Fortaleza será ponto de partida de uma nova expedição científica internacional dedicada à exploração do oceano profundo brasileiro. O navio oceanográfico “R/V Falkor (Too)”, ligado ao Schmidt Ocean Institute, iniciou operações na capital cearense e zarpa neste domingo (17) para uma missão que vai estudar a biodiversidade marinha, mapear o fundo do oceano e investigar possíveis espécies ainda desconhecidas pela ciência.
A operação segue até 15 de junho e reúne cerca de 20 pesquisadores brasileiros e estrangeiros, entre professores universitários e estudantes. O foco principal da missão será o Cânion Amazônico e áreas profundas da costa brasileira.
Batizada de “Correntes de turbidez no Cânion Amazônico: impactos no fundo do mar, ecossistemas bentônicos e fluxo de carbono”, a pesquisa busca compreender como processos submarinos influenciam a formação geológica do oceano, o armazenamento de carbono e a biodiversidade marinha.
Além das análises biológicas, a expedição integra o projeto internacional Seabed 2030, iniciativa que pretende mapear todo o fundo oceânico do planeta em alta resolução até o fim da década.
Segundo os pesquisadores, a missão pode revelar formas de vida ainda não catalogadas e ampliar o conhecimento sobre ecossistemas profundos pouco explorados no Atlântico Sul.
O professor Ronaldo Christofoletti, da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), explicou que parte do material produzido será compartilhado com estudantes da rede pública e privada por meio do programa federal Escola Azul.
A proposta inclui visitas virtuais ao navio e conversas online com cientistas durante a viagem.
“Queremos aproximar os jovens da ciência oceânica e mostrar como o oceano influencia diretamente a vida das pessoas”, destacou o pesquisador.
Os dados coletados ao longo dos 35 dias de missão serão incorporados ao Censo do Oceano, plataforma global voltada ao registro de espécies marinhas e à ampliação do conhecimento científico sobre os oceanos.
A expectativa é que as informações auxiliem futuras políticas ambientais, ações de preservação marinha e estudos sobre mudanças climáticas.
Entre os equipamentos utilizados está um robô submarino autônomo com capacidade para mergulhar até 6,5 mil metros de profundidade. O equipamento possui câmeras de alta resolução e sistemas capazes de coletar sedimentos, organismos marinhos e imagens do fundo oceânico.
O professor Ângelo Bernardino, da Universidade Federal do Espírito Santo (UFES), afirmou que a região pesquisada possui estruturas geológicas ativas e pode apresentar biodiversidade bastante diferente da encontrada em outras áreas do oceano.
“A gente espera encontrar formas de vida associadas a essas estruturas geológicas profundas e compreender melhor a importância desses ambientes para o equilíbrio climático e ecológico”, afirmou.
A expedição ocorre em um momento simbólico para a pauta ambiental, entre o Dia Mundial do Meio Ambiente, celebrado em 5 de junho, e o Dia Mundial dos Oceanos, comemorado em 8 de junho.
Interessados poderão acompanhar parte das operações submarinas ao vivo pelo canal oficial do Schmidt Ocean Institute no YouTube.

