O partido de extrema direita Alternativa para a Alemanha (AfD) conquistou uma vitória histórica nas eleições estaduais da Saxônia-Anhalt, realizadas neste domingo (6). Com 43,8% dos votos, a legenda ficou em primeiro lugar e mais que dobrou o desempenho obtido na eleição de 2021, quando havia alcançado 20,8%. É a primeira vez desde o fim da Segunda Guerra Mundial que uma sigla de extrema direita vence uma eleição estadual no país.
Apesar do resultado expressivo, a AfD não conseguiu maioria absoluta no Parlamento regional e, por isso, não poderá governar sozinha. O partido conquistou 39 das 83 cadeiras, ficando três assentos abaixo dos 42 necessários para controlar o Legislativo estadual.
A eleição também representou uma derrota significativa para a União Democrata Cristã (CDU), partido do chanceler alemão Friedrich Merz. A legenda, que governa a Saxônia-Anhalt há 24 anos, recebeu apenas 17,2% dos votos, ante 37,1% em 2021.
AfD mais que dobra votação
A vitória é o melhor resultado da história da AfD em uma eleição estadual desde a criação do partido, em 2013.
O crescimento foi expressivo: a legenda saltou de pouco mais de 20% em 2021 para 43,8% neste ano. A participação eleitoral também foi elevada, chegando a 77,8%.
Ulrich Siegmund, de 35 anos, candidato da AfD ao comando do governo regional, classificou o resultado como histórico e afirmou que os eleitores deram ao partido um mandato para governar.
A copresidente nacional da legenda, Alice Weidel, também comemorou o desempenho, enquanto dirigentes da AfD apresentaram a votação como uma demonstração de insatisfação com o governo federal de Merz.
CDU perde metade dos votos
Se a noite foi de comemoração para a AfD, o resultado representou um dos piores cenários possíveis para a CDU.
O partido conservador caiu de 37,1% para 17,2% e conquistou 15 cadeiras. A legenda vinha governando a Saxônia-Anhalt desde 2002.
Os demais partidos ficaram muito atrás das duas primeiras colocações. O Partido Social-Democrata (SPD) recebeu 9,3% dos votos; os Verdes, 8,9%; e o partido A Esquerda (Die Linke), 8,6%. Cada um conquistou oito cadeiras.
A Aliança Sahra Wagenknecht (BSW) obteve 5,3% e ficou com cinco assentos no Parlamento estadual.
Vitória não garante governo à extrema direita
Mesmo sendo de longe o partido mais votado, a AfD enfrenta um obstáculo para transformar a vitória eleitoral em poder político.
As principais legendas alemãs mantêm a política conhecida como “cordão sanitário” ou “firewall”, pela qual rejeitam alianças com a AfD. CDU, SPD, Verdes e A Esquerda descartaram participar de um governo liderado pela sigla.
Como a AfD não conseguiu maioria absoluta, a formação do próximo governo da Saxônia-Anhalt permanece indefinida. A fragmentação do novo Parlamento também dificulta a construção de uma maioria alternativa sem a participação da legenda.
Siegmund afirmou estar disposto a conversar com outras forças políticas, mas descartou a possibilidade de comandar um governo minoritário.
Partido é classificado como extremista por inteligência alemã
A seção da AfD na Saxônia-Anhalt é classificada pelo serviço de inteligência doméstica do estado como uma organização comprovadamente de extrema direita. A legenda rejeita a classificação e afirma que a medida tem motivação política.
A imigração ocupou posição central na campanha. Entre as propostas defendidas por Siegmund está uma ofensiva para ampliar deportações e restringir políticas que, segundo a AfD, estimulariam a chegada de imigrantes ao país.
A legenda também defende mudanças na educação, critica o financiamento alemão à Ucrânia e pede o fim das sanções contra a Rússia, embora decisões de política externa sejam atribuição do governo federal, e não dos estados.
Resultado aumenta pressão sobre governo de Friedrich Merz
O resultado na Saxônia-Anhalt tem repercussão que ultrapassa as fronteiras do estado. A AfD já é a maior força de oposição no Parlamento federal e tem sua base eleitoral mais forte no leste da Alemanha, território que integrava a antiga Alemanha Oriental.
A derrota da CDU também aumenta a pressão sobre Friedrich Merz, cujo governo enfrenta dificuldades para recuperar a economia alemã e conter o avanço da extrema direita.
A Saxônia-Anhalt tem cerca de 2,1 milhões de habitantes e é um dos 16 estados alemães. Os governos estaduais possuem competências importantes em áreas como segurança e educação e também participam do Bundesrat, a Câmara Alta do Parlamento alemão.
Mesmo que a AfD não consiga formar o governo regional, a votação deste domingo representa um novo patamar para a legenda. Além de conquistar sua primeira vitória estadual, o partido chegou a apenas três cadeiras de obter maioria absoluta e governar sozinho.

