Fabiano Zettel, cunhado do ex-banqueiro Daniel Vorcaro, e outras pessoas ligadas ao caso Banco Master transferiram quase R$ 20 milhões para a Igreja Batista da Lagoinha Belvedere, em Belo Horizonte. As movimentações constam de relatórios do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) que tiveram o sigilo retirado pelo Supremo Tribunal Federal (STF) nesta segunda-feira (14).
Zettel foi responsável pela maior parte dos recursos. Segundo o Coaf, ele realizou 26 transferências para a igreja, que somaram R$ 19,2 milhões. O empresário, cunhado de Vorcaro e ex-pastor da unidade da Lagoinha no bairro Belvedere, foi preso pela Polícia Federal no âmbito das investigações relacionadas ao Banco Master. A igreja foi fechada semanas depois da prisão.
O relatório também identificou sete transferências feitas por Fabíola de Almeida Macedo Vorcaro, ex-mulher de Daniel Vorcaro, no valor total de R$ 101,6 mil. Henrique Moura Vorcaro, pai do ex-banqueiro, realizou outros quatro repasses, que somaram R$ 120 mil.
Luiz Phillipi Machado de Moraes Mourão, conhecido como “Sicário”, também aparece entre os responsáveis por depósitos na conta da instituição. Foram 11 transferências, totalizando R$ 22 mil. Ele era apontado pela Polícia Federal como integrante da estrutura ligada ao grupo investigado.
Conta movimentou R$ 57,1 milhões em um ano
O volume total de recursos que passou pela conta da Lagoinha Belvedere chamou a atenção do Coaf. Entre dezembro de 2024 e dezembro de 2025, foram movimentados aproximadamente R$ 57,1 milhões, sendo R$ 28,5 milhões em entradas e R$ 28,6 milhões em saídas.
O montante é considerado incompatível com o perfil financeiro informado pela instituição. No cadastro bancário, a igreja possuía faturamento anual presumido de R$ 950 mil. A grande diferença entre a receita estimada e o volume efetivamente movimentado levou o banco a comunicar as operações ao Coaf.
Os valores praticamente equivalentes de entradas e saídas também despertaram a atenção dos investigadores para a possibilidade de a conta ter sido utilizada como uma espécie de “conta de passagem”, por onde recursos entrariam e seriam rapidamente direcionados a outros destinatários. Entre os beneficiários identificados aparecem construtoras e incorporadoras, que receberam cerca de R$ 4,9 milhões.
A Lagoinha Global afirmou anteriormente que não tinha conhecimento prévio da dimensão das movimentações realizadas na unidade do Belvedere e ressaltou que as igrejas locais possuem autonomia financeira. A organização declarou ainda que pretende colaborar com as autoridades nas investigações.

