A Beira-Mar de Fortaleza ganhará um reforço no atendimento de urgência e emergência com a aquisição de seis bicicletas elétricas para o Projeto Bike Vida, serviço ligado ao Samu Fortaleza. Os veículos serão utilizados por socorristas para chegar mais rapidamente a ocorrências na orla, especialmente em locais de grande movimentação ou de difícil acesso para ambulâncias.
A principal finalidade é reduzir o tempo entre o chamado e o primeiro atendimento, algo especialmente importante em emergências como paradas cardiorrespiratórias, nas quais cada minuto sem intervenção diminui as chances de sobrevivência do paciente.
A licitação para aquisição dos equipamentos foi homologada pela Prefeitura em setembro. O processo, conduzido pela Central de Licitações de Fortaleza a pedido da Secretaria Municipal da Saúde (SMS), prevê bicicletas elétricas profissionais, acessórios e equipamentos complementares destinados especificamente ao Bike Vida.
Quatro bicicletas ficarão em operação e duas serão reserva
Das seis bicicletas adquiridas, quatro deverão atuar simultaneamente na orla, organizadas em duas duplas de socorristas.
As outras duas ficarão como reserva técnica, podendo substituir equipamentos que estejam em manutenção ou temporariamente indisponíveis.
O modelo em duplas permite que os profissionais levem diferentes materiais de atendimento e trabalhem de maneira conjunta em situações que exigem suporte rápido, inclusive em casos mais graves enquanto uma ambulância é deslocada para o local.
A Prefeitura ainda não divulgou quando as novas bicicletas começarão efetivamente a circular nem quais serão os turnos e horários da operação. A Secretaria Municipal da Saúde informou que esses detalhes serão apresentados posteriormente.
Bicicletas terão desfibrilador, oxigênio e equipamentos de primeiros socorros
As bicicletas funcionarão como pequenas unidades móveis de atendimento pré-hospitalar.
Cada socorrista terá equipamentos de sinalização e segurança, incluindo sirene, lanterna e colete luminoso, além dos equipamentos de proteção individual necessários para o trabalho.
O material transportado incluirá itens para primeiros socorros e estabilização de pacientes, como:
- materiais para realização de curativos;
- colares cervicais;
- talas para imobilização;
- estetoscópio;
- esfigmomanômetro, utilizado para medir a pressão arterial;
- oxímetro para acompanhamento da saturação de oxigênio;
- cilindro ou estrutura de suporte de oxigênio;
- ressuscitadores manuais;
- Desfibrilador Externo Automático (DEA).
A presença do desfibrilador é considerada um dos pontos centrais do serviço.
Desfibrilador pode ser decisivo em parada cardíaca
O Desfibrilador Externo Automático é utilizado em determinadas situações de parada cardiorrespiratória para analisar o ritmo do coração e, quando indicado pelo equipamento, aplicar um choque elétrico.
Em situações desse tipo, o atendimento precoce é fundamental. Por isso, a proposta do Bike Vida é fazer com que um profissional treinado alcance a vítima antes mesmo da chegada de uma ambulância, quando as condições da ocorrência permitirem.
O socorrista pode iniciar as primeiras manobras, utilizar os equipamentos disponíveis e manter o paciente assistido até a chegada de uma equipe com estrutura adequada para transporte ou atendimento avançado.
Bicicletas conseguem circular onde ambulâncias enfrentam dificuldade
A escolha de bicicletas elétricas está diretamente relacionada às características da Avenida Beira-Mar.
A região concentra diariamente moradores, turistas, ciclistas, corredores, comerciantes e pessoas que utilizam o calçadão para atividades físicas e de lazer. Em horários de maior movimentação, uma ambulância pode enfrentar dificuldades para se aproximar rapidamente de determinadas ocorrências.
As bicicletas, por serem menores e mais ágeis, conseguem circular por áreas de grande fluxo e chegar a locais em que o acesso de veículos maiores é mais limitado.
De acordo com a justificativa apresentada no processo de aquisição, a utilização das bikes pode permitir uma resposta mais rápida e, em ocorrências de menor complexidade, evitar o deslocamento desnecessário de ambulâncias do Samu, deixando esses veículos disponíveis para outros chamados.
Modelo elétrico também reduz esforço do socorrista
A adoção da propulsão elétrica deve facilitar o deslocamento dos profissionais pela extensão da orla, especialmente porque eles precisam transportar equipamentos de atendimento.
