Os seis pescadores que estavam desaparecidos havia uma semana no litoral do Ceará foram encontrados vivos na noite desta quinta-feira (3). A tripulação do barco S.E. Pescados foi localizada a cerca de 480 quilômetros ao norte de Fortaleza por uma aeronave SC-105 Amazonas, da Força Aérea Brasileira (FAB), equipada com um sistema infravermelho capaz de auxiliar buscas mesmo no escuro.
Os pescadores estavam sem contato com as famílias desde 27 de agosto. Após a localização aérea, o Navio-Patrulha Oceânico Araguari, da Marinha do Brasil, chegou até a embarcação por volta das 23h e realizou uma avaliação médica. Os seis tripulantes estavam em bom estado de saúde.
O barco estava à deriva devido a uma avaria no sistema de propulsão. Segundo relato de um dos pescadores à família, o motor teria entrado em contato com água e parou de funcionar. As tentativas de colocá-lo novamente em operação não tiveram sucesso.
Pescadores usaram sinalizadores ao perceber avião
A localização ocorreu após os tripulantes ouvirem a aproximação da aeronave da FAB. Ao perceberem que se tratava de uma equipe de busca, os pescadores lançaram sinalizadores para indicar a posição do barco.
Durante os dias em que permaneceram à deriva, eles também queimaram objetos durante a noite na tentativa de chamar a atenção de outras embarcações. Segundo familiares, o grupo já começava a perder a esperança de ser encontrado.
A aeronave SC-105 Amazonas pertence ao Esquadrão Pelicano e foi deslocada do Mato Grosso do Sul para participar da operação. O avião conta com sensores capazes de identificar diferenças de temperatura e produzir imagens em condições de baixa luminosidade ou mesmo de escuridão, ampliando a capacidade de localização durante missões de busca e salvamento.
Quando encontrado, o S.E. Pescados estava a aproximadamente 480 quilômetros ao norte de Fortaleza e a cerca de 500 quilômetros de São Luís, no Maranhão.
Embarcação apresentou problema no motor
O S.E. Pescados havia deixado Itarema, no Litoral Oeste do Ceará, no dia 17 de agosto para uma pescaria com duração prevista de aproximadamente 30 dias.
O último contato ocorreu em 27 de agosto. Naquele momento, a última posição conhecida estava a cerca de 150 quilômetros ao norte de Fortaleza e aproximadamente 410 quilômetros de Porto dos Barcos, em Itarema.
Segundo Marciel dos Santos Souza, um dos pescadores, o problema teria começado após a entrada de água no motor. Sem propulsão e sem conseguir estabelecer comunicação, os seis permaneceram no barco enquanto a embarcação ficou à deriva.
Apesar dos sete dias de apreensão, eles não chegaram a enfrentar falta de alimentos. Como a viagem havia sido planejada para durar cerca de um mês, o barco levava mantimentos suficientes para o período.
Seis pescadores estavam a bordo
Além de Marciel dos Santos Souza, conhecido como Babidi, estavam na embarcação Wilson, mestre do barco; Tarciano Alves Oliveira, conhecido como Pulga; Francisco Oliveira dos Santos, chamado de Oliveira; Fábio Ferreira da Silva; e Gilson André de Carvalho.
Entre os tripulantes está Tarciano, de 17 anos.
Depois de serem encontrados, os pescadores tiveram acesso à internet e puderam finalmente entrar em contato com os familiares para informar que estavam vivos.
Operação mobilizou Marinha e FAB
As buscas começaram após a Marinha ser comunicada sobre o desaparecimento, em 29 de agosto. A operação foi coordenada pelo Salvamar Nordeste e mobilizou meios marítimos e aéreos.
Ao longo dos trabalhos, 26 embarcações foram acionadas para colaborar com tentativas de comunicação, observação da região e repasse de informações que pudessem ajudar a encontrar o S.E. Pescados.
Além do apoio da FAB, participaram da operação o Navio-Patrulha Oceânico Araguari, equipes da Capitania dos Portos do Ceará e da Agência da Capitania dos Portos em Camocim.
Após chegar ao pesqueiro, o Araguari permaneceu nas proximidades para prestar assistência. Uma embarcação contratada pelo proprietário ficou responsável pelo reboque do S.E. Pescados de volta ao porto de origem.
A localização encerrou uma semana de apreensão para as famílias dos seis pescadores, que acompanhavam as buscas desde a interrupção das comunicações.

