O senador Flávio Bolsonaro passou a enfrentar questionamentos após admitir ter buscado financiamento junto ao empresário Daniel Vorcaro para a produção do filme Dark Horse, cinebiografia sobre o ex-presidente Jair Bolsonaro. A declaração contrasta com falas feitas pelo parlamentar há cerca de dois meses, quando negou qualquer contato com o então dono do Banco Master.
Em março deste ano, após vir à tona que o número de Flávio aparecia na agenda pessoal de Vorcaro em documentos ligados à CPI do INSS, o senador afirmou que nunca havia tido relação com o banqueiro.
“O número do meu telefone não é propriamente um segredo”, declarou na ocasião, sugerindo que terceiros poderiam ter compartilhado seu contato.
Nesta quarta-feira (13), porém, Flávio reconheceu publicamente que conheceu Vorcaro em dezembro de 2024 e confirmou que buscou recursos privados para financiar o longa-metragem sobre o pai.
Segundo o senador, o objetivo era captar investimentos para uma produção privada, sem utilização de dinheiro público.
“No nosso caso, o que aconteceu foi um filho procurando patrocínio privado para um filme privado sobre a história do próprio pai”, afirmou em nota.
As novas declarações ocorreram após o site Intercept Brasil divulgar mensagens, áudios e documentos que apontam repasses milionários ligados ao filme Dark Horse. As informações indicam que Daniel Vorcaro teria destinado cerca de R$ 61 milhões à produção, valor confirmado posteriormente pela Folha de S.Paulo.
As conversas reveladas mostram Flávio cobrando pagamentos atrasados para a continuidade do projeto. Em um dos áudios divulgados, o senador relata preocupação com compromissos financeiros ligados à reta final da produção.
“Está em um momento muito decisivo aqui do filme. Tem muita parcela para trás, está todo mundo tenso”, afirma em trecho da gravação.
Outra mensagem atribuída a Flávio e divulgada pelo Intercept foi enviada em novembro de 2025, um dia antes da prisão de Vorcaro. Nela, o senador escreve:
“Irmão, estou e estarei contigo sempre.”
Daniel Vorcaro foi preso no âmbito da Operação Compliance Zero, que investiga fraudes bilionárias relacionadas ao Banco Master. O banco acabou liquidado após intervenção do Banco Central.
A assessoria de Flávio Bolsonaro foi procurada para explicar a divergência entre as declarações dadas em março e a admissão feita agora, mas não respondeu até a publicação da reportagem original da Folha.

