Mais de 23 milhões de brasileiros ainda têm dinheiro esquecido em bancos e outras instituições financeiras. Dados atualizados pelo Banco Central (BC) mostram que R$ 5,65 bilhões permaneciam disponíveis para resgate em julho deste ano por pessoas físicas e empresas.
Do total, cerca de R$ 4,25 bilhões pertencem a 23,6 milhões de pessoas físicas. Outros R$ 1,4 bilhão estão disponíveis para aproximadamente 2,2 milhões de empresas.
O dinheiro pode ser consultado gratuitamente por meio do Sistema de Valores a Receber (SVR), ferramenta criada pelo Banco Central para permitir a recuperação de recursos que ficaram parados em instituições financeiras.
Valor disponível voltou a crescer
O montante disponível para resgate aumentou cerca de 10% entre junho e julho. Em junho, havia aproximadamente R$ 5,12 bilhões no sistema. Um mês depois, o saldo chegou a R$ 5,65 bilhões.
Mesmo com a alta, o volume é significativamente menor do que o registrado no início do ano. Em março, os valores disponíveis chegavam a quase R$ 10,6 bilhões. Parte dos recursos foi posteriormente direcionada ao Fundo Garantidor de Operações (FGO), como garantia para o Novo Desenrola, programa federal de renegociação de dívidas.
Desde a criação do sistema, aproximadamente R$ 16,2 bilhões já foram devolvidos. Desse montante, R$ 11,9 bilhões foram recuperados por pessoas físicas e cerca de R$ 4,2 bilhões por empresas.
Maioria tem até R$ 10 para receber
Embora o valor total seja bilionário, a maior parte das pessoas e empresas possui pequenas quantias disponíveis.
Dados do Banco Central mostram que 69,4% dos beneficiários têm entre R$ 0,01 e R$ 10 para receber. Outros 19% possuem valores entre R$ 10,01 e R$ 100, enquanto 9,3% têm de R$ 100,01 a R$ 1 mil. Apenas 2,2% têm mais de R$ 1 mil disponíveis.
Os recursos podem ter diferentes origens, como saldos de contas encerradas, tarifas cobradas indevidamente, parcelas de operações de crédito, cotas de cooperativas, recursos de consórcios encerrados e outros valores reconhecidos pelas instituições como devidos aos clientes.
Como saber se você tem dinheiro esquecido
A consulta deve ser feita exclusivamente pelo Sistema de Valores a Receber do Banco Central.
Sistema de Valores a Receber do Banco Central
Pelo sistema, é possível verificar a existência de recursos vinculados a pessoas físicas, empresas e também a pessoas falecidas.
Para acessar os detalhes e solicitar a devolução, o usuário deve entrar no SVR com uma conta Gov.br de nível prata ou ouro e, para determinadas funcionalidades, manter a verificação em duas etapas ativada.
Resgate pode ser feito por Pix
Quando a instituição permite a devolução pelo próprio sistema, o usuário informa uma chave Pix para receber o dinheiro.
Caso não exista essa opção, será necessário entrar em contato diretamente com a instituição indicada pelo Banco Central e combinar a forma de pagamento.
O BC também disponibiliza a solicitação automática de valores a receber. A adesão é opcional e permite que futuros recursos sejam depositados sem que o cidadão precise entrar novamente no sistema para fazer um novo pedido.
A modalidade automática é exclusiva para pessoas físicas e exige uma chave Pix vinculada ao CPF. Quando surgir um novo valor, a instituição participante poderá fazer o crédito diretamente na conta. Instituições que não aderiram à devolução automática continuam exigindo solicitação manual. A regra também se aplica a valores provenientes de contas conjuntas.
Herdeiros também podem consultar valores
O SVR permite ainda verificar recursos deixados por pessoas que já morreram. Nesse caso, o acesso é destinado a herdeiros, testamentários, inventariantes ou representantes legais.
O responsável precisa aceitar um termo de responsabilidade e, após identificar onde está o dinheiro, entrar em contato com a instituição financeira para conhecer a documentação e os procedimentos exigidos para a devolução.
Banco Central alerta para golpes
A consulta ao Sistema de Valores a Receber é gratuita. Por isso, é preciso desconfiar de mensagens, sites ou pessoas que cobrem taxas para localizar ou liberar supostos recursos.
O cidadão deve utilizar somente o endereço oficial do Banco Central e evitar clicar em links enviados por WhatsApp, SMS, e-mail ou redes sociais prometendo a liberação imediata de dinheiro.
Também não é necessário pagar qualquer valor para ter acesso ao serviço. A existência de bilhões de reais ainda disponíveis para resgate costuma ser explorada por golpistas para criar páginas falsas e tentar obter dados pessoais e bancários das vítimas.

