A cidade espanhola de Ceuta, enclave localizado no Norte da África e que faz fronteira com Marrocos, enfrenta sua maior crise migratória desde 2021. Nos últimos dias, milhares de pessoas tentaram entrar em território espanhol, muitas delas atravessando o mar a nado pela praia de Tarajal, em busca de acesso à União Europeia.
Segundo autoridades espanholas, entre 2 mil e 3 mil migrantes conseguiram chegar a Ceuta antes do reforço da segurança. A maioria é formada por cidadãos marroquinos, mas também há pessoas de outros países africanos. A travessia, feita sem embarcações ou com o auxílio de boias improvisadas, é considerada extremamente perigosa.
A crise já deixou ao menos nove mortos, de acordo com informações divulgadas pelas autoridades espanholas e por agências internacionais. O número de vítimas pode aumentar, já que há relatos de desaparecidos no mar durante as tentativas de travessia.
Diante da situação, o governo da Espanha enviou reforços da Guarda Civil, da Polícia Nacional e das Forças Armadas para controlar a fronteira. O primeiro-ministro Pedro Sánchez e o ministro do Interior também anunciaram visita a Ceuta para acompanhar a operação e discutir medidas de resposta.
As causas do aumento no fluxo migratório ainda são investigadas. Especialistas apontam uma combinação de fatores, como dificuldades econômicas em Marrocos, o período de mar mais calmo no verão europeu e uma recente decisão da Suprema Corte da Espanha que restringiu a devolução imediata de migrantes resgatados no mar, embora não haja consenso de que essa decisão tenha motivado diretamente a onda de travessias.
Ceuta e Melilla são os únicos territórios da União Europeia situados no continente africano e, por isso, há décadas representam uma das principais portas de entrada de migrantes que buscam chegar à Europa. A atual onda migratória é considerada a mais intensa registrada na região desde a crise de 2021.

