Entidades das áreas da saúde, esporte e direito divulgaram, nesta terça-feira (12), uma nota técnica defendendo a obrigatoriedade da instalação de desfibriladores em academias, boxes de crossfit, estúdios de pilates e espaços similares em Fortaleza, independentemente do número de alunos atendidos.
A recomendação surge após o aumento de casos de mortes súbitas registrados nos últimos dois anos em academias e ambientes esportivos da Região Metropolitana de Fortaleza. Entre julho de 2025 e maio de 2026, ao menos seis mortes foram noticiadas pela imprensa cearense. O caso mais recente ocorreu em abril deste ano, quando um professor de hidroginástica de 31 anos morreu durante a prática de exercícios em uma academia no bairro Parreão.
O documento foi elaborado por representantes da Sociedade Brasileira de Cardiologia, Conselho Regional de Educação Física da 5ª Região, Associação Médica Cearense e Ordem dos Advogados do Brasil.
O Desfibrilador Externo Automático (DEA), equipamento utilizado em emergências cardíacas, custa em média R$ 10 mil e pode aumentar significativamente as chances de sobrevivência em casos de parada cardiorrespiratória. Segundo a presidente da Sociedade Brasileira de Cardiologia no Ceará, Caroline Medina, o uso imediato do aparelho pode elevar em até 50% o sucesso da reanimação.
“Se a parada cardíaca não for reconhecida rapidamente, a cada minuto a pessoa perde cerca de 10% de chance de sobreviver”, alertou a médica.
Além da instalação dos desfibriladores, a nota técnica recomenda:
- manutenção preventiva semestral dos equipamentos;
- sinalização adequada para fácil localização;
- treinamento obrigatório de funcionários em suporte básico de vida;
- atualização das capacitações a cada seis meses.
O documento também critica a legislação atual de Fortaleza, que exige desfibriladores apenas em espaços com circulação superior a 2 mil pessoas por dia. Para as entidades, a norma é insuficiente e deixa a maioria das academias fora da obrigatoriedade.
Na Câmara Municipal de Fortaleza, dois projetos de lei protocolados em 2025 já tratam da obrigatoriedade do equipamento e da capacitação de equipes, mas ainda não há previsão de votação.
Segundo o presidente da Comissão de Saúde e Direito Médico da OAB-CE, Ricardo Madeiro, academias concentram um risco maior para emergências cardiovasculares devido à prática intensa de exercícios físicos e à ausência, em muitos casos, de avaliação médica prévia dos alunos.
As entidades também demonstraram preocupação com o aumento do uso de anabolizantes e outras substâncias que podem elevar os riscos cardiovasculares entre pessoas mais jovens.

