A prisão da cearense Amanda Maria Souza de Oliveira, de 37 anos, em Santa Catarina, trouxe à tona uma trajetória marcada por denúncias, mudanças de identidade, alegações de abuso e passagens por serviços de saúde mental no Ceará.
Investigada pelos crimes de estelionato e falsa identidade após se passar por uma menina de 12 anos para ser acolhida por uma família catarinense, Amanda já havia protagonizado episódios semelhantes no Ceará há mais de uma década.
Segundo informações da defensora pública Yamara Alves Lavor Viana, que atuava como delegada da Polícia Civil à época dos fatos, Amanda foi internada em pelo menos duas unidades psiquiátricas de Fortaleza e também recebeu acompanhamento em um Centro de Atenção Psicossocial (Caps) no município de Horizonte.
Em 2010, quando tinha 22 anos, Amanda procurou a Delegacia de Defesa da Mulher de Fortaleza afirmando ter apenas 12 anos de idade. Na ocasião, denunciou os pais por supostos abusos sexuais, agressões físicas e pela prática de rituais que envolveriam a introdução de agulhas e outros objetos em seu corpo.
As denúncias deram origem a uma investigação policial. Testemunhas, vizinhos e familiares foram ouvidos, mas os relatos colhidos divergiam das acusações apresentadas por Amanda.
Os pais negaram todas as acusações e apresentaram documentos comprovando que a filha era maior de idade. Eles também informaram às autoridades que ela possuía histórico de transtornos psiquiátricos e já havia passado por tratamentos especializados.
Um dos elementos que mais chamou atenção na época foi um exame de raio-X que identificou a presença de agulhas e até mesmo uma chave dentro do corpo da mulher. A origem dos objetos nunca foi esclarecida de forma definitiva.
A Secretaria da Segurança Pública e Defesa Social do Ceará informou que também foram registrados procedimentos policiais envolvendo Amanda nos anos de 2008, 2010 e 2018. Em uma das ocorrências mais recentes, ela utilizou nomes e informações divergentes sobre sua identidade, alegando novamente ser vítima de exploração sexual e maus-tratos.
As investigações, entretanto, não conseguiram confirmar as informações apresentadas. Diante da ausência de provas e da impossibilidade de comprovar a identidade das pessoas citadas, os procedimentos acabaram sendo arquivados pela Justiça.
Caso em Santa Catarina
A repercussão nacional ocorreu após Amanda ser presa em Santa Catarina por fingir ser uma adolescente de 12 anos e permanecer durante cerca de 14 meses acolhida por uma família.
De acordo com as investigações, ela se aproximou inicialmente por intermédio de um pastor, afirmando ter 18 anos e estar em busca de trabalho. Com o passar do tempo, mudou a versão da própria história, alegando ter apenas 11 anos e ser vítima de abusos.
Sensibilizada pelos relatos, a família decidiu acolhê-la em casa.
A fraude foi descoberta posteriormente, levando à abertura de investigação por falsa identidade e estelionato. Após audiência de custódia, a prisão foi convertida em preventiva.
Outro episódio semelhante ocorreu em 2023, quando Amanda deu entrada no Hospital Infantil Joana de Gusmão, em Florianópolis, apresentando-se como adolescente. Durante exames realizados na unidade, médicos identificaram novamente a presença de diversas agulhas em seu corpo.
Exame de sanidade mental
Diante do histórico apresentado ao longo dos anos, a defesa informou que Amanda será submetida a exames de sanidade mental.
A avaliação deverá auxiliar a Justiça a compreender se existe algum transtorno psiquiátrico relacionado aos comportamentos observados em diferentes momentos de sua trajetória, incluindo a adoção recorrente de identidades falsas e as denúncias que não puderam ser comprovadas pelas autoridades.
O caso segue sob investigação em Santa Catarina.

