O Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR) propôs a aplicação de tarifas de 25% sobre uma ampla gama de produtos importados do Brasil, em mais um capítulo das tensões comerciais entre os dois países.
A medida foi anunciada na noite desta segunda-feira (1º) e faz parte de uma investigação conduzida com base na Seção 301 da Lei de Comércio dos Estados Unidos, instrumento utilizado pelo governo norte-americano para contestar práticas comerciais consideradas prejudiciais aos interesses do país.
Caso seja implementada, a taxação atingirá a maior parte das exportações brasileiras destinadas ao mercado americano. Alguns produtos considerados estratégicos, porém, ficariam fora da cobrança adicional, incluindo café, petróleo, minérios metálicos, determinadas frutas, castanhas, especiarias e carne bovina.
Governo Trump aponta seis áreas de conflito
No documento divulgado pelo USTR, o governo dos Estados Unidos sustenta que determinadas políticas brasileiras estariam criando obstáculos ao comércio e às empresas americanas.
Entre os principais pontos questionados estão as decisões judiciais brasileiras envolvendo plataformas digitais e redes sociais, regras relacionadas a meios de pagamento eletrônicos, acordos tarifários preferenciais firmados pelo Brasil com Índia e México, além de questões ligadas à proteção da propriedade intelectual, combate à corrupção, mercado de etanol e desmatamento ilegal.
Os americanos também criticam decisões da Justiça brasileira que determinaram a remoção de conteúdos e a suspensão de perfis em plataformas digitais, alegando que tais medidas afetam empresas sediadas nos Estados Unidos.
Consulta pública antecede decisão final
Apesar da proposta, as tarifas ainda não entrarão em vigor imediatamente.
O governo americano abriu um período de consultas públicas e audiências para discutir a medida com empresas, especialistas e representantes dos setores afetados.
Uma audiência pública está prevista para o dia 6 de julho. Já o prazo estabelecido para uma decisão definitiva é 15 de julho de 2026.
Até lá, Washington e Brasília deverão manter negociações diplomáticas na tentativa de evitar um agravamento da disputa comercial.
Produtos estratégicos ficam de fora
Embora a proposta preveja uma tarifa de 25% sobre grande parte das importações brasileiras, setores considerados estratégicos para os Estados Unidos foram excluídos da lista preliminar.
Entre eles estão produtos agrícolas e minerais de grande relevância para o comércio bilateral, como café, petróleo, minérios metálicos, algumas frutas, castanhas e especiarias.
A exclusão desses itens reduz parcialmente o impacto imediato sobre algumas das principais pautas exportadoras brasileiras.
Governo brasileiro já esperava novas medidas
Nos bastidores, o governo brasileiro já trabalhava com a possibilidade de novas sanções comerciais por parte da administração de Donald Trump.
A expectativa era de que os Estados Unidos recomendassem algum tipo de punição comercial sem necessariamente aplicá-la de forma imediata.
O anúncio ocorre em um momento de aumento das divergências entre Brasília e Washington em temas ligados à regulação das plataformas digitais, comércio eletrônico, sistema de pagamentos e questões ambientais.
Possíveis impactos para o Brasil
Caso a medida seja confirmada, especialistas avaliam que os efeitos poderão ser sentidos principalmente por setores industriais exportadores, que dependem do mercado norte-americano.
Além do impacto direto sobre empresas brasileiras, a proposta pode gerar aumento da insegurança para investidores, pressionar negociações comerciais e ampliar o ambiente de tensão diplomática entre os dois países.
Por outro lado, a abertura do período de consultas indica que ainda existe espaço para negociações antes de qualquer decisão definitiva do governo americano.
A expectativa agora se concentra nas próximas semanas, quando representantes dos dois países deverão intensificar o diálogo para tentar evitar a adoção das chamadas “medidas corretivas” previstas pelo USTR.

