Uma megaoperação da Polícia Civil do Ceará (PC-CE) contra integrantes do Comando Vermelho cumpriu 100 mandados de prisão preventiva nesta quinta-feira (17), em Fortaleza e outros 13 municípios do Estado. A ofensiva também resultou no bloqueio de cerca de R$ 73 milhões em bens e valores relacionados aos investigados.
Batizada de Operação Impacto X, a ação é a décima fase de uma série de operações voltadas ao enfrentamento de organizações criminosas no Ceará. Os alvos são investigados por envolvimento em crimes como homicídios, tráfico de drogas, roubos, extorsões e ameaças.
Dos 100 mandados de prisão cumpridos, 39 atingiram pessoas que estavam em liberdade e 61 foram executados contra investigados que já se encontravam no sistema prisional.
Ao todo, a Justiça havia expedido 147 mandados de prisão relacionados à investigação. A Polícia Civil continua trabalhando para localizar os demais alvos.
Operação mobilizou cerca de 350 policiais
A Impacto X mobilizou aproximadamente 350 policiais civis, principalmente equipes do Departamento de Repressão ao Crime Organizado (DRCO) e da Delegacia de Repressão às Ações Criminosas Organizadas (Draco).
Além das prisões, foram cumpridos 112 mandados de busca e apreensão. Durante as diligências, os agentes recolheram mais de 30 aparelhos celulares, drogas e veículos. Em Fortaleza, dois investigados também foram presos em flagrante por tráfico após a localização de cocaína e crack.
Também foram realizadas diligências em unidades prisionais localizadas no Piauí e em Santa Catarina.
Operação ocorreu em 14 municípios
As ordens judiciais foram cumpridas em diferentes regiões do Ceará. A ação alcançou:
- Fortaleza;
- Pacatuba;
- Maracanaú;
- Caucaia;
- Aquiraz;
- Paracuru;
- Cascavel;
- Umirim;
- Itarema;
- Morada Nova;
- Baturité;
- Tauá;
- Quixadá;
- Juazeiro do Norte.
A abrangência da operação reflete, segundo a Polícia Civil, a presença de integrantes da organização criminosa em diferentes regiões do Estado.
Investigação começou após prisão de liderança do CV
As investigações que levaram à operação começaram em dezembro de 2024, depois da prisão de uma liderança do Comando Vermelho no bairro Cidade 2000, em Fortaleza.
Com autorização judicial, os policiais analisaram celulares apreendidos com o suspeito e encontraram uma extensa rede de contatos ligada à facção.
A partir dos dados dos aparelhos, a Draco passou a identificar outros integrantes e a mapear como o grupo se organizava no Ceará. A apuração durou aproximadamente um ano e meio e chegou a 147 pessoas apontadas como integrantes da organização criminosa.
Redes sociais e aplicativos eram usados para organizar crimes
A investigação revelou que integrantes do Comando Vermelho utilizavam grupos em aplicativos de mensagens e perfis nas redes sociais para coordenar atividades criminosas.
Segundo a Polícia Civil, nesses espaços eram discutidos temas relacionados ao tráfico de drogas, planejamento de homicídios, extorsões, controle de territórios, arrecadação de dinheiro e até rituais de ingresso de novos integrantes na facção, conhecidos como “batismos”.
Os investigadores identificaram uma divisão interna de tarefas.
O setor ligado ao tráfico de drogas era identificado pelo código “33”, referência ao artigo da Lei de Drogas que trata do tráfico.
Já a área ligada aos homicídios utilizava o código “121”, em referência ao artigo do Código Penal que tipifica esse crime.
Outra frente era chamada de “contenção”. Seus integrantes seriam responsáveis por garantir o domínio da facção sobre determinados territórios e também participar da arrecadação financeira.
Facção cobrava “caixinha” de integrantes
A Polícia Civil também identificou a cobrança da chamada “caixinha”, contribuição financeira paga periodicamente por integrantes do grupo criminoso.
De acordo com a investigação, os recursos eram utilizados para sustentar atividades da organização.
As conversas encontradas nos aparelhos também continham referências a cobranças feitas a comerciantes e moradores, além do planejamento de extorsões e outras ações para manter o domínio territorial do grupo.
Justiça bloqueia milhões dos investigados
Além de retirar integrantes da facção de circulação, a operação buscou atingir a estrutura financeira do grupo.
Por determinação judicial, foram bloqueados aproximadamente R$ 73 milhões em contas, bens e valores associados aos investigados. Algumas atualizações da operação apontam o bloqueio em cerca de R$ 73,5 milhões.
O bloqueio patrimonial faz parte de uma estratégia das forças de segurança para atingir não apenas os integrantes responsáveis diretamente por crimes violentos, mas também os recursos utilizados para financiar as atividades da organização.
Investigação continua
Segundo o delegado-geral da Polícia Civil do Ceará, Márcio Gutierrez, a operação teve como foco pessoas apontadas como integrantes da facção e envolvidas diretamente em crimes violentos.
A Polícia Civil afirma que as investigações continuarão tanto para localizar os alvos que ainda não foram presos quanto para analisar celulares e outros materiais apreendidos durante as buscas.
Os dados encontrados nos aparelhos poderão ajudar a identificar outros integrantes, novas conexões financeiras e eventuais crimes ainda não esclarecidos.
Os presos são investigados e ainda não foram condenados pelos fatos apurados nesta operação. As responsabilidades individuais deverão ser definidas durante o andamento das investigações e dos processos judiciais.

