Daniel Vorcaro, ex-controlador do Banco Master, gastou cerca de US$ 5,5 milhões em serviços de turismo de luxo ao longo de um ano, segundo documentos que passaram a integrar as investigações sobre o banqueiro. O material detalha despesas com viagens internacionais, hospedagens de alto padrão, transporte privado e serviços exclusivos.
Nos registros, Vorcaro é descrito como um cliente assíduo e com “elevado nível de exigências”. As informações ajudam a revelar o padrão de vida mantido pelo empresário enquanto o Banco Master já enfrentava dificuldades e passava a ser acompanhado mais de perto por órgãos de fiscalização.
Os documentos fazem parte do conjunto de informações analisado pelas autoridades nas investigações envolvendo Vorcaro e suas relações financeiras e empresariais.
Viagens de alto padrão
As despesas mostram uma rotina marcada por serviços voltados ao segmento mais exclusivo do turismo. Vorcaro recorria a empresas especializadas em organizar viagens personalizadas, hospedagens sofisticadas e experiências de alto custo.
Os valores chamaram a atenção dos investigadores não apenas pelo montante, mas também pela frequência das contratações.
A documentação sobre turismo de luxo se soma a outros registros já conhecidos sobre os gastos pessoais de Vorcaro. Investigações anteriores revelaram despesas milionárias com viagens internacionais, eventos privados, aeronaves, embarcações e hotéis de alto padrão.
Em junho, documentos entregues às autoridades por uma agência especializada em turismo de luxo já haviam revelado faturas milionárias relacionadas ao empresário. Parte desses gastos passou a ser analisada pela Polícia Federal dentro das diferentes frentes de investigação sobre o grupo ligado ao Master.
Gastos entram no radar das investigações
As despesas pessoais de Vorcaro ganharam relevância porque a Polícia Federal tenta reconstruir a circulação de recursos ao redor do empresário, identificando quem pagava determinadas contas, quem participava das viagens e se alguns benefícios foram oferecidos a autoridades ou pessoas com influência sobre assuntos de interesse do Banco Master.
Outros documentos tornados públicos indicam que Vorcaro também teria custeado viagens e despesas de pessoas com atuação em órgãos públicos.
A PF apontou, por exemplo, que o banqueiro financiou viagens internacionais de servidores do Banco Central investigados por possível favorecimento ao Master. As defesas negam irregularidades e sustentam que os pagamentos tinham justificativas lícitas.
Também surgiram registros de viagens, eventos e disponibilização de meios de transporte para autoridades e pessoas próximas ao banqueiro. A existência desses benefícios, porém, não significa automaticamente que tenham ocorrido contrapartidas ilegais, ponto que ainda é objeto das investigações.
Padrão de luxo já havia chamado atenção
Os US$ 5,5 milhões registrados em um único ano representam apenas parte das despesas atribuídas a Vorcaro.
Levantamentos anteriores baseados em documentos de agências especializadas indicaram gastos muito maiores ao longo de vários anos, envolvendo destinos internacionais, iates, jatos particulares, hotéis de luxo e eventos privados. Uma das apurações apontou despesas de aproximadamente US$ 170 milhões entre 2021 e 2024.
Em outra frente, documentos entregues ao STF detalharam milhões de dólares em faturas de serviços de luxo contratados pelo empresário.
O padrão de consumo passou a ser analisado em conjunto com a movimentação financeira de empresas, fundos e pessoas próximas a Vorcaro.
Caso Master continua revelando novas ramificações
A investigação sobre o Banco Master deixou de se limitar às operações financeiras da instituição. A Polícia Federal passou a apurar também uma extensa rede de relações mantida por Vorcaro com empresários, políticos, autoridades e agentes públicos.
As novas revelações sobre as viagens ajudam os investigadores a reconstruir essa rede e a identificar quem acompanhava o banqueiro, quem recebeu benefícios e de onde saíram os recursos utilizados para bancar despesas milionárias.
O objetivo agora é separar gastos estritamente pessoais e lícitos daqueles que possam ter ligação com negócios investigados, eventuais favorecimentos ou movimentações financeiras suspeitas.
As apurações ainda estão em andamento, e a divulgação dos valores gastos com turismo de luxo, isoladamente, não representa prova de crime.

