A Polícia Federal (PF) intimou o ex-controlador do Banco Master, Daniel Vorcaro, e o pai dele, Henrique Vorcaro, para prestarem depoimento no próximo dia 30 de setembro. As oitivas fazem parte do inquérito que investiga a atuação do grupo conhecido como “A Turma”, apontado pelos investigadores como uma estrutura utilizada para monitorar, intimidar e obter informações sigilosas sobre pessoas que poderiam contrariar interesses do ex-banqueiro.
Os dois serão ouvidos separadamente durante a tarde. Os depoimentos já estavam previstos anteriormente, mas foram adiados após pedidos das defesas e posteriormente remarcados pela Polícia Federal.
Segundo informações da investigação, as oitivas são consideradas uma das últimas etapas antes da conclusão do inquérito relacionado à fase da Operação Compliance Zero que apura a atuação do grupo.
PF investiga grupo conhecido como “A Turma”
A investigação busca esclarecer a atuação de uma estrutura que, segundo a Polícia Federal, teria sido financiada e mobilizada por Daniel Vorcaro.
Os investigadores suspeitam que integrantes do grupo realizavam monitoramento de pessoas, obtenção de informações sobre processos sob sigilo e ações de pressão e intimidação contra indivíduos considerados obstáculos aos interesses do ex-controlador do Banco Master.
A PF também investiga invasões a dispositivos eletrônicos e formas ilegais de obtenção de dados.
Daniel e Henrique Vorcaro são investigados no caso, mas as acusações ainda estão em apuração e não representam condenação.
Henrique é apontado como integrante de núcleo do grupo
Henrique Vorcaro foi preso pela Polícia Federal em 14 de maio, durante a sexta fase da Operação Compliance Zero.
Segundo as investigações, ele teria participação relevante na estrutura financeira e operacional do grupo. A PF o relaciona ao chamado “núcleo violento” da organização investigada e afirma que ele participava de operações financeiras e demandava determinadas ações dos integrantes.
A apuração atribui ao grupo suspeitas de intimidação, coerção, obtenção indevida de informações sigilosas e invasões a dispositivos informáticos.
As defesas contestam as acusações.
Depoimentos devem anteceder conclusão do inquérito
A expectativa da Polícia Federal é utilizar os interrogatórios para esclarecer pontos ainda pendentes antes de concluir essa frente das investigações.
Daniel Vorcaro deverá ser ouvido por videoconferência. O ex-banqueiro permanece preso preventivamente em Brasília, enquanto Henrique está custodiado na Penitenciária Nelson Hungria, em Contagem, na Região Metropolitana de Belo Horizonte.
As prisões foram mantidas no contexto das investigações sob o argumento de risco ao andamento das apurações.
Após os depoimentos e a análise dos elementos reunidos, a PF poderá concluir o relatório e encaminhá-lo às autoridades responsáveis pela continuidade do procedimento.
Henrique tenta deixar prisão
Enquanto a Polícia Federal avança para a etapa final dessa investigação, a defesa de Henrique Vorcaro tenta obter a revogação de sua prisão preventiva.
No dia 16 de setembro, os advogados recorreram ao presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Edson Fachin, afirmando que Henrique permanece preso há mais de 90 dias sem que recursos apresentados contra a medida tenham sido julgados.
A defesa pediu que a prisão seja revogada ou, alternativamente, convertida em prisão domiciliar humanitária.
Os advogados alegam que Henrique sofre de diverticulite, inflamação que atinge a parede do intestino grosso, e que o quadro exige acompanhamento e cuidados médicos específicos.
Também argumentam que a indefinição provocada pelas discussões internas do STF sobre a condução dos processos relacionados ao Banco Master não deveria impedir a análise de pedidos urgentes envolvendo a liberdade do investigado.
Caso Master tem diferentes frentes de investigação
A apuração sobre “A Turma” representa apenas uma das frentes abertas a partir das investigações envolvendo Daniel Vorcaro e o Banco Master.
A Operação Compliance Zero começou investigando suspeitas de irregularidades financeiras relacionadas à instituição e posteriormente avançou sobre diferentes grupos e operações vinculados ao ex-banqueiro.
O material apreendido pela Polícia Federal, especialmente dados extraídos do celular de Vorcaro, também passou a revelar contatos com empresários, advogados, autoridades e pessoas próximas a integrantes de diferentes Poderes.
A existência dessas mensagens ou contatos, isoladamente, não comprova participação em crimes. Os diferentes elementos estão sendo analisados em procedimentos específicos.
Investigações também provocaram crise no STF
Parte do material encontrado no celular de Vorcaro levou à produção de relatórios envolvendo ministros do Supremo e provocou uma forte disputa interna na Corte.
O caso mais controverso envolve Alexandre de Moraes e questionamentos sobre diligências determinadas pelo ministro André Mendonça.
O plenário do STF iniciou nesta semana uma discussão sobre a validade dessas medidas e sobre como devem tramitar investigações que possam alcançar integrantes da própria Corte. O julgamento foi interrompido após pedido de vista de Flávio Dino.
Essa disputa, porém, é diferente do inquérito sobre “A Turma”, no qual Daniel e Henrique Vorcaro serão interrogados em 30 de setembro.
Com as novas oitivas, a Polícia Federal pretende esclarecer as responsabilidades individuais dentro do grupo investigado e reunir os elementos necessários para concluir essa etapa da Operação Compliance Zero.

