O governo federal decidiu expulsar do Brasil o russo Sergey Vladimirovich Cherkasov, apontado por autoridades brasileiras, holandesas e norte-americanas como um suposto agente de inteligência da Rússia que viveu por cerca de 12 anos utilizando uma identidade brasileira falsa.
A decisão administrativa foi publicada pelo Ministério da Justiça e Segurança Pública e determina que Cherkasov seja enviado à Rússia após o cumprimento da pena de cinco anos de prisão por falsidade ideológica ou caso seja autorizado pela Justiça a deixar o sistema prisional antes desse prazo.
Além da expulsão, o russo ficará proibido de retornar ao Brasil pelos próximos 30 anos.
Identidade falsa
Segundo as investigações, Cherkasov chegou ao Brasil em 2010 e passou a utilizar a identidade de Victor Muller Ferreira, construída com documentos brasileiros obtidos de forma fraudulenta.
Com essa identidade, ele conseguiu emitir carteira de identidade, CPF, título de eleitor, carteira de habilitação e passaporte brasileiro. Também estudou em universidades na Irlanda e nos Estados Unidos e chegou a trabalhar em uma agência de turismo no Rio de Janeiro.
As investigações apontam que toda essa trajetória fazia parte de uma estratégia para construir uma identidade considerada legítima e facilitar sua atuação no exterior.
Tentativa de infiltração
Em 2022, Cherkasov foi detido no aeroporto de Amsterdã, na Holanda, quando tentava assumir uma vaga de estágio no Tribunal Penal Internacional (TPI), em Haia.
De acordo com as autoridades holandesas, ele pretendia se infiltrar no tribunal, que na época investigava possíveis crimes de guerra relacionados à invasão da Ucrânia pela Rússia.
Após ser impedido de entrar na Holanda, ele foi deportado para o Brasil, onde acabou preso por utilizar documentos falsos.
Investigação
A Polícia Federal e o FBI sustentam que Cherkasov integrava uma rede de agentes russos conhecida como “ilegais”, formada por pessoas que assumem identidades falsas em outros países para obter informações estratégicas.
Apesar disso, as investigações conduzidas no Brasil não encontraram provas de que ele tenha espionado autoridades ou instituições brasileiras. Segundo os investigadores, o objetivo seria utilizar a identidade brasileira para atuar principalmente nos Estados Unidos e em países da Europa.
Cherkasov nega ser espião e afirma que nunca trabalhou para os serviços de inteligência da Rússia.
Expulsão depende da Justiça
Atualmente, Sergey Cherkasov está preso em uma penitenciária federal de Brasília, cumprindo pena por falsidade ideológica.
A expulsão somente será executada após o encerramento da pena ou caso haja autorização do Poder Judiciário para sua liberação. Quando deixar o sistema prisional, ele será enviado à Rússia e ficará impedido de retornar ao território brasileiro pelos próximos 30 anos.

