O número de mortos após as enchentes catastróficas que atingiram a fronteira entre o Nepal e o Tibete chegou a 392 nesta quinta-feira (27). Segundo os balanços divulgados pelas autoridades nepalesas e chinesas, outras 1.468 pessoas permanecem desaparecidas, enquanto equipes de resgate enfrentam lama, destroços e dificuldades de acesso às regiões mais afetadas.
Das mortes confirmadas até então, 389 ocorreram no Nepal e três no Tibete, região autônoma administrada pela China. No lado nepalês, 910 pessoas eram consideradas desaparecidas. No território tibetano, outras 558 ainda não haviam sido localizadas.
A presença de turistas na região elevou o número de estrangeiros entre os desaparecidos. Somados os dois lados da fronteira, mais de 900 cidadãos de outros países estavam sem contato. Apenas no Nepal, as autoridades contabilizavam centenas de estrangeiros desaparecidos, enquanto no Tibete havia 260.
As equipes de emergência utilizam helicópteros, drones e operações terrestres para procurar sobreviventes e alcançar comunidades isoladas. No Nepal, centenas de pessoas já foram retiradas das regiões afetadas por via aérea ou terrestre.
Avalanche de gelo e rochas teria provocado desastre
A tragédia começou na quarta-feira (26), quando uma grande avalanche de gelo e rochas atingiu o sistema de rios da região montanhosa e desencadeou uma violenta enxurrada de água, lama e detritos.
A principal hipótese analisada pelas autoridades é que o evento tenha começado após o colapso de parte de uma geleira na região de Langtang Lirung, no Himalaia. A massa de gelo e rocha desceu pela montanha e atingiu o rio Lhende Khola, afluente do Bhote Koshi.
O fluxo ganhou força à medida que avançava pelo vale, carregando água, pedras e outros materiais. A corrente atingiu comunidades e estruturas localizadas ao longo dos rios Bhote Koshi e Trishuli, no Nepal, além da região de Gyirong, no Tibete.
A força da enxurrada destruiu ou danificou casas, veículos, pontes, estradas e instalações de geração de energia. Em alguns pontos, a elevação do nível dos rios ocorreu em poucos minutos, deixando pouco tempo para que moradores e visitantes conseguissem deixar as áreas de risco.
O Serviço Geológico dos Estados Unidos (USGS) chegou inicialmente a registrar um terremoto na região. Análises posteriores indicaram, porém, que o sinal sísmico detectado estava relacionado ao próprio colapso glacial e ao enorme deslocamento de detritos, e não a um terremoto que tivesse provocado a tragédia.
Autoridades alertam para risco de nova inundação
Mesmo após a passagem da primeira enxurrada, as autoridades mantêm o alerta para a possibilidade de novos episódios de inundação.
Um dos principais pontos de preocupação está próximo à nascente do sistema do rio Bhote Koshi, onde o acúmulo de materiais provocado pelo desastre formou uma espécie de barragem natural. A água represada deu origem a um novo lago, que pode transbordar ou romper a barreira de detritos e provocar outra onda de cheia rio abaixo.
No lado chinês, o condado de Gyirong também permanece sob risco de novos deslizamentos e inundações repentinas. A previsão de chuva para os dias seguintes aumenta a preocupação das autoridades e pode dificultar ainda mais as operações de busca e salvamento.
Equipes chinesas foram mobilizadas para acompanhar a formação do lago e avaliar a estabilidade da barreira natural. No Nepal, moradores de regiões próximas aos rios também foram orientados a permanecer atentos diante do risco de uma nova elevação rápida do nível da água.
Com centenas de pessoas ainda desaparecidas e extensas áreas de difícil acesso, as autoridades admitem que o balanço de vítimas pode continuar aumentando à medida que as buscas avancem pelas comunidades atingidas.

