Representantes da indústria e do agronegócio brasileiros participam, nesta segunda-feira (6), de uma audiência pública nos Estados Unidos para tentar impedir a adoção de novas tarifas sobre produtos exportados pelo Brasil. A reunião será realizada pelo Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos e faz parte das discussões sobre a proposta de sobretaxação de importações brasileiras.
A delegação brasileira reúne representantes da Confederação Nacional da Indústria, da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo, da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil e de diversos setores produtivos, como café, açúcar, arroz, etanol, papel, madeira, calçados, ferro-gusa, rochas ornamentais e máquinas.
O principal argumento apresentado é que a imposição de tarifas sobre matérias-primas brasileiras aumentaria os custos de produção da indústria norte-americana, elevando preços e pressionando a inflação nos Estados Unidos. O setor produtivo também sustenta que muitos produtos exportados pelo Brasil não possuem fornecedores locais capazes de atender à demanda do mercado americano.
Um dos temas mais sensíveis da audiência envolve o mercado de biocombustíveis. Entidades dos Estados Unidos defendem tarifas recíprocas para o etanol brasileiro, alegando concorrência desleal. Já os representantes do Brasil argumentam que o comércio entre os dois países beneficia ambos os mercados e que novas barreiras comerciais prejudicariam empresas dos dois lados.
A audiência integra a fase final de consultas antes da decisão do governo dos Estados Unidos sobre a adoção das novas tarifas. O governo brasileiro e o setor produtivo esperam que os argumentos técnicos apresentados contribuam para evitar o aumento das barreiras comerciais entre os dois países.

