O presidente da Argentina, Javier Milei, voltou a fazer ataques ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) em meio à crise diplomática entre os dois países. Durante um evento político, Milei chamou o presidente brasileiro de “ladrão”, “corrupto” e “presidiário”, além de voltar a criticar o governo brasileiro e o Supremo Tribunal Federal (STF).
As novas declarações ocorrem poucos dias após o discurso de Milei na convenção nacional do PL, em São Paulo, quando ele também fez críticas a Lula e ao ministro Alexandre de Moraes. As falas provocaram forte reação do governo brasileiro e levaram o Itamaraty a convocar o embaixador da Argentina em Brasília para prestar esclarecimentos, além de chamar o embaixador brasileiro em Buenos Aires para consultas, um gesto considerado grave nas relações diplomáticas.
Segundo o governo brasileiro, as declarações representam uma afronta ao chefe de Estado, às instituições democráticas e configuram uma interferência em assuntos internos do país. A chancelaria brasileira afirmou que episódios dessa natureza são incompatíveis com a tradição de diálogo e cooperação entre Brasil e Argentina.
Apesar da escalada da tensão, Milei manteve o tom das críticas e não sinalizou qualquer pedido de desculpas. Integrantes do governo argentino afirmaram que as declarações refletem diferenças ideológicas entre os dois presidentes e descartaram um recuo oficial.
A relação entre Lula e Milei já era marcada por divergências desde a campanha presidencial argentina de 2023. Nos últimos dias, porém, o conflito ganhou uma dimensão diplomática inédita, com reflexos nas relações entre os dois governos, embora autoridades dos dois países afirmem que os laços comerciais e institucionais serão preservados.

