Fortaleza registrou a primeira aplicação de polilaminina no Norte e Nordeste do Brasil, em um procedimento voltado à Medicina Regenerativa. A técnica, ainda em fase de pesquisa clínica, foi utilizada em uma paciente com lesão neurológica grave provocada por acidente de trânsito.
A polilaminina é uma tecnologia derivada da laminina, proteína presente naturalmente no organismo e importante para o desenvolvimento e a organização do sistema nervoso. A proposta da terapia é criar um ambiente mais favorável à regeneração neural, estimulando conexões celulares e processos de recuperação.
Segundo o neurocirurgião e cirurgião de coluna Lucas de Queiroz Chaves, responsável pelo acompanhamento do caso, o procedimento representa um marco para a inserção do Ceará em pesquisas de alta complexidade na área de neuroregeneração.
Atualmente, os principais estudos com a tecnologia estão voltados para casos de lesão medular traumática. Apesar dos resultados considerados promissores, a técnica ainda é experimental e exige indicação criteriosa, acompanhamento rigoroso e cautela científica.
O caso realizado em Fortaleza envolvia comprometimento funcional importante e contou com acompanhamento multidisciplinar. A identidade da paciente e a unidade hospitalar onde o procedimento ocorreu não foram divulgadas.
De acordo com o especialista, a expectativa da equipe é buscar ganho funcional, melhora da qualidade de vida e possível recuperação neurológica dentro dos limites permitidos pela ciência neste momento.
O médico também reforçou que terapias regenerativas devem ser apresentadas com responsabilidade, para evitar falsas expectativas em pacientes e familiares.
“A Medicina precisa avançar, mas sempre baseada em evidência científica, ética e transparência. O papel do médico é apresentar esperança com responsabilidade”, afirmou.
Para Lucas de Queiroz Chaves, tecnologias como a polilaminina podem abrir novas possibilidades para a reabilitação neurológica no Brasil, desde que futuros estudos confirmem segurança e eficácia em longo prazo

