Uma menina de 4 anos precisou ser transferida de helicóptero para Fortaleza após apresentar um quadro grave depois de ser picada por um escorpião-amarelo em Boa Viagem, no interior do Ceará.
O acidente aconteceu no sábado (31), no município onde a criança mora com a família, a cerca de 220 quilômetros da Capital.
Inicialmente, a menina foi levada para uma unidade hospitalar da própria cidade. Após os primeiros atendimentos, entretanto, o estado clínico piorou e o caso passou a ser classificado como um acidente escorpiônico grave.
Diante da necessidade de atendimento especializado e de administração do soro antiescorpiônico, a equipe médica solicitou a transferência para o Instituto Doutor José Frota (IJF), em Fortaleza.
A viagem foi realizada em um helicóptero da Coordenadoria Integrada de Operações Aéreas (Ciopaer), com profissionais do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu Ceará) acompanhando a paciente durante todo o trajeto.
O deslocamento entre Boa Viagem e Fortaleza durou aproximadamente 55 minutos.
Segundo a Secretaria da Segurança Pública e Defesa Social do Ceará (SSPDS), a criança apresentou melhora após o atendimento.
Idade: 4 anos
Onde ocorreu: Boa Viagem, no Ceará
Animal: escorpião-amarelo
Classificação: acidente escorpiônico grave
Destino: Instituto Doutor José Frota, em Fortaleza
Transporte: helicóptero da Ciopaer
Tempo de voo: cerca de 55 minutos
Situação após atendimento: apresentou melhora, segundo a SSPDS
Criança piorou depois do primeiro atendimento
A menina recebeu os primeiros cuidados ainda em Boa Viagem.
A evolução do quadro, no entanto, preocupou a equipe médica.
Com a piora dos sintomas, os profissionais avaliaram que a criança precisaria de estrutura especializada e do soro indicado para acidentes graves envolvendo escorpiões.
A urgência também tornou o transporte terrestre menos indicado diante da distância até Fortaleza.
Foi então acionado o serviço aeromédico da Ciopaer.
Helicóptero funciona como UTI aérea
As aeronaves utilizadas pela Ciopaer em missões médicas possuem equipamentos que permitem manter atendimento intensivo durante o deslocamento.
No caso da menina, profissionais do Samu Ceará integraram a equipe de transporte.
A assistência médica foi mantida durante todo o voo até Fortaleza.
O uso da aeronave reduziu para cerca de 55 minutos um percurso que, por via terrestre, demandaria várias horas.
Ao chegar à Capital, a paciente foi encaminhada diretamente ao IJF.
IJF é referência para acidentes com animais peçonhentos
O Instituto Doutor José Frota é uma das principais referências do Ceará para tratamento de intoxicações e acidentes envolvendo animais peçonhentos.
O hospital possui o Centro de Informação e Assistência Toxicológica, o Ciatox.
A unidade atende vítimas de acidentes envolvendo, entre outros animais:
• escorpiões;
• cobras;
• aranhas;
• lagartas;
• outros animais peçonhentos.
O hospital também dispõe dos soros utilizados nos casos em que há indicação médica.
Escorpião-amarelo é o mais comum no Ceará
O escorpião-amarelo está entre as espécies mais encontradas em áreas urbanas no Ceará.
Esses animais conseguem se adaptar facilmente às cidades e costumam encontrar abrigo em locais escuros, úmidos e protegidos.
Eles podem entrar nas residências por redes de esgoto, ralos, frestas, soleiras de portas, janelas e passagens utilizadas por instalações elétricas.
Entulhos, materiais de construção armazenados, lixo e locais com presença de baratas também podem favorecer a permanência dos animais.
As baratas estão entre as principais fontes de alimento dos escorpiões nas áreas urbanas.
Mais de 2,5 mil atendimentos em sete meses
Os acidentes com escorpiões são frequentes no Ceará.
Entre janeiro e julho de 2026, o Ciatox do IJF registrou 2.593 atendimentos presenciais e por teleatendimento relacionados a acidentes com escorpiões.
Julho apresentou o maior número registrado no período, com 445 ocorrências.
Os números reforçam a importância de procurar assistência médica rapidamente após uma picada, principalmente quando a vítima é uma criança.
Crianças pequenas têm maior risco
A idade da menina de Boa Viagem é um dos fatores que tornam o episódio especialmente preocupante.
Crianças pequenas podem apresentar quadros mais graves porque a quantidade de veneno inoculada representa proporcionalmente uma dose maior em relação ao peso corporal.
