Morreu nesta terça-feira (13), aos 102 anos, Raimunda da Costa Santos, conhecida como dona Mundinha, uma das principais referências das tradições natalinas do Mucuripe, em Fortaleza. Desde 1947, ela montava todos os anos uma tradicional lapinha de Natal em sua residência, costume que atravessou gerações e passou a fazer parte da memória afetiva e cultural do bairro.
Nascida em Fortaleza em 18 de abril de 1924, dona Mundinha começou a construir o presépio inspirada em uma lapinha que visitava ainda na infância. Com o passar dos anos, filhos e outros familiares passaram a participar da montagem, ajudando a preservar a tradição iniciada por ela.
A lapinha reunia cenários, iluminação e bonecos e atraía moradores do Mucuripe e visitantes de outras áreas da cidade durante o período natalino.
Tradição começou em 1947
A primeira lapinha foi montada por dona Mundinha em 1947. Desde então, a decoração natalina passou a ocupar anualmente um espaço especial na residência da família.
O costume resistiu às transformações do bairro e da própria cidade. Ao longo de quase oito décadas, o presépio tornou-se ponto de visitação e encontro entre diferentes gerações da comunidade.
QUADRO — QUEM FOI DONA MUNDINHA
Nome: Raimunda da Costa Santos
Nascimento: 18 de abril de 1924
Idade: 102 anos
Bairro: Mucuripe, em Fortaleza
Tradição: montava uma lapinha de Natal desde 1947
Legado: preservação das tradições natalinas e da memória cultural do Mucuripe.
Lapinha virou parte da memória do Mucuripe
Mais do que uma decoração de Natal, a lapinha construída por dona Mundinha acabou se tornando uma tradição comunitária.
Em 2024, quando completou 100 anos, ela contou ao O POVO como a montagem havia sido mantida com a participação da família e continuava recebendo visitantes décadas depois de ter começado.
A tradição também se estendia às crianças da comunidade. Todos os anos, dona Mundinha organizava uma festa natalina com distribuição de presentes e lanche.
QUADRO — UMA TRADIÇÃO DE QUASE OITO DÉCADAS
1947: dona Mundinha começa a montar a lapinha.
Décadas seguintes: filhos e familiares passam a participar da tradição.
2024: aos 100 anos, ela ainda mantinha o costume natalino.
2026: dona Mundinha morre aos 102 anos, deixando uma tradição preservada por quase oito décadas.
Secult destaca legado cultural
A Secretaria da Cultura do Ceará (Secult) divulgou nota de pesar pela morte de dona Mundinha e destacou a importância da moradora para a preservação das tradições natalinas.
Segundo a pasta, ela tornou-se referência do patrimônio imaterial do Mucuripe por meio de uma prática que envolveu sua família e a comunidade durante décadas.
O Sobrado Dr. José Lourenço e o Instituto Mirante também manifestaram solidariedade aos familiares, amigos e moradores do bairro.
As instituições ressaltaram que o legado de dona Mundinha permanece ligado à história e à memória cultural da comunidade.
Despedida aconteceu em Eusébio
A despedida de dona Mundinha foi realizada no Jardim Metropolitano, em Eusébio.
O velório aconteceu ao meio-dia desta terça-feira, e a missa de despedida foi realizada às 16 horas.
Com sua morte, Fortaleza se despede de uma personagem ligada a uma das tradições natalinas mais antigas do Mucuripe, preservada desde 1947 e transmitida entre diferentes gerações da família e da comunidade.

