O Ministério Público de Santa Catarina (MPSC) arquivou o chamado “Caso Orelha”, que investigava supostos maus-tratos contra um cachorro morto em janeiro deste ano, na Praia Brava, em Florianópolis. A decisão foi tomada após o órgão concluir que não há provas que confirmem a participação dos adolescentes investigados na morte do animal.
Segundo o MPSC, uma nova análise das imagens de câmeras de segurança confirmou a existência de um “descompasso temporal” entre os registros utilizados inicialmente na investigação. Com isso, foi constatado que o cão e os adolescentes não estiveram no mesmo local e horário da suposta agressão.
O caso ganhou grande repercussão nacional após denúncias nas redes sociais apontarem que o cachorro, conhecido como Orelha, teria sido violentamente atacado. No entanto, conforme o Ministério Público, as evidências técnicas e testemunhais indicam que o animal sofria de uma condição clínica grave e preexistente.
De acordo com os laudos analisados, o cão apresentava osteomielite na região maxilar esquerda, uma infecção óssea severa possivelmente relacionada a doença periodontal avançada. O órgão destacou ainda que o animal não apresentava cortes, rasgos ou fraturas, mas sim um inchaço acentuado na cabeça e na região ocular esquerda.
“As imagens do crânio demonstram uma lesão profunda e antiga, compatível com um processo infeccioso de evolução prolongada”, informou o Ministério Público.
O MPSC também ressaltou que não houve testemunhas diretas nem registros visuais da suposta agressão. Segundo os promotores, a acusação foi construída a partir de relatos indiretos, comentários de terceiros e conteúdos disseminados nas redes sociais.
Outro ponto destacado pela investigação foi a diferença de aproximadamente 30 minutos entre os horários registrados pelas câmeras do condomínio onde estava um dos adolescentes e o sistema público de monitoramento da região. Conforme o MP, essa divergência foi determinante para a interpretação equivocada inicial do caso.
Diante do conjunto de provas reunidas, o Ministério Público concluiu que a hipótese mais sustentada é a de que Orelha morreu em decorrência do agravamento do quadro clínico e não por agressão.

