O governo da Venezuela afirmou neste sábado (3) que ainda não foi informado sobre o paradeiro do presidente Nicolás Maduro após o anúncio de sua captura por forças dos Estados Unidos.
A declaração foi feita pela vice-presidente venezuelana, Delcy Rodríguez, durante pronunciamento em uma rádio do país. Ela exigiu que o governo americano apresente prova de vida imediata de Maduro e da primeira-dama Cilia Flores.
Exigência de prova de vida e ativação de planos de defesa
Segundo Delcy Rodríguez, o governo venezuelano não tem informações oficiais sobre o destino do presidente e de sua esposa após a operação anunciada por Washington.
“Diante dessa situação brutal e desse ataque, nós desconhecemos o paradeiro de Nicolás Maduro e da primeira-dama, Cilia Flores. Exigimos do governo Trump prova de vida imediata do presidente Maduro e da primeira-dama”, afirmou a vice-presidente.
Rodríguez não detalhou como ficará a condução do governo venezuelano a partir deste momento, mas informou que foram ativados todos os planos de defesa integral da nação, conforme decreto que, segundo ela, havia sido ordenado previamente por Maduro.
Mobilização popular e militar convocada pelo governo
Durante o pronunciamento, a vice-presidente afirmou que Maduro já havia alertado a população venezuelana sobre a possibilidade de uma ofensiva americana.
“O presidente Maduro já havia sido muito claro e advertido o povo venezuelano de que uma agressão dessa natureza, pelo desespero e de maneira energética dos Estados Unidos, podia acontecer”, declarou.
Segundo Rodríguez, a orientação do presidente foi direta e objetiva: mobilização total.
“Ele disse ao povo da Venezuela: povo nas ruas. Ativou as milícias e todos os planos. Deu ordens muito claras às Forças Armadas venezuelanas em perfeita fusão militar, popular e policial”, afirmou.
Anúncio de Trump sobre ataque e captura
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou neste sábado que forças americanas realizaram um ataque de grande escala contra a Venezuela e capturaram Nicolás Maduro.
A declaração foi feita em uma rede social. Segundo Trump, Maduro e sua esposa teriam sido retirados do país por via aérea após a operação, conduzida em conjunto com forças de segurança americanas.
“Os Estados Unidos da América realizaram com sucesso um ataque de grande escala contra a Venezuela e seu líder, o presidente Nicolás Maduro, que foi capturado, juntamente com sua esposa, e retirado do país por via aérea”, escreveu.
Trump não informou para onde o casal foi levado, mas afirmou que mais detalhes da operação seriam apresentados em uma coletiva de imprensa marcada para as 13h, horário de Brasília.
Explosões em Caracas e apagões na capital
Na madrugada deste sábado, uma série de explosões foi registrada em Caracas, capital da Venezuela.
De acordo com a Associated Press, ao menos sete explosões foram ouvidas em um intervalo de cerca de 30 minutos.
Moradores de diferentes bairros relataram:
Tremores em edifícios
Barulho intenso de aeronaves
Correria nas ruas
Queda de energia elétrica em parte da cidade
Os apagões ocorreram principalmente nas proximidades da base aérea de La Carlota, no sul da capital.
Vídeos divulgados nas redes sociais mostram colunas de fumaça saindo de instalações militares e aeronaves sobrevoando Caracas em baixa altitude.
Venezuela fala em agressão imperialista e declara emergência
Logo após o início dos ataques, o governo venezuelano divulgou um comunicado afirmando que o país estava sob ataque. Caracas não confirmou oficialmente a captura de Maduro, mas informou que o presidente havia convocado forças sociais e políticas para ativar planos de mobilização.
Segundo o texto, Maduro assinou um decreto que declara estado de Comoção Exterior em todo o território nacional.
“O presidente Nicolás Maduro assinou e ordenou a implementação do decreto que declara o estado de Comoção Exterior em todo o território nacional, para proteger os direitos da população, o pleno funcionamento das instituições republicanas e passar de imediato à luta armada”, diz o comunicado.
“O país deve se ativar para derrotar esta agressão imperialista.”
O governo venezuelano afirmou ainda que a operação americana teria como objetivo tomar recursos estratégicos, principalmente petróleo e minerais, além de impor uma “guerra colonial” e forçar uma “mudança de regime”.
Caracas declarou que se reserva ao direito de exercer legítima defesa e convocou governos da América Latina e do Caribe a se mobilizarem em solidariedade ao país.
Escalada de pressão dos EUA sobre Maduro
A pressão contra o governo venezuelano se intensificou a partir de agosto, quando os Estados Unidos elevaram para US$ 50 milhões a recompensa por informações que levassem à prisão de Nicolás Maduro.
Naquele período, Washington reforçou a presença militar no Mar do Caribe. Inicialmente, a Casa Branca afirmou que a mobilização tinha como objetivo combater o narcotráfico internacional. Posteriormente, autoridades americanas passaram a afirmar, sob anonimato, que o objetivo final seria derrubar o governo Maduro.
Em novembro, Trump e Maduro chegaram a conversar por telefone, mas, segundo a imprensa americana, as negociações não avançaram porque o presidente venezuelano teria resistido em deixar o poder.
No mesmo mês, os EUA classificaram o Cartel de los Soles como organização terrorista, acusando Maduro de liderar o grupo.
Ainda em novembro, a imprensa internacional informou que os Estados Unidos estavam prestes a iniciar uma nova fase de operações relacionadas à Venezuela.
Petróleo, bloqueios e apreensão de navios
Segundo o jornal The New York Times, os Estados Unidos têm interesse em assumir o controle das reservas de petróleo da Venezuela, consideradas as maiores do mundo.
Nas últimas semanas, militares americanos apreenderam navios petroleiros venezuelanos. Trump também determinou bloqueios a embarcações alvos de sanções e acusou Maduro de roubar os Estados Unidos.

