O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), pré-candidato à Presidência da República, voltou a levantar suspeitas sem provas sobre o sistema eleitoral brasileiro durante um evento com representantes diplomáticos estrangeiros.
Ao discursar no encontro “Debating Brazil”, realizado pela agência Novo Selo Comunicação em parceria com o jornal The Brazilian Report, o parlamentar associou as urnas eletrônicas utilizadas no Brasil aos equipamentos produzidos pela empresa venezuelana Smartmatic.
Flávio citou um documento da Agência Central de Inteligência dos Estados Unidos, a CIA, que apontaria suspeitas envolvendo a empresa em uma possível fraude eleitoral na Venezuela. Em seguida, afirmou que máquinas utilizadas nas eleições brasileiras seriam fornecidas pela mesma companhia.
A declaração, no entanto, já foi desmentida pelo Tribunal Superior Eleitoral. A Smartmatic não fornece urnas eletrônicas nem programas usados nas eleições brasileiras. O sistema de votação é desenvolvido e administrado integralmente pela Justiça Eleitoral.
A empresa chegou a participar de uma licitação para fabricar equipamentos em 2020, mas não venceu a disputa. Sua atuação no país ficou restrita a contratos para treinamento de equipes de suporte e serviços de comunicação de dados e voz.
Depois das declarações, o senador afirmou que não pretendia questionar diretamente o processo eleitoral brasileiro. Ele defendeu, porém, que outros países enviem o maior número possível de observadores para acompanhar as eleições de 2026.
O episódio foi comparado ao encontro realizado pelo então presidente Jair Bolsonaro com embaixadores, em julho de 2022. Na ocasião, Bolsonaro também apresentou acusações sem provas contra as urnas eletrônicas e a Justiça Eleitoral.
Por causa daquele evento, o ex-presidente foi condenado pelo TSE por abuso de poder político e uso indevido dos meios de comunicação. A decisão resultou em sua inelegibilidade até 2030.

