A cantora, compositora, dançarina e empreendedora Nick Sol morreu aos 38 anos, após complicações provocadas por uma hipertensão pulmonar. A artista cearense convivia desde a infância com uma hepatite autoimune e, nos últimos meses, havia enfrentado um agravamento do estado de saúde, passando por transplante e internação em Unidade de Terapia Intensiva (UTI). A morte foi comunicada neste sábado (19).
Criada no bairro Quintino Cunha, em Fortaleza, Nick construiu uma trajetória ligada principalmente ao funk e à cultura produzida nas periferias da Capital. O cortejo de despedida foi programado para sair do próprio bairro onde ela cresceu em direção ao Jardim do Éden, em Pacatuba, na Região Metropolitana de Fortaleza, onde seriam realizados o velório e o sepultamento.
Segundo as informações divulgadas sobre o quadro de saúde da artista, a condição se agravou após a intensa sequência de apresentações durante o Carnaval deste ano. Nick havia passado recentemente por um transplante e precisou permanecer internada em UTI.
Carreira começou ainda na adolescência
A relação de Nick Sol com a arte começou cedo. Ainda adolescente, ela atuou como dançarina em grupos e bandas de Fortaleza antes de se dedicar também ao canto e à composição.
Em seu próprio portfólio artístico, Nick se apresentava como uma artista plural: cantora, apresentadora, coreógrafa, figurinista, compositora, empreendedora e produtora. Nascida e criada no Quintino Cunha, ela relatava ter encontrado no funk, no trap e no hip-hop caminhos para construir uma identidade própria e viver profissionalmente da arte.
Ao longo dos anos, passou a misturar as bases desses gêneros com elementos do forró, piseiro, pop e axé, combinação que se tornou uma das marcas de seu trabalho.
Por mais de uma década, esteve à frente da Banda Nick Sol, projeto independente que reunia músicos, DJ, dançarinos, backing vocals e profissionais de produção. Além de cantar, Nick também participava da criação de figurinos, coreografias e da concepção dos espetáculos.
Artista ocupou diferentes palcos de Fortaleza
A trajetória de Nick Sol foi marcada pela presença em eventos culturais, festas populares e espaços importantes da cena artística cearense.
Ela passou por palcos como o Centro Cultural Bom Jardim, o Centro de Eventos do Ceará, a Expo Favela, a Taça das Favelas, a Parada pela Diversidade e diferentes polos do Carnaval de Fortaleza, incluindo o Mercado dos Pinhões e o Benfica.
A artista também participou, em 2023, de uma campanha da TV Verdes Mares.
Entre as músicas citadas como parte importante de sua produção estão “Ela Esculaxa”, “Meu Stylo” e “Tá Falando Mal de Mim”. Outros trabalhos também circularam nas plataformas digitais e nas apresentações da Banda Nick Sol.
Trabalho valorizava identidade periférica
A produção de Nick Sol esteve fortemente ligada ao território onde cresceu. Em vez de separar sua carreira da realidade da periferia de Fortaleza, a artista incorporou referências locais à música, aos figurinos, à dança e à estética de seus shows.
Seu projeto artístico buscava construir uma linguagem própria para o funk produzido no Ceará, combinando diferentes ritmos populares e reunindo profissionais de diversas áreas em torno da Banda Nick Sol.
Essa atuação fez com que ela circulasse tanto em grandes eventos quanto em equipamentos e projetos culturais voltados à valorização da produção periférica.
Despedida começa no bairro onde Nick cresceu
A escolha do Quintino Cunha como ponto de partida do cortejo de despedida reforça a ligação da cantora com o bairro onde cresceu e iniciou sua trajetória.
De lá, familiares, amigos e admiradores seguiriam para o Jardim do Éden, em Pacatuba, onde foram programados o velório e o sepultamento.
Nick Sol deixa uma trajetória construída entre a dança, a música e a produção cultural, com mais de uma década dedicada à Banda Nick Sol e presença constante em eventos que deram espaço ao funk e à produção artística das periferias de Fortaleza.