O auxílio do motor reduz o esforço físico necessário para percorrer distâncias maiores e permite que o socorrista chegue à ocorrência em melhores condições para iniciar o atendimento.
A Prefeitura também cita o aspecto ambiental entre as vantagens do modelo. Como as bicicletas não utilizam combustíveis fósseis durante a operação, não produzem emissão direta de gases pela queima de gasolina ou diesel e apresentam custos de manutenção potencialmente menores que os de veículos motorizados convencionais.
Projeto Bike Vida existe desde 2017
A utilização de bicicletas por socorristas na orla não é uma novidade em Fortaleza. O Bike Vida foi lançado em julho de 2017 para antecipar o atendimento do Samu em uma região com elevada circulação de pessoas.
Na implantação original, três socorristas circulavam em bicicletas equipadas para prestar os primeiros atendimentos ao longo da faixa entre o Estoril, na Praia de Iracema, e o Mercado dos Peixes, na Beira-Mar.
Na época do lançamento, a Prefeitura apresentou a iniciativa como pioneira na América Latina e destacou três objetivos principais: reduzir o tempo de resposta às emergências, integrar os socorristas à rede do Samu e utilizar um meio de transporte sustentável.
As novas bicicletas elétricas representam uma modernização desse modelo.
Serviço já atendeu paradas cardiorrespiratórias, quedas e convulsões
Dados divulgados pela Prefeitura quando o projeto completou dois anos de funcionamento mostravam a diversidade das ocorrências atendidas pelos profissionais.
Naquele balanço histórico, o Bike Vida registrava aproximadamente 35 ocorrências por mês. Cerca de 55,8% dos atendimentos eram relacionados a traumas, incluindo quedas, colisões e agressões.
Entre as ocorrências clínicas apareciam situações como mal-estar, desmaios e convulsões. Nos dois primeiros anos de funcionamento, os socorristas chegaram a atender dez casos de parada cardiorrespiratória, segundo o levantamento municipal da época.
Os dados são referentes aos primeiros anos do projeto e não representam necessariamente o volume atual de atendimentos.
Objetivo é antecipar chegada do socorro
O conceito do Bike Vida é complementar, e não substituir, as ambulâncias.
Em emergências chamadas de tempo-dependentes, alguns minutos podem influenciar diretamente a sobrevivência do paciente e o risco de sequelas. É o caso, por exemplo, das paradas cardiorrespiratórias.
Em registros históricos da própria Prefeitura sobre o projeto, o atendimento pelas bicicletas chegou a apresentar tempo médio de resposta de aproximadamente três minutos na área coberta, enquanto outras ocorrências do Samu naquele período tinham média superior.
A comparação é histórica e não permite afirmar que esses sejam os tempos atuais do serviço, mas ajuda a explicar a lógica da utilização das bicicletas na orla.
Como acionar o Bike Vida?
Quem presenciar uma emergência na Beira-Mar deve acionar o Samu pelo telefone 192.
A chamada passa pela Central de Regulação do serviço, que analisa a situação e determina qual recurso deve ser enviado. Dependendo da localização e do tipo de ocorrência, os profissionais do Bike Vida podem ser acionados para iniciar o atendimento.
O Samu 192 deve ser chamado em situações de urgência ou emergência, como desmaios, convulsões, dores intensas no peito, acidentes graves, atropelamentos, quedas com maior gravidade, queimaduras e outras condições que possam representar risco à vida ou provocar sequelas.
Aquisição já teve licitação homologada
O processo para compra das seis bicicletas foi aberto em agosto pela Prefeitura e teve como órgão demandante a Secretaria Municipal da Saúde.
Segundo o Portal de Compras de Fortaleza, a licitação foi realizada na modalidade de pregão eletrônico e teve o resultado homologado. O objeto prevê não somente as bicicletas profissionais, mas também os acessórios e equipamentos necessários à operação do Bike Vida.
Com a conclusão dessa etapa, falta agora a Prefeitura informar quando os novos equipamentos serão entregues e colocados em circulação, além dos horários em que as equipes atuarão.
A expectativa é que a modernização preserve a função original do projeto: fazer com que o primeiro atendimento chegue mais rapidamente a quem passar mal ou sofrer um acidente em uma das áreas mais movimentadas de Fortaleza, enquanto o restante da estrutura do Samu é mobilizado quando necessário.

