A Polícia Federal deflagrou nesta quinta-feira (14) a sexta fase da Operação Compliance Zero, investigação que apura um suposto esquema de corrupção, lavagem de dinheiro, crimes financeiros e atuação de organização criminosa ligada ao Banco Master.
A nova etapa teve como um dos principais alvos o empresário Henrique Vorcaro, pai do banqueiro Daniel Vorcaro. A operação também cumpriu mandados de prisão, busca e apreensão em São Paulo, Minas Gerais e Rio de Janeiro.
Desde novembro de 2025, a investigação já passou por seis fases e ampliou o alcance sobre familiares, empresários, agentes públicos e integrantes de uma estrutura paralela apontada pela PF como responsável por intimidar adversários e acessar informações sigilosas.
1ª fase — novembro de 2025
A primeira etapa da operação resultou na prisão de Daniel Vorcaro, além de outros executivos ligados ao Banco Master, entre eles o banqueiro Augusto Lima e o tesoureiro Alberto Félix.
Durante as buscas, a PF apreendeu carros de luxo, obras de arte, relógios de alto padrão e cerca de R$ 1,6 milhão em espécie. Também houve bloqueio de aproximadamente R$ 12,2 bilhões em contas e ativos ligados aos investigados.
Após a prisão, Vorcaro foi colocado em liberdade mediante medidas cautelares, incluindo uso de tornozeleira eletrônica, retenção de passaporte e proibição de contato com outros investigados.
2ª fase — janeiro de 2026
Na segunda fase, a investigação avançou sobre pessoas próximas ao empresário. Familiares de Daniel Vorcaro, incluindo pai, irmã, cunhado e primo, foram alvo de mandados de busca.
A operação cumpriu dezenas de ordens judiciais em diferentes estados e apreendeu veículos importados, armas de fogo, munições e relógios de luxo.
Entre os alvos estava Fabiano Zettel, cunhado de Vorcaro, detido no Aeroporto de Guarulhos enquanto tentava embarcar para os Emirados Árabes.
3ª fase — março de 2026
A terceira etapa marcou uma nova linha de investigação: a atuação de um suposto grupo clandestino ligado ao banqueiro.
Segundo a PF, Daniel Vorcaro lideraria uma estrutura paralela responsável por monitorar adversários, obter informações sigilosas e intimidar críticos. O grupo ficou conhecido nas investigações como “A Turma”.
Além de Vorcaro, foram presos Fabiano Zettel, o policial federal aposentado Marilson Roseno da Silva e Luiz Phillipi Mourão, conhecido como “Sicário”.
A PF apontou suspeitas de ameaça, invasão de dispositivos eletrônicos, corrupção e lavagem de dinheiro.
4ª fase — abril de 2026
A quarta fase aprofundou as apurações sobre a relação entre o Banco Master e o Banco de Brasília.
As investigações identificaram movimentações financeiras consideradas suspeitas envolvendo imóveis de alto padrão e operações que, segundo os investigadores, teriam sido usadas para ocultação de patrimônio.
Entre os alvos estavam o ex-presidente do BRB, Paulo Henrique Costa, e o advogado Daniel Monteiro, ligado a negociações entre as instituições financeiras.
5ª fase — maio de 2026
Na quinta etapa, a operação alcançou o meio político. O senador Ciro Nogueira foi alvo de buscas após suspeitas de recebimento de repasses mensais atribuídos a Daniel Vorcaro.
A PF cumpriu mandados no Distrito Federal, Piauí, São Paulo e Minas Gerais. Também houve bloqueio de cerca de R$ 18,8 milhões em bens e valores relacionados aos investigados.
6ª fase — maio de 2026
A fase mais recente, deflagrada nesta quinta-feira (14), levou à prisão de Henrique Vorcaro, fundador do Grupo Multipar.
Segundo a PF, ele teria participado de movimentações financeiras suspeitas envolvendo empresas da família Vorcaro.
A operação também teve como alvo integrantes da própria Polícia Federal. Uma delegada foi afastada do cargo por suspeita de realizar consultas ilegais em sistemas sigilosos para beneficiar integrantes do grupo investigado. Um agente da ativa da PF também foi preso.
A Compliance Zero segue sob supervisão do ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal, e investiga crimes como lavagem de dinheiro, organização criminosa, corrupção, violação de sigilo funcional e fraudes no sistema financeiro nacional.

