Um homem de 27 anos se tornou o segundo paciente do Ceará a receber tratamento com polilaminina para uma lesão na medula espinhal. O procedimento foi realizado no último sábado (15), no Instituto Dr. José Frota (IJF), em Fortaleza.
O paciente deu entrada na unidade no dia 11 de agosto após sofrer um trauma raquimedular. Ele chegou ao hospital com quadro de paraplegia, sem movimentos ou sensibilidade abaixo da região lesionada.
Exames identificaram uma lesão completa da medula na altura da sexta vértebra torácica, a T6. Após avaliação da equipe médica, a cirurgia para aplicação da polilaminina foi realizada apenas quatro dias depois da internação.
A substância é experimental e está sendo estudada por seu possível potencial de auxiliar na recuperação de pacientes com lesões na medula espinhal. Ainda não há comprovação definitiva de eficácia para o tratamento de paraplegia e tetraplegia.
Procedimento durou cerca de uma hora
De acordo com o IJF, a cirurgia durou aproximadamente uma hora e ocorreu sem intercorrências. A polilaminina foi aplicada diretamente na região da medula afetada por meio de cirurgia aberta.
O procedimento mobilizou uma equipe multiprofissional formada por neurocirurgiões, anestesista, enfermeiros, técnicos de enfermagem e radiologia e médicos residentes, entre outros profissionais.
Após a aplicação, o paciente passou a ser acompanhado diariamente durante a internação. O protocolo prevê que, depois da alta hospitalar, sejam realizadas avaliações a cada 15 dias e, posteriormente, consultas mensais até o terceiro mês. Depois desse período, o acompanhamento deverá ocorrer a cada seis meses.
O objetivo é verificar a evolução clínica e identificar eventuais alterações associadas ao tratamento.
Segundo procedimento realizado no IJF
A primeira aplicação de polilaminina no IJF ocorreu em 23 de maio deste ano, em um paciente de 20 anos que apresentava lesão na região da vértebra T8. Na ocasião, ele se tornou o primeiro paciente a receber o tratamento em uma unidade do Sistema Único de Saúde (SUS) no Ceará.
No segundo caso, o intervalo entre a chegada ao hospital e a aplicação da substância foi menor. Segundo o IJF, no primeiro procedimento foi necessário mais tempo para avaliação e organização do protocolo inicial.
O que é a polilaminina?
A polilaminina é produzida a partir da laminina, proteína encontrada naturalmente no organismo, e vem sendo pesquisada há mais de duas décadas pela cientista Tatiana Sampaio, da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ).
A substância é estudada pela possibilidade de favorecer a reorganização das estruturas nervosas e a formação de novas conexões quando aplicada diretamente na área da lesão medular.
As pesquisas buscam determinar se esse mecanismo pode contribuir para a recuperação de funções comprometidas por traumas na medula. O tratamento, porém, permanece em fase experimental, e os pacientes precisam atender a critérios específicos para participar dos estudos, incluindo características e gravidade da lesão, idade e condições clínicas.
Lesões na medula podem provocar perda parcial ou total dos movimentos e da sensibilidade abaixo da região atingida. Entre as causas estão acidentes de trânsito, quedas e ferimentos por arma de fogo, além de doenças e outras condições que afetam o sistema nervoso central.

