A Polícia Civil concluiu o inquérito sobre a morte do soldado da Polícia Militar Raphael Sampaio da Silva, de 27 anos, encontrado carbonizado dentro do próprio veículo em Itaitinga, na Região Metropolitana de Fortaleza, no dia 11 de agosto. A Secretaria da Segurança Pública e Defesa Social (SSPDS) considera o caso elucidado.
A policial militar Júlia Natália Girão Gomes, de 27 anos, e o marido dela, Antoneudo Ribeiro Lima Júnior, de 35, foram indiciados por homicídio qualificado. O casal está preso desde o dia do crime.
Segundo o laudo da Perícia Forense do Ceará (Pefoce), Raphael morreu antes de o carro ser incendiado. O militar foi atingido por três disparos de arma de fogo, e a ausência de fuligem em sua traqueia indicou que ele já estava morto quando o veículo foi queimado.
A investigação foi conduzida pela Delegacia de Homicídios contra Agentes de Segurança Pública (DHASP). A Polícia Civil apontou motivo torpe e utilização de recurso que teria dificultado a defesa da vítima.
Antoneudo também foi autuado por falsificação de documento público e posse irregular de munição. Na residência do casal, foram encontrados documentos falsos e munições de calibres .40 e .38.
Relação extraconjugal
As investigações apontaram que Raphael e Júlia mantinham um relacionamento extraconjugal. A policial teria informado o marido sobre a relação e mostrado a ele uma fotografia do soldado.
Na véspera da morte, Raphael teria relatado a uma pessoa próxima que pretendia assumir o relacionamento com Júlia e que ambos encerrariam os respectivos casamentos.
Na madrugada de 11 de agosto, câmeras de segurança registraram o carro da vítima seguindo até as proximidades da residência do casal, no Jangurussu. Raphael e Júlia trabalhavam no 16º Batalhão da PM e ela havia pegado uma carona com o colega após o expediente.
As gravações também mostram um Chevrolet Prisma utilizado por Antoneudo se aproximando do veículo do soldado. Câmeras registraram clarões que, segundo a investigação, são compatíveis com os três disparos. Depois disso, os dois automóveis deixaram o local.
A Polícia Civil aponta Antoneudo como autor dos tiros. Júlia teria participado de outras etapas do crime. A investigação identificou, inclusive, que ela pagou R$ 50 a outro policial para trocar o turno e trabalhar com Raphael no dia anterior ao assassinato.
Depois dos disparos, os veículos teriam seguido até a rua Leandro Morais, na região entre Fortaleza e Itaitinga, onde o carro de Raphael foi incendiado com o corpo dentro.
Versão de sequestro foi descartada
Júlia afirmou inicialmente que havia sido sequestrada e mantida amarrada por criminosos. A versão, entretanto, foi confrontada com imagens de câmeras de segurança.
Registros mostram a policial em uma oficina mecânica no mesmo período em que ela alegava estar em cativeiro. Horas antes, ela também havia sido filmada ao lado do marido deixando a filha do casal na escola.
Além das imagens, a investigação utilizou dados de geolocalização de veículos, depoimentos de testemunhas e laudos periciais.
O inquérito foi encaminhado à Justiça. Por se tratar de homicídio qualificado, os acusados poderão ser submetidos a julgamento pelo Tribunal do Júri.

