A Associação Brasileira de Médicas e Médicos pela Democracia (ABMMD) lançou um abaixo-assinado em defesa da memória do médico cearense Francisco das Chagas Dias Monteiro, conhecido como Chico Passeata. A iniciativa ocorre após Ciro Gomes (PSDB) atribuir ao médico a autoria de uma frase depreciativa sobre a categoria médica, durante a repercussão de um debate eleitoral.
A entidade também manifestou apoio ao pedido de Desagravo Público In Memoriam encaminhado ao Conselho Regional de Medicina do Estado do Ceará (Cremec), com o objetivo de preservar a trajetória de Chico Passeata e contestar a versão apresentada por Ciro.
A polêmica envolve a frase “Médico é como sal: branco, barato e se encontra em qualquer esquina”, que teria sido dita durante uma greve de médicos no Ceará, em 1992. No debate entre candidatos ao Governo do Estado promovido pelo Ponto Poder, do Diário do Nordeste, o governador Elmano de Freitas (PT) atribuiu a declaração a Ciro Gomes, que era governador do Ceará naquele período.
Ciro negou ter pronunciado a frase e chegou a afirmar que renunciaria à candidatura caso fosse comprovada sua autoria. Posteriormente, nas redes sociais, atribuiu a criação da declaração a Chico Passeata, conhecido por sua atuação no movimento sindical.
A versão provocou reação de familiares, amigos e antigos companheiros de militância do médico. Em nota, eles repudiaram a declaração de Ciro e afirmaram que registros jornalísticos produzidos durante a greve de 1992 apontariam o então governador como responsável pela fala.
A ABMMD também contestou a atribuição feita a Chico Passeata. A entidade destaca que o médico sanitarista construiu sua trajetória na defesa do Sistema Único de Saúde (SUS), da saúde pública, da democracia e da valorização dos profissionais da medicina.
Para a associação, relacionar Chico Passeata a uma declaração que desqualifica médicos é incompatível com sua história profissional e política. O abaixo-assinado pede apoio ao desagravo encaminhado ao Cremec e defende que a memória do médico seja preservada.
Chico Passeata foi uma das lideranças do movimento médico no Ceará e teve atuação marcada pela defesa da saúde pública e dos direitos da categoria. Com a nova manifestação, a controvérsia sobre a autoria da frase de 1992 passa a envolver também a preservação de sua memória e de sua trajetória.

