O Ministério da Saúde vai anunciar nesta quarta-feira (21) um novo protocolo nacional para rastreamento do câncer colorretal no Sistema Único de Saúde (SUS). A principal mudança é a adoção do Teste Imunoquímico Fecal (FIT, na sigla em inglês) como exame de referência para homens e mulheres sem sintomas entre 50 e 75 anos.
O anúncio será feito pelo ministro da Saúde, Alexandre Padilha, durante agenda oficial em Lyon.
A expectativa do governo federal é ampliar o acesso ao diagnóstico precoce e à prevenção para mais de 40 milhões de brasileiros. Atualmente, o câncer colorretal é o segundo tipo mais frequente no país, desconsiderando os tumores de pele não melanoma.
Segundo estimativa do Instituto Nacional de Câncer, o Brasil deve registrar cerca de 53,8 mil novos casos por ano entre 2026 e 2028.
Como funciona o novo exame
O FIT é um exame de fezes capaz de detectar pequenas quantidades de sangue oculto, invisíveis a olho nu, que podem indicar pólipos, lesões pré-cancerígenas ou câncer no intestino.
Diferentemente dos métodos antigos, o teste utiliza anticorpos específicos para identificar sangue humano, aumentando a precisão do rastreamento.
A coleta pode ser feita em casa. O paciente recebe um kit e utiliza uma pequena haste para retirar uma amostra das fezes, que depois é enviada para análise laboratorial.
Entre as principais vantagens do exame estão:
• não exige preparo intestinal;
• dispensa dietas restritivas antes da coleta;
• necessita de apenas uma amostra;
• é menos invasivo;
• apresenta maior adesão da população.
De acordo com o Ministério da Saúde, o FIT tem sensibilidade entre 85% e 92% para identificar alterações suspeitas.
Colonoscopia continua sendo fundamental
Caso o exame apresente resultado positivo, o paciente será encaminhado para exames complementares, principalmente a colonoscopia, considerada o padrão-ouro na avaliação do intestino.
O procedimento permite visualizar diretamente o cólon e o reto, além de possibilitar a retirada de pólipos antes que evoluam para câncer.
O oncologista Stephen Stefani, da Oncoclínicas e da Americas Health Foundation, explica que o exame já é utilizado em programas internacionais de rastreamento e ajuda a reduzir a mortalidade ao ampliar o diagnóstico precoce.
Segundo ele, o FIT também é mais acessível e mais viável economicamente do que realizar colonoscopia em toda a população assintomática.
O especialista destaca ainda que um resultado positivo não significa necessariamente câncer. Hemorroidas, inflamações intestinais e outras condições benignas também podem provocar sangramentos detectados pelo teste.
Da mesma forma, um exame negativo não elimina totalmente o risco da doença, já que algumas lesões podem não sangrar naquele momento.
Por isso, as diretrizes internacionais recomendam repetir o rastreamento periodicamente, geralmente todos os anos ou a cada dois anos.
Desafio será garantir atendimento rápido
Especialistas alertam que a eficácia do programa dependerá não apenas da oferta do exame, mas também da capacidade do SUS de garantir continuidade no atendimento.
“O que reduz a mortalidade não é só o exame, mas cuidar corretamente do paciente quando há necessidade de continuar a investigação”, afirmou Stephen Stefani.
Quem deve fazer o rastreamento
O novo protocolo será voltado para pessoas sem sintomas entre 50 e 75 anos.
Pacientes com sinais de alerta, como sangue nas fezes, anemia, perda de peso sem explicação, alteração persistente do hábito intestinal ou dores abdominais, devem procurar atendimento médico independentemente da idade.
Pessoas com histórico familiar de câncer colorretal, doenças inflamatórias intestinais ou síndromes genéticas também podem precisar iniciar o acompanhamento mais cedo, conforme avaliação médica.
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