Hoje, 28 de junho, marca o Dia do Orgulho LGBTQIA+. A escolha da data faz homenagem à Revolta de Stonewall, uma série de protestos e confrontos da comunidade LGBTQIA+ ocorridas em Nova York no dia 28 de junho de 1969. O que na época foi uma resposta às batidas e violência policial agora é considerado um marco na luta por direitos civis.
Diante da comemoração, reunimos filmes com temáticas LGBT+ que podem ser acessados gratuitamente através da Tela Brasil, a nova plataforma de streaming do Governo Federal, lançada no dia 30 de maio. A lista é baseada na seleção de Bruno Vieira, que comanda o perfil Cinema LGBT no Instagram. Por lá, ele posta dicas e curiosidades da cinematografia queer.
Divinas Divas (2016)
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A história da primeira geração de artistas travestis do Brasil nos anos 1960 é resgatada no documentário Divinas Divas, que acompanha Rogéria, Jane Di Castro, Divina Valéria, Camille K, Fujika de Halliday, Eloína dos Leopardos, Marquesa e Brigitte de Búzios durante a montagem de um show que homenageia suas carreiras.
Dirigido por Leandra Leal, a produção retorna ao Teatro Rival – herança do seu avô, Américo Leal, e um dos primeiros palcos a abrigarem espetáculos de travestis no Rio de Janeiro – para investigar os perfis de cada uma das estrelas. Temas como o preconceito da família e da sociedade num tempo de repressões da ditadura militar também recebem holofote na obra.
Inabitável (2020)
O curta-metragem se passa pouco antes da pandemia da COVID-19, com Marilene procurando sua filha Roberta, uma mulher trans que está desaparecida em Recife. A trama se desenrola numa busca surpreendente, que une temas de ficção científica e da comunidade LBGT+.
Ao retratar a realidade de violências transfóbicas no Brasil – país que mais mata pessoas transexuais e travestis no mundo há quase 18 anos consecutivos –, Inabitável conquistou prêmios nacionais e internacionais, incluindo quatro troféus no Festival de Gramado e exibição de estreia internacional no prestigiado Sundance Film Festival.
O Órfão (2018)
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Inspirado em fatos reais, o curta conta a história de Jonathas, um menino adotado que é logo “devolvido” ao orfanato por causa do seu “jeito diferente”. O personagem, interpretado por Kauan Alvarenga, gosta de usar batom e vestidos, de forma que, é obrigado a retornar ao orfanato após os pais adotivos descobrirem seus hábitos.
O Órfão recebeu o Queer Palm de melhor curta-metragem no Festival de Cannes, sendo a primeira obra nacional a ganhar o troféu ao abordar assuntos como consequências da adoção tardia e identidade queer na infância.
Maria Luiza (2019)
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Primeira transexual reconhecida na história das Forças Armadas Brasileiras, Maria Luiza da Silva serviu por 22 anos na Força Aérea, sendo posteriormente aposentada por invalidez. O documentário explora a trajetória militar de Maria Luiza, seu processo para assumir a identidade feminina e a luta para ter seu nome e gênero reconhecidos numa instituição militar conservadora.
Carandiru (2003)
Apesar de não ser focado exclusivamente em temáticas LGBT+, o premiado filme dirigido por Héctor Babenco a partir do livro Estação Carandiru, de Drauzio Varella, retrata as histórias de diferentes detentos da extinta Casa de Detenção de São Paulo, conhecida como Carandiru.
A diversidade sexual e de gênero é um ponto importante da narrativa ao abordar a realidade do Pavilhão 5 ou “Rua das Flores”. Essa ala da prisão era habitada principalmente por travestis e homossexuais. A obra oferece um retrato emocionante sobre como o grupo lidava com o confinamento e as condições de vida insalubres da população carcerária.
Diversidade no cinema nacional
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O catálogo do recém lançado Tela Brasil tem mais de 500 obras do cinema nacional produzidas entre 1910 e 2025. Conta com filmes premiados, documentários, e títulos infantis reconhecidos nacional e internacionalmente. Provavelmente, mais produções voltadas à comunidade LGBTQIA+ devem ser inseridas ao longo do tempo.
“Ainda é bem pouco o número de obras com essa representação no novo streaming brasileiro, mas torcemos para que esse catálogo se amplie, e que seja adicionado na seção Diversidade da plataforma, um espaço para os curtas, docs, médias e longas com representatividade LBGTQIA+”, diz Bruno Vieira.
O cinéfilo traz outras recomendações que ainda não se encontram na Tela Brasil, mas que seriam valiosas num possível futuro acervo. Entre elas estão: O Menino e o Vento (1967), Madame Satã (2002), Tatuagem (2013), Hoje Eu Quero Voltar Sozinho (2014) e A Rainha Diaba (1974).

