A Polícia Federal reuniu indícios de que Daniel Vorcaro, ex-controlador do Banco Master, sabia da existência da investigação que resultaria em sua prisão antes da deflagração da Operação Compliance Zero. Documentos da investigação detalham uma série de articulações do banqueiro nos dias que antecederam a ação policial e levantam suspeitas sobre um possível acesso antecipado a informações sigilosas.
Segundo a PF, Vorcaro demonstrava conhecer detalhes que deveriam estar restritos às autoridades responsáveis pela investigação, incluindo informações sobre o processo em andamento na Justiça Federal. Os investigadores, porém, ainda buscam esclarecer como esses dados chegaram até ele e se houve vazamento de informações.
O material ganhou relevância porque, justamente naquele período, Vorcaro se preparava para deixar o Brasil. O banqueiro acabou preso em novembro de 2025 quando estava no Aeroporto Internacional de Guarulhos, em São Paulo, e se preparava para embarcar em um avião particular com destino ao exterior.
Para a Polícia Federal, a sequência dos acontecimentos reforçou a necessidade da prisão naquele momento.
Articulações nos dias anteriores à prisão
A análise de celulares, mensagens e outros materiais apreendidos permitiu à PF reconstruir parte das movimentações de Vorcaro antes da operação.
As conversas mostram o banqueiro tentando compreender o avanço das investigações e mantendo contatos com diferentes interlocutores. A suspeita dos investigadores é de que Vorcaro já soubesse que medidas contra ele estavam próximas.
Entre os elementos analisados estão mensagens trocadas naquele período com autoridades e pessoas próximas ao banqueiro. O objetivo da PF é identificar se algum desses contatos pode explicar como informações protegidas por sigilo chegaram ao conhecimento de Vorcaro.
A existência das conversas, por si só, não comprova que as autoridades mencionadas tenham repassado informações sigilosas. A investigação procura justamente estabelecer a origem dos dados e as circunstâncias em que o banqueiro tomou conhecimento deles.
PF investiga possível rede de acesso a informações reservadas
As suspeitas não se limitam aos dias que antecederam a prisão. Outros elementos encontrados durante as investigações do caso Master indicam que pessoas ligadas a Vorcaro teriam conseguido acessar informações reservadas de órgãos públicos.
A Polícia Federal apura se o grupo mantinha uma estrutura capaz de obter antecipadamente dados sobre procedimentos, fiscalizações e investigações que envolviam o Banco Master e seus dirigentes.
Entre os pontos investigados estão acessos a informações de procedimentos do Ministério Público Federal, inclusive casos protegidos por sigilo. A apuração busca saber quem realizou as consultas, de que maneira elas foram feitas e se houve participação de servidores públicos.
Também estão sob investigação possíveis acessos a informações relacionadas ao Banco Central e a atuação de pessoas que poderiam ter favorecido interesses do Master dentro ou no entorno de instituições públicas.
Caso Master amplia pressão sobre relações de Vorcaro
As novas informações aprofundam uma das principais frentes da investigação sobre Daniel Vorcaro: a extensa rede de relações construída pelo banqueiro com empresários, políticos, autoridades e agentes públicos.
A Polícia Federal tenta estabelecer até que ponto esses contatos representavam apenas relações institucionais ou pessoais e em quais situações podem ter sido utilizados para obter vantagens ou informações privilegiadas.
O Banco Master está no centro de diferentes investigações envolvendo suspeitas de fraudes financeiras e operações consideradas irregulares pelas autoridades. Parte das apurações também alcança negócios e movimentações realizadas por pessoas e empresas ligadas a Vorcaro.
A retirada do sigilo de procedimentos relacionados ao caso tornou públicos novos documentos produzidos pela PF e ampliou a dimensão das investigações.
Agora, um dos pontos centrais é descobrir como Daniel Vorcaro conseguiu saber antecipadamente que estava sendo investigado e se preparando para uma operação policial — e, principalmente, se alguém de dentro das instituições públicas forneceu ao banqueiro informações que deveriam permanecer sob sigilo.