Crianças com menos de 7 anos estão entre os grupos que exigem maior atenção depois de uma picada.
Idosos e pessoas com determinadas condições de saúde também precisam de acompanhamento cuidadoso.
Nem toda picada evolui para um quadro grave.
Na maior parte dos casos, a manifestação é leve e apresenta principalmente dor intensa no local.
Mas a evolução pode ser rápida em situações mais graves.
Dor é o sintoma mais comum
Nos casos leves, a principal manifestação é dor no local da picada.
Também pode ocorrer:
• formigamento;
• sensação de ardência;
• vermelhidão;
• suor próximo à região atingida.
Quando o envenenamento evolui para uma condição moderada ou grave, podem surgir manifestações em outras partes do organismo.
Náuseas, vômitos, suor excessivo, alterações dos batimentos cardíacos e problemas respiratórios estão entre os sinais que exigem atendimento imediato.
A avaliação da gravidade deve ser feita por profissionais de saúde.
Soro é utilizado nos casos indicados
O soro antiescorpiônico neutraliza o veneno circulante e pode ser necessário em quadros moderados ou graves.
Não é toda pessoa picada que precisa recebê-lo.
A decisão depende dos sintomas, da idade da vítima, da evolução clínica e da avaliação médica.
No caso da menina de Boa Viagem, a equipe identificou a necessidade do soro e de atendimento especializado, o que motivou a transferência urgente para Fortaleza.
O que fazer depois de uma picada
A recomendação é procurar atendimento de saúde o mais rapidamente possível.
Especialmente quando a vítima é criança, não se deve aguardar em casa para verificar se os sintomas irão desaparecer.
Enquanto o atendimento é buscado, o local pode ser lavado com água e sabão.
Sempre que for possível fazer isso com segurança, uma fotografia do animal pode ajudar na identificação.
Não é recomendado tentar capturar o escorpião colocando outras pessoas em risco.
O que não fazer
Algumas práticas populares podem agravar a situação e não devem ser realizadas.
A orientação das autoridades de saúde é:
• não fazer torniquete;
• não amarrar o membro atingido;
• não cortar o local da picada;
• não tentar sugar o veneno;
• não perfurar ou queimar a região;
• não colocar álcool, querosene, fumo, ervas, urina ou outras substâncias;
• não fazer curativos apertados.
Essas medidas não neutralizam o veneno e podem provocar infecções ou outras complicações.
Limpeza ajuda a reduzir presença de escorpiões
Uma das principais formas de prevenção é diminuir os locais onde os animais conseguem encontrar abrigo e alimento.
A recomendação é evitar acúmulo de lixo, folhas secas, entulho, madeira e materiais de construção próximos às residências.
Ralos podem ser protegidos com telas ou dispositivos adequados.
Frestas em paredes, portas e rodapés devem ser vedadas quando possível.
Também é importante controlar infestações de baratas.
Roupas e calçados precisam ser verificados
Escorpiões procuram locais protegidos e podem se esconder dentro de sapatos, roupas, toalhas e peças de cama.
Por isso, principalmente em regiões onde há registros frequentes do animal, a orientação é verificar esses objetos antes do uso.
Calçados guardados por algum tempo devem ser sacudidos.
Camas e berços também devem ser mantidos afastados das paredes quando houver ocorrência de escorpiões dentro da residência.
Não se deve tentar esmagar o animal com as mãos
Ao encontrar um escorpião, é necessário evitar contato direto.
A tentativa de matar ou capturar o animal utilizando as mãos aumenta o risco de picadas.
Caso exista infestação ou aparecimento frequente, o serviço de vigilância ambiental do município pode ser acionado para orientar as medidas adequadas.
Acidente mostra importância do atendimento rápido
No caso da menina de Boa Viagem, a combinação entre o primeiro atendimento no município, a identificação da gravidade, o acionamento do transporte aeromédico e o encaminhamento para uma unidade de referência permitiu acelerar o tratamento.
A criança percorreu de helicóptero os cerca de 220 quilômetros que separam Boa Viagem de Fortaleza.
Durante os aproximadamente 55 minutos de voo, permaneceu acompanhada por profissionais de saúde.
Após chegar ao IJF e receber atendimento especializado, apresentou melhora, de acordo com a Secretaria da Segurança Pública.
Até a última atualização, não foram divulgados novos detalhes sobre a evolução clínica da paciente.

