado.
A dinâmica completa do homicídio e a participação atribuída a cada investigado ainda não foram divulgadas pela Polícia Civil.
Corpo foi encontrado dentro de carro incendiado
As forças de segurança foram acionadas depois que uma testemunha percebeu um automóvel em chamas. O Corpo de Bombeiros apagou o incêndio e constatou que havia um corpo no interior do veículo.
Posteriormente, a vítima foi identificada como Raphael Sampaio. O policial havia ingressado na Polícia Militar do Ceará em junho de 2022 e estava lotado na 2ª Companhia do 16º Batalhão da PM.
A mesma unidade policial também era a lotação da soldado Júlia Natália Girão Gomes, que se tornou uma das principais investigadas pelo homicídio.
PM e marido estão presos
Júlia Natália foi presa em flagrante no próprio dia em que o corpo do colega foi encontrado. Posteriormente, a Justiça converteu a medida em prisão preventiva, sem prazo determinado.
O marido dela, Antoneudo Ribeiro Lima Júnior, também foi preso naquele dia, inicialmente por posse de munições e documentos falsos. A prisão em flagrante foi relaxada durante audiência de custódia, mas a Justiça decretou a prisão temporária dele por suspeita de participação na morte de Raphael.
A Polícia Civil ainda busca esclarecer de que maneira cada um teria participado do crime.
Júlia e Antoneudo também são investigados em outro caso, relacionado a um suposto esquema de comercialização de contas falsas para motoristas de aplicativos. A policial responde por crimes como estelionato, lavagem ou ocultação de bens e participação em organização criminosa.
Relação extraconjugal é relatada pela família
A motivação para o assassinato ainda não foi oficialmente estabelecida pelos investigadores.
Familiares de Raphael, porém, afirmaram que o soldado mantinha um relacionamento extraconjugal com Júlia. Segundo uma tia da vítima, a relação ocorria pelo menos desde março deste ano.
A existência do relacionamento, portanto, aparece como um elemento considerado no contexto da investigação, mas até agora as autoridades não confirmaram que tenha sido a causa do homicídio.
PM disse ter sido sequestrada
Um dos pontos centrais da apuração envolve as versões apresentadas por Júlia sobre o que teria ocorrido na madrugada do crime.
Inicialmente, os investigadores não conseguiram localizar a policial. Mais tarde, ela apareceu em uma localidade de Aquiraz, onde teria saído de uma área de mata pedindo ajuda.
Naquele momento, Júlia chegou a ser tratada como possível vítima de um sequestro relacionado à morte de Raphael.
A policial afirmou que havia deixado o trabalho de carona com o soldado quando os dois foram abordados por criminosos. Segundo a versão apresentada, Raphael teria sido morto, enquanto ela teria sido retirada do carro pelos cabelos, amarrada e colocada no porta-malas de outro veículo.
Posteriormente, em novo depoimento, a soldado deixou de responder a parte das perguntas, alegou não se recordar de pontos considerados importantes e exerceu o direito de permanecer em silêncio.
Imagens contradizem versão apresentada
A situação de Júlia mudou após os investigadores terem acesso a imagens que, segundo a apuração policial, contradizem o relato inicial.
Uma gravação mostra a soldado na oficina do marido em horário no qual ela havia afirmado estar amarrada. Outro registro mostra Júlia e Antoneudo levando a filha à escola durante o período em que, conforme a versão inicialmente apresentada, ela estaria mantida em cativeiro.
Com esses elementos, a policial deixou de ser tratada como possível vítima e passou à condição de investigada no homicídio.
Carro suspeito de participação no crime é apreendido
Outro avanço ocorreu na sexta-feira (14), quando a polícia apreendeu um veículo suspeito de ter sido utilizado no assassinato.
O automóvel foi localizado nas proximidades da Avenida Washington Soares, na região de Messejana, em Fortaleza. O carro passou por perícia e foi recolhido para auxiliar nas investigações.
Até agora, não foram divulgados detalhes sobre quem seria o proprietário nem sobre a forma como o veículo teria sido empregado no crime.
Advogado chegou a ser detido
O caso também resultou na detenção do advogado que representava Júlia, Walmir Medeiros, na sexta-feira (14).
Segundo a Secretaria da Segurança Pública, ele foi detido após um episódio envolvendo o acesso da policial presa a um telefone celular dentro da unidade prisional.
O advogado negou ter tentado entregar o aparelho à cliente. Afirmou que deixou o próprio celular sobre uma mesa ao sair temporariamente do local e que Júlia teria utilizado o telefone para ligar para a sogra.
Ele foi conduzido à Delegacia de Repressão às Ações Criminosas Organizadas (Draco) e posteriormente liberado após assinar um Termo Circunstanciado de Ocorrência (TCO).
Investigação continua
O assassinato de Raphael Sampaio é investigado pela Delegacia de Homicídios contra Agentes de Segurança Pública (DHASP/DHPP).
A Polícia Civil trabalha agora para reconstruir a dinâmica do homicídio e esclarecer qual teria sido a participação de Júlia Natália e Antoneudo Ribeiro no episódio.
Apesar dos elementos já reunidos, a motivação do assassinato e a responsabilidade individual de cada suspeito ainda não foram oficialmente detalhadas pelas autoridades.

