A morte do professor Jeyres Pereira Nobre, de 55 anos, após passar mal durante um treino em uma academia de Fortaleza, nesta segunda-feira (14), elevou para oito o número de óbitos registrados em estabelecimentos do tipo na capital e na Região Metropolitana em pouco mais de um ano.
Jeyres era professor de optometria e proprietário de uma ótica no bairro Autran Nunes, administrada por ele e pela esposa havia 12 anos. Também atuava como professor do curso técnico em Ótica do Serviço Nacional de Aprendizagem Comercial do Ceará (Senac) desde 2003 e lecionava Óptica e Optometria na Faculdade Cruzeiro do Sul.
Testemunhas tentaram reanimá-lo com massagem cardíaca após o mal-estar. O Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) foi acionado, mas o professor não resistiu e morreu ainda no estabelecimento. A causa da morte será esclarecida após laudo da Perícia Forense.
O caso é investigado pela 21ª Delegacia de Polícia Civil de Fortaleza.
Oito mortes desde julho de 2025
A sequência de mortes em academias começou a chamar atenção a partir de julho do ano passado.
Em 13 de julho de 2025, o policial civil Francisco José Alves da Silva Júnior, de 47 anos, morreu enquanto treinava em uma academia de Fortaleza. Amigos relataram que ele sofreu um infarto.
Três meses depois, em 13 de outubro, Cristiano Silva Honorato, de 44 anos, morreu depois de sofrer um mal súbito em uma academia da rede Gaviões. A causa do óbito não foi divulgada.
Uma semana mais tarde, em 20 de outubro, Artur do Nascimento, de 45 anos, também morreu após passar mal durante um treino em outra unidade da mesma rede. A causa da morte também não foi informada.
No dia 25 daquele mês, a empresária Áurea Maria Rodrigues, de 45 anos, morreu durante uma aula de spinning em uma academia da rede Greenlife, em Maranguape, na Região Metropolitana de Fortaleza. Segundo familiares, ela sofreu um Acidente Vascular Cerebral (AVC).
Em dezembro, uma aluna morreu enquanto estava em uma unidade da Smart Fit localizada na Avenida Engenheiro Santana Júnior, no bairro Papicu. Ela recebeu os primeiros atendimentos, mas morreu no local.
Já em 22 de abril deste ano, o professor de Educação Física Renan Guedes morreu enquanto treinava em uma academia da rede MaxForma, no bairro Parreão. A causa da morte não foi divulgada.
O sétimo caso ocorreu em 21 de agosto, quando uma adolescente de 17 anos morreu depois de passar mal em uma academia no bairro João XXIII, em Fortaleza.
Com a morte de Jeyres Pereira Nobre, são oito ocorrências entre julho de 2025 e setembro deste ano.
Decon recomendou reforço nas medidas de segurança
A sequência de casos já havia levado o Programa Estadual de Proteção e Defesa do Consumidor (Decon), ligado ao Ministério Público do Ceará (MPCE), a recomendar que as academias de Fortaleza reforçassem as medidas destinadas à proteção dos alunos.
A orientação foi divulgada em abril, um dia depois da morte registrada em uma academia do bairro Parreão.
Entre as medidas recomendadas estão a exigência de atestado médico na matrícula, avaliação prévia dos alunos, acompanhamento por profissionais habilitados e adoção de protocolos para atendimento em situações de emergência.
A recomendação também alcança empresas que funcionam como intermediadoras de acesso às academias, a exemplo de plataformas como Gympass e TotalPass.
A sucessão de mortes também ampliou a discussão sobre a presença de desfibriladores externos automáticos (DEA) em academias e outros espaços destinados à prática de exercícios físicos. Entidades das áreas de Saúde e Direito defendem que os equipamentos estejam disponíveis nesses estabelecimentos e que profissionais sejam capacitados para agir diante de uma parada cardiorrespiratória.

