O ministro da Justiça e Segurança Pública, Wellington César Lima e Silva, disse nesta terça-feira (3) que o governo federal constatou uma “proximidade indesejável” entre o setor de apostas e o crime organizado. A fala se deu durante a audiência pública, convocada pelo Supremo Tribunal Federal (STF), para debater a proibição das bets nesta terça-feira (3).
Segundo Lima e Silva, a medida provisória (MP) nº 1.394/2026, que proibiu o funcionamento de empresas que operam sites de apostas online, contribuiu para o combate ao crime. “Desafortunadamente, constatamos uma proximidade indesejável da atividade de bets com o crime organizado, com a lavagem de dinheiro”, afirmou.
De acordo com dados do Ministério da Justiça apresentados ao Supremo, já foram bloqueados R$ 3,3 bilhões em movimentações suspeitas ligadas às bets. O montante foi alcançado após 21 operações policiais e do Ministério Público realizadas desde 2018.
Segundo o ministro, o crime organizado utiliza o sistema de apostas eletrônicas para dar aparência de legalidade ao dinheiro obtido ilegalmente com o tráfico de drogas e outras atividades ilícitas. “É relevante que a coletividade brasileira perceba exatamente do que se trata e do que estamos a decidir hoje nesta ocasião aqui”, completou.
A audiência pública foi convocada pelo ministro Luiz Fux, relator dos recursos apresentados à Corte pela Associação Nacional de Jogos e Loterias (ANJL) e pelo Instituto Brasileiro de Jogo Responsável (IBJR). As entidades pediram a derrubada da MP, editada em setembro deste ano.

