Uma operação coordenada pelo Ministério Público do Ceará (MPCE) reforçou, nesta terça-feira (30), o combate ao crime organizado no Estado ao desarticular uma rede suspeita de atuar na comunicação entre chefes de facções presos e integrantes das organizações criminosas em liberdade. Ao todo, 11 advogados foram presos e uma investigada segue foragida, em São Paulo.
Batizada de Mensageiros do Crime, a ação também cumpriu mandados contra lideranças de facções criminosas e resultou no bloqueio de aproximadamente R$ 20 milhões em contas bancárias dos investigados, além da apreensão de veículos, celulares, notebooks, joias e outros bens.
Ao todo, a Justiça expediu 29 mandados de prisão e 29 de busca e apreensão, cumpridos em Fortaleza, Aquiraz, Caucaia, Itaitinga, Maracanaú, São Gonçalo do Amarante e na capital paulista. Desses, 17 mandados tiveram como alvo chefes de organizações criminosas, sendo 15 já custodiados na Unidade Prisional de Segurança Máxima do Ceará e dois em liberdade.
Segundo o MPCE, as investigações identificaram uma estrutura organizada que utilizava advogados para transmitir ordens dos líderes das facções para criminosos fora do sistema prisional. As mensagens tratavam de assuntos como reorganização das quadrilhas, expansão territorial, recrutamento de integrantes, aquisição de armas e tráfico de drogas.
A investigação teve início após autorização do Tribunal de Justiça do Ceará, em novembro de 2025, para captação de imagens e áudios nos parlatórios da unidade prisional de segurança máxima. A análise das conversas gravadas revelou indícios de que alguns profissionais extrapolavam o exercício da advocacia para atuar diretamente em favor das organizações criminosas.
Conforme o Ministério Público, os investigados mantinham contato frequente entre si, visitavam repetidamente os mesmos detentos e realizavam um número de atendimentos considerado incompatível com a rotina normal da atividade profissional, o que reforçou a hipótese da existência de uma rede estruturada de comunicação ilícita.
A operação representa mais um avanço das forças de segurança e dos órgãos de Justiça no enfrentamento ao crime organizado no Ceará. Nos últimos anos, o Estado tem intensificado ações integradas para enfraquecer a atuação das facções, interromper a comunicação de seus líderes e impedir que organizações criminosas continuem comandando atividades ilícitas a partir do sistema prisional.

