O aumento de casos de sarampo voltou a chamar atenção para os riscos de uma doença que pode provocar complicações graves, deixar sequelas permanentes e até levar à morte. Altamente contagiosa, a infecção pode ser evitada principalmente por meio da vacinação.
Nas últimas semanas, o alerta aumentou especialmente em São Paulo, onde foram registrados 23 casos da doença. Diante do cenário, o Ministério da Saúde ampliou a recomendação de vacinação no estado.
O sarampo é transmitido de pessoa para pessoa pelo ar, por meio da tosse, espirro, fala e até respiração. O vírus consegue permanecer em pequenas partículas no ambiente, o que facilita sua disseminação.
Não existe tratamento específico contra a doença. Por isso, a imunização é considerada a principal ferramenta para impedir casos e reduzir o risco de surtos.
Sarampo pode provocar complicações graves
Embora os primeiros sintomas possam ser confundidos com os de outras infecções virais, o sarampo é considerado uma doença grave. Crianças pequenas, especialmente menores de um ano, e pessoas imunossuprimidas estão entre os grupos mais vulneráveis às complicações.
Entre os principais problemas associados à doença estão pneumonia, infecção no ouvido e encefalite, uma inflamação do cérebro.
A pneumonia ocorre em aproximadamente uma a cada 20 crianças com sarampo e é apontada como a principal causa de morte relacionada à doença entre crianças pequenas.
Outra complicação é a otite média aguda, que pode atingir cerca de uma em cada dez crianças infectadas. Em alguns casos, a infecção pode provocar perda permanente da audição.
Mais rara, a encefalite aguda pode ocorrer entre uma e quatro a cada mil crianças com sarampo. Entre aquelas que desenvolvem essa complicação, aproximadamente 10% podem morrer.
De forma geral, entre uma e três a cada mil crianças que desenvolvem sarampo podem morrer em decorrência das complicações da doença, segundo dados citados pelo Ministério da Saúde.
Doença pode afetar imunidade mesmo após recuperação
Os riscos não necessariamente terminam quando os sintomas desaparecem. O sarampo pode provocar a chamada “amnésia imunológica”, deixando o organismo mais vulnerável a outras infecções durante meses após a recuperação.
Segundo o infectologista e pediatra Renato Kfouri, vice-presidente da Sociedade Brasileira de Imunizações (SBIm), essa alteração pode permanecer por um período de três a seis meses.
Nesse intervalo, pessoas que tiveram sarampo podem apresentar maior vulnerabilidade a outras infecções e, consequentemente, maior risco de hospitalização.
Quais são os sintomas do sarampo?
Entre os principais sintomas estão febre alta, geralmente acima de 38,5°C, e manchas vermelhas pelo corpo. Também podem ocorrer tosse seca, conjuntivite e mal-estar intenso.
As manchas costumam aparecer entre três e cinco dias depois do início dos primeiros sintomas. Normalmente, surgem inicialmente no rosto e atrás das orelhas e depois se espalham pelo restante do corpo.
A evolução da doença costuma ocorrer ao longo de aproximadamente uma semana. A persistência da febre depois do aparecimento das manchas, entretanto, é considerada um sinal de alerta para possíveis complicações, principalmente em crianças menores de cinco anos.
A recomendação é procurar atendimento de saúde diante de sintomas compatíveis com a doença.
Vacinação é principal forma de prevenção
A principal proteção contra o sarampo é a vacina tríplice viral, que também imuniza contra caxumba e rubéola.
Pelo Calendário Nacional de Vacinação, a primeira dose é administrada aos 12 meses, e a segunda, aos 15 meses.
Pessoas que não foram vacinadas ou estão com o esquema incompleto também devem atualizar a imunização. Para quem tem entre 5 e 29 anos, são recomendadas pelo menos duas doses. Entre 30 e 59 anos, a indicação geral é de pelo menos uma dose.
As estratégias podem ser modificadas conforme a situação epidemiológica de cada região. Em áreas com surtos, por exemplo, a vacinação pode ser antecipada para bebês a partir dos seis meses.
Além da proteção individual, ampliar a cobertura vacinal ajuda a interromper a circulação do vírus. Quanto maior o número de pessoas imunizadas, menor é a quantidade de indivíduos suscetíveis à infecção, dificultando a formação de novas cadeias de transmissão.

